Ele é meu pai, Ariel.

110 9 0
                                        

Sete anos e três meses depois;

Uma certeza em minha vida era que eu odiava o calor,

Odiava a sensação repugnante da minha pele grudenta de suor, de sentir minha temperatura mais alta que o necessário para ter um bom funcionamento, por isso, uma das primeiras coisas que adquiri quando construir minha casa foi um sistema espetacular que é capaz de resfriar a minha casa o suficiente para que eu não surte e mate alguém sem uma razão minimamente plausível.

E era exatamente esse sistema incrível que eu estava usufruindo quando o demônio do Zyon, meu amigo invadiu a minha casa para treinar em minha academia, o que me irritava? O fato dele ter uma academia tão bem equipada quanto a minha na casa dele. Mas o maluco psicopata, tinha um problema que era não saber viver sozinho e por isso, sempre buscava motivos de me importunar com sua presença. Bufo quase perdendo a paciência quando tenho que inclinar minha cabeça para o lado, pela milésima vez para não ser atingida por uma das meias sujas e fedidas dele enquanto tento finalizar a minha próxima coleção de joias feitas de diamante.

Essas belezinhas me renderão uma grana alta.

Meus hobbys mudaram, agora, me distraia desenhando acessórios com pedras caras e preciosas para vender por milhões de dólares na minha empresa, a Royal. Deslizo a ponta da caneta digital na tela do meu ipad finalizando minha obra quando Zyon para na minha frente suado e ofegante.

- Você deveria prestar atenção em mim!

Bate os pés como uma criança enquanto cruza os braços tentando me intimidar com seu tamanho.

- Tenho trabalho a fazer, lobo.

Bloqueio a tela do iPad decidindo entender o que ele queria, Zyon não era tão carente de atenção assim. Olho para ele analisando seu rosto, tudo o que o corpo dele me entrega como pista.

- Meu pai me procurou!

Apoiei a cabeça na parede atrás de mim, deixando o tablet de lado e cruzando as pernas relaxada, era óbvio. Essa inquietude tinha que ter alguma coisa haver com aquele verme asqueroso do pai dele.

- Já te disse, basta que você peça e eu resolvo!

Zyon não tinha coragem de matar seu pai, mas eu tinha e não exitaria em fazer isso, nem por um segundo. Aquele velho maldito merecia morrer.

- Ele é meu pai, Ariel!

Responde como se essa simples frase fosse justificativa, não tenho tato, ou, capacidade para entender o que ele carregar o mesmo dna daquele cara tem haver com fato de que o velho tem que morrer. Respiro fundo tentando formular um dialogo que não acabe magoando ainda mais o homem a minha frente.

- Asael é meu irmão e é só ele aparecer na minha frente e eu o matarei!

Afirmo passando a mão direita no meu rosto, Zyon revira os olhos como se eu fosse idiota e meu argumento não fosse válido, mas era.

- Você odeia o seu irmão!

Dessa vez minha risada é baixa, grave.

- E você odeia o seu pai.

Rebato erguendo meu corpo do chão com um único movimento, massageio minha nuca.

- Não é a mesma coisa, porra. Você parece que tem uma pedra no lugar do coração, você nem chorou a morte dos seus pais!

Levanto uma das sobrancelhas observando Zyon e passo a língua nos lábios, iria rebater porém não posso já que o desgraçado está certo, meu amigo passa as duas mãos no rosto movendo os ombros rápido de mais denunciando sua irritação.

ExspiravitOnde histórias criam vida. Descubra agora