Quem é você?

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O poder era algo intrigante,

O quanto ele podia transformar uma pessoa era sempre interessante, eu achava engraçado o quanto uma pessoa que se considerava poderosa poderia se achar quase como um ser superior, um Deus.

Levei meu tempo para cumprir minha rotina matinal, tomei meu pré treino, treinei musculação, luta, tomei meu pós treino. Recebi o comunicado que o tenente queria que eu o acompanhasse em seu café da manhã, tomei meu banho, coloquei meu uniforme e então estou aqui. Sentada ao redor de uma mesa com outras quatro pessoas que respiravam arrogância, que se achavam Deuses.

Do meu lado outras duas cadeiras estavam vazias, uma deveria ser ocupada por Zyon, a outra não me interessava saber quem ocuparia. Dei um gole em meu café enquanto ignorava a conversa ao meu redor. Era impressionante o quanto isso era maçante e se tornava quase insuportável com o passar do tempo. Que merda eles queriam com essas coisas?

Existiam problemas reais, existia um problema que obviamente precisávamos resolver já que haviam convocado a minha presença e a de Zyon, mas eles preferiam essas reuniões que não serviam de nada. Pelo menos não para mim. As conversas sessaram e passos firmes e lentos ecoaram, não me importei com isso até que a cadeira ao meu lado foi ocupada. Um frio lento rastejou por meus braços, uma inquietação suave dançou em meu estômago.

Ao meu redor o silêncio parecia sepucral, esmagador. O perfume marcante dançou em minha volta, me abraçando com uma brutalidade gentil.

- Hathaway, seja bem vindo ao Sul.

Aurélio, o tenente, o saudou e todos murmuraram palavras desinteressadas de boas vindas, ninguém realmente se importava com a chegada dele. Ergui minha cabeça lentamente, indiferente e o olhei me surpreendendo ao notar que seus olhos estavam mortalmente presos em mim. Olhos escuros como um buraco negro, cruel, violento, mortal. Seu rosto estava vazio ao mesmo tempo em que estava raivoso, era estranho ao mesmo tempo que instigante.

Hathaway

Eu já havia o visto antes, já havia sentido seus olhos em mim, em minha pele, porém, era a primeira vez em que estávamos tão próximos. Seu olhar era intenso, como se tivesse o desejo de me destruir.

- Zyon não irá se juntar a nós, Ariel?

O questionamento grosseiro feito por Félix chamou a minha atenção e quase rir, era óbvio que seria ele a fazer essa pergunta, era óbvio que ele iria adorar tentar fazer com que Zyon ficasse desvalorizado. Com o auxílio de uma colher, levei uma pequena quantidade de ovos com mel a boca, mastigo com calma, meus olhos presos em Félix que me diverte apertando o maxilar com a raiva evidente.

- Ele é importante de mais, não é?

Veneno puro, destilado no mais profundo ódio. Esse cara me odeia e mais ainda, esse cara odeia Zyon. Ele acha que o filho dele é mais capaz que Zyon e que as pessoas ainda não perceberam isso pois eu não o trouxe para perto de mim e que coloquei Zyon nos holofotes por ir para cama com ele. Patético, como se eu estivesse nos holofotes por escolha.

- Zyon está com uma virose gripal, e achou melhor se isolar e não contaminar as pessoas ao redor e acabar causando problemas.

A mentira deslizou por meus lábios com uma suavidade extraordinária, Aurélio pareceu genuinamente preocupado e questionou se era algo grave, quase me sentir culpada por mentir, quase. Balancei a mão no ar como se não fosse nada.

- Não, alguns litros de água e suco de laranja e ele estará bem, foi só para evitar danos maiores. Acreditem, se não fosse por isso ele estaria aqui, com certeza.

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