Lobo solitário

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Seol/Hades
Um lugar temporário onde as almas dos infiéis aguardam a ressurreição e o julgamento final. Os termos "hades" e "sheol" são geralmente traduzidos como "sepultura" ou "lugar dos mortos"

 Os termos "hades" e "sheol" são geralmente traduzidos como "sepultura" ou "lugar dos mortos"

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Um lobo solitário não sobrevive por muito tempo,

Muito se fala que o resultado de ser um lobo solitário é levar uma vida sofrida e morrer, que um lobo solitário não terá a proteção da sua alcateia, por tanto, não terá como sobreviver a certas adversidades. Mas ninguém nunca pensou que talvez, um lobo solitário morra mais rápido que o normal por não ter pelo que lutar, não ter motivos para sobreviver, não ter nada a perder.

Talvez, a razão para a morte rápida do lobo solitário seja a pouca importância que ele dê a sua existência, talvez, ele simplesmente tenha desistido de viver. Ninguém fala o quanto é tedioso viver em um mundo onde nada tenha importância, onde nada tenha principalmente valor. A solidão por si só, te ajuda a não ser afetada por pessoas ou coisas, ninguém pode te ferir se ninguém pode te alcançar. Mas se você é sozinho, que importância teria sangrar? Que importância teria viver?

Mas então, vem o outro lado da moeda o se permitir confiar, o permitir que alguém se aproxime, o se permitir fazer parte de uma alcateia, o quão destrutivo isso pode fazer para alguém?

O confiar na pessoa errada, confiar em uma causa da qual pouco você sabe, o confiar em mergulhar em águas revoltas, perigosas e escuras. Confiar, é acima de tudo um ato de coragem mas também é um ato de completa estupidez pois, ao confiar em alguém você se torna vulnerável, apta a se foder.

O quão patético é confiar em alguém que não respira mais? Ou, em uma causa pela qual você não sabia da existência até exatamente poucos dias atrás? O quão ridículo é esta tão vazia por dentro que fique desesperada por algo que te faça viver? Ou melhor, que te faça querer viver? Querer respirar?
O resultado de ter depositado confiança em meu pai, no que ele queria, para falar a verdade, o resultado de não ter nada a perder me fez ser jogada dentro de um buraco em um lugar que sequer existe no mapa, um lugar que eles chamam de Sheol.

Aqui ninguém se importa com ninguém, aqui, o que um dia você imaginou ser não existe, os princípios que um dia você tanto valorizou perde o valor, aqui, você se torna um animal que só se importa com sobreviver, mesmo que para isso você tenha que, principalmente matar alguém, fazer alguém sangrar.

É uma cena brutal a que presencio, duzentas pessoas fazendo um círculo ao redor de um massacre, sete pessoas lutando entre si, lutando para sobreviver, gritando, socando, chutando, sangrando. Duzentas pessoas que não movem um músculo para ajudar, ali, ninguém ajuda ninguém, é cada um por si. Gritos ecoam, sendo enviados pelo vento, dois caem, cinco se mantém de pé, o líder se aproxima, se agacha, e movimenta a cabeça de um lado para o outro. Um deles estava morto, um deles morreu na base da pancada enquanto o outro, desistiu o que pelo que Siriús havia me contado também resultaria na morte dele. Ele também sabia o que aconteceria com ele e provavelmente era exatamente o que ele queria.

Morrer

O líder se reergueu e jogando a cabeça para trás riu, segundos antes de mandar que todos se afastassem e que a punição acontecesse. Porém, ele não deixou que ninguém de fato saísse pois queria que todos assistissem o que acontecia com quem era fraco.

Um arrepio cruzou minha espinha quando no silêncio da noite uivos ecoaram, lobos apareceram, grandes, famintos, selvagens. Ouvi arquejos das pessoas ao meu redor, alguém soltou um " Deus", mas Ele não faria nada por nós e muito menos por o garoto que começou gritar ao ter sua carne devorada por aqueles animais, suas pernas e braços foram arrancados de seu corpo como se fossem massinha de modelar, não desviei o olhar da cena, chocada de mais, encantada de mais para conseguir me mover.

Um dos lobos estava parado imponente, como se ele estivesse entediado de mais ou como se a carne do garoto não fosse para ele atrativa o suficiente, esse era grande embora parecesse ser ainda um filhote, sua pelagem era branca como a neve. Ele farejou o ar e seus olhos azuis escuro, quase preto olharam em direção a nós que estávamos na plateia, ele olhava de uma forma sinistra, suas patas começaram a se mover lentamente, preguiçosamente, o líder sacou uma arma temendo que fôssemos atacados, não foi o que aconteceu, o lobo parou bem na nossa frente, na minha frente, seus olhos presos em mim, foi impossível não sentir minhas mãos tremerem, ele me queria, ele queria me comer, me via como presa.

- Afaste-se lentamente, fada!

A ordem do líder me fez tremer ainda mais não de medo mas de raiva pelo apelido ridículo.

- Afaste-se!

Ele repetiu um pouco mais alto o que foi um erro já que o lobo rosnou para ele, mostrando seus dentes afiados, molhando o chão com sua baba. Dei um passo para trás o que fez o animal focar em mim novamente, o líder engatilhou a arma pronto para atirar quando deixando todo mundo em choque o lobo me reverenciou, tocando seu focinho no chão.

- O-O que é isso?

Alguém questionou do meu lado, sem entender o que estava acontecendo quando um outro líder tocou em meu ombro, o lobo rosnou novamente colocando uma pata a frente, raspando as garras no chão, indo contra o toque.

- Interessante, ao que parece ele gostou de você, fada!

Olhei para ele incrédula com sua fala, um lobo selvagem tinha simplesmente gostado de mim? Rir, nunca havia ouvido tamanha bobagem.

- Dê um passo a frente e estique a palma da sua mão aberta, deixe ele se aproximar!

O homem instruiu, respirei fundo querendo xingar esse infeliz mas me mantive calada, aquilo seria um insulto e negar o seu pedido poderia me resultar em coisas desagradáveis, da mesma forma que ir a favor dele podia custar a porra da minha vida. Era aí onde existia o perigo de não ter o que perder, eu me aproximei do animal, eu obedeci ao líder e estiquei a palma da minha mão, o lobo se aproximou também e tocou o facinho gelado na palma da minha mão, travei, cada mísera parte do meu corpo, travou.

- Eu estava certo, afinal. Ele é recluso, não deixa ninguém se aproximar e nem aceita ordens, mas ele veio até você, se rendeu a você. Quem sabe você realmente tenha algum poder dentro de você como uma fada!

As risadas ecoaram por todo o lado, ignorei focada de mais no animal surpreendente a minha frente.

- Ele te acolheu, fada. Então, ele pode ser seu se você quiser e prometer cuidar dele.

Nem mesmo havia pensado direito quando me peguei movimento a cabeça, acolhendo aquele lobo como meu, o adotando para viver comigo.

- Lunar

O nome escapou dos meus lábios com carinho, meu peito se aqueceu ao acariciar o pelo dele. Lunar seria o nome do meu magnífico animal de estimação.

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