𝘚𝘪𝘭𝘦𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘰.
Essa era a única sensação que pessoas tão diferentes como Doyoung e Sicheng sentiam em comum. A única sensação que os sufocava, dia após dia, ao ponto de fazê-los clamar por ajuda.
𝗔𝘁𝗲́ 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗼𝗻𝘁𝗼 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
17/03/2020, terça-feira.
3 meses. 90 dias. 2160 horas.
2160 horas haviam se passado e, infelizmente, Doyoung não tivera uma única chance para conversar com Taeyong.
Desde o dia em que todo o caos aconteceu, Kim não o viu novamente, nem mesmo quando foi à sua casa buscar as poucas roupas que tinha. Também já havia perdido as esperanças de que ele respondesse, pelo menos, uma de suas mensagens. Era como se Taeyong tivesse sumido do mapa, e encontrá-lo fosse uma missão que beirava o impossível.
Faculdade, colegas de turma, amigos próximos... Ninguém tinha notícias suas. E encarar aquela nova realidade fazia o peito de Doyoung pesar cada vez mais, de tal modo que, por diversas vezes, ele apenas se sentia minimamente aliviado quando deixava suas lágrimas rolarem livremente pelo seu rosto por um bom tempo.
Por que as coisas tinham que ser daquela maneira?
Doyoung não conseguia acreditar que no momento em que pensou que iria começar a viver sua vida e ser feliz de verdade, o universo lhe deu uma rasteira. Sabia que não tinha sorte, mas nem em seus piores pesadelos esperava que algo parecido acontecesse.
Tudo. Absolutamente tudo em sua vida havia desmoronado em questão de horas, ao ponto de não poder contar com a ajuda de sua própria família. Já que quando retornou, a contragosto, para a casa de seus pais e pediu abrigo, nem que fosse temporariamente, sua mãe negou na mesma hora, alegando ter ficado "tão machucada que não se sentiria bem em tê-lo por perto". Será que ela não conseguia perceber que também havia lhe machucado?
Doyoung não quis questioná-la; a pouca energia que ainda restava em seu corpo já havia se esgotado minutos antes. Então apenas assentiu e saiu dali às pressas, tornando a caminhar sem rumo até encontrar um banco vazio à sombra de uma árvore na praça, agora deserta por ser horário de almoço.
Até que, novamente, a realidade tornou a assombrar sua cabeça, e Kim não conseguiu segurar seu choro alto. Ele não se sentia envergonhado pelos olhares curiosos das poucas pessoas que passavam e o encaravam confusas, tampouco por estar chorando alto, tal como uma criança de três anos. Como que não choraria sabendo que não tinha mais pra onde ir?
No fim, Doyoung acabou por seguir a única opção que tinha, e a cada passo que dava em direção a casa de Yoonoh, sentia seus olhos arderem novamente, avisando que, em breve, suas lágrimas voltariam a molhar seu rosto. Por diversas vezes, ele apenas praguejou baixinho, perguntando-se o que de tão ruim havia feito em suas vidas passadas para ter que colher tudo aquilo. Toda sua vida parecia fazer parte de algum filme de terror, daqueles extremamente assustadores.
Mas o pior ainda estava por vir. Encarar a casa onde morou por tanto tempo e fora infeliz por boa parte dele, lhe causava náuseas. A agonia tomava conta de tudo dentro de si. Doyoung queria fugir, mas, infelizmente, não podia. Ficar cara a cara com Jaehyun e assistir um sorriso — falsamente triste — se formar em seu rosto o fazia se sentir o pior perdedor de todo o planeta. Havia atingido o fundo do poço, e não havia uma pessoa sequer que pudesse lhe ajudar a subir.