Killian Hathaway

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A pior sensação do mundo é se sentir um fantasma,

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A pior sensação do mundo é se sentir um fantasma,

Uma pessoa que embora estivesse rodeado de pessoas e que muitas delas te olhem, você ainda se sinta invisível como se ninguém te enxergasse.

Poderia usar a desculpa de que sentir isso é resultado do meu pai nunca ter prestado atenção em mim, ou, ter se importado comigo ou com a minha mãe. Um trauma infantil de merda, na boa, ver minha mãe definhar e morrer por amar de forma doentia um cara que estava pouco se fodendo para ela, me arrancou um pedaço de mim, uma parte que talvez eu nunca recupere, mas o meu problema não é esse, pelo menos não todo, há muito mais.

O burburinho irritante concentrado em um único ambiente somado ao meu mau humor não estava ajudando muito a suportar e cumprir com minhas obrigações. A ala de treinamentos estava a todo vapor, e eu precisava aliviar minha cabeça, descontar minhas frustrações em alguma coisa ou em alguém. Não importa quem fosse o fodido a entrar na minha linha de visão, quem fosse sofrer com o peso dos meus punhos, eu esmagaria, que se fodesse.

- Tu tava onde, cara?

Ezra que foi o primeiro a me ver questiona, balanço a cabeça para os lados e coloco as mãos nos bolsos da minha calça dando de ombros, olho ao redor observando a algazarra que estavam fazendo, um grupo de seis ou sete pessoas estava no meio de todos discutindo entre eles, olhei para Ezra e ele riu

- Estão discutindo para ver quem irá ser o parceiro de treino de Ariel. A garota é a porra de uma rainha aqui dentro.

Procuro ela com os olhos,  sentindo o fogo baixo da raiva aquecer minhas entranhas, minhas células. A encontro num canto afastado com o corpo apoiado na parede, seus braços cruzados e o rosto sério. Zayden está do lado dela falando com bastante empolgação e gesticulando com as mãos enquanto ela apenas escuta sem esboçar reação nenhuma, o corpo do filho da puta as vezes se inclina em direção a ela, o cheiro dela deve tá incendiando os sentidos dele e esse merda que é casado deve está adorando.

E o que eu tenho haver isso? Que se foda!

- Chega dessa merda. Zayden lutará comigo e fim de papo, quero acabar com isso logo!

A voz dela soa melodiosa como o canto de uma sereia, suave, encantadora, hipnotizando todos. Balanço a cabeça para os lados como se isso fosse me ajudar a me livrar do feitiço natural dela, eu não podia cair em seus encantos como todos, como ele.
Ele caiu tanto em seu charme de merda que fodeu tudo, tudo o que podia existir de bom nele.
O amor podia matar e era uma das mortes mais dolorosas de todas, é uma morte cruel, vergonhosa.

- E por qual razão você escolheu ele?

Jade surge como um inseto venenoso, seu tom de voz explicitamente acusativo. Era óbvio o que ela estava querendo insinuar ali, que jogo a mulher estava disposta a jogar. Esperei o que a outra, a que foi questionada faria mas a única resposta da parte dela foi o silêncio, isso com certeza irritou Jade.

Para um caralho.

A mulher rosnou como uma cachorra quando Ariel deu as costas a ela e foi em direção a parede de instrumentos que ela poderia usar no treino, objetos que simulavam armas de verdade, a dor que elas causavam era psicologicamente falando igual a uma de verdade, e doía, doía para cacete. Jade avançou em direção a Ariel obviamente não calculando direito o que estava fazendo isso ficou bastante claro quando ela ergueu a mão para empurrar sua adversária, o que foi um erro, Ariel com a mesma agilidade da noite anterior puxou uma katana, e girou até que ela estivesse contra a garganta de Jade. O suspiro foi coletivo e eu pude jurar ouvir algum desses imbecís gemer com a cena.

- Você quer brincar comigo, Jade. Sério?

Cada centímetro do meu corpo arrepiou com a ameaça na voz dela, a frieza concentrada ali era doentia, destruidora, queimava.

- Você não é ninguém para que eu queira brincar com você, garota.

Jade tentou ser corajosa, soar agressiva mas ela pareceu mais uma gatinha assustada. O som que seguiu a sua frase foi uma risada deliciosamente rouca, despojada.

- Desse jeito você me magoa, ratinha.

E com isso se afastou e apontou a ponta da katana falsa para Kayden que riu e se aproximou pegando uma arma parecida a dela, ambos se prepararam, ambos atacaram. Mas ela não parecia lutar, não, ela flutuava, dançava contra Zayden. Os dois estavam dando um espetáculo da porra enquanto ele ia com agressividade ela avançava com sutileza. A luta dela era única, seus golpes eram leves embora brutais. A técnica que ela usava era perfeitamente refinada.

- Estranho...

Ezra verbalizou meus pensamentos, deu voz aos sussurros em minha cabeça, uma voz que desde cedo eu estava tentando não dá, apertei as mãos em punhos, a veia em meu pescoço pulsou.

- Esses golpes parecem muito com os seus.

Trinquei meu maxilar respirando fundo, Ezra não entendia o que aquilo significava, sua comparação foi por achar coincidência que a técnica dela embora seja única, tinha uns golpes parecidos aos meus. O problema era que a semelhança não era com os meus golpes mas sim com os golpes dele. Sorri com acidez, ele me ensinou a lutar e obviamente havia ensinado ela também. Nem mesmo isso ele deixou puro, até isso aquele desgraçado estragou. Existia limites para odiar uma pessoa? Acho que não, pois, quando imagino que cheguei ao limite de odiar ele, algo novo surgia e meu ódio multiplicava.

- Porra, você não cansa?

Zayden suspirou em um sussurro cansado quando deu um passo para trás limpando a testa de suor, Ariel o encarava com desdém, movendo-se com uma elegância quase arrogante, ele avançou mirando o ombro dela que já esperava e desviou da lâmina falsa, ele atacou de novo e ela desviou novamente, dessa vez ela atacou de volta e se aquela lâmina fosse de verdade as duas mãos dele estariam no chão agora. Ele arquejou com a dor e ela se afastou.

Não ouve comemoração por sua vitória, apenas uma pequena reverência de quem já sabia que ganharia.

- Nada mau Zayden, nada mau mesmo.

E então ela se foi sem voltar a olhar para ninguém, sem parar para ouvir ninguém, apenas foi.

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