16 | Cadê você, Doyoung!?

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17/04/2020, sexta-feira

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17/04/2020, sexta-feira.

Fazia exatamente trinta dias desde que Doyoung deixou a casa de Jaehyun sem um destino certo. Porém, ao contrário do que poderia se esperar, o Kim estava longe de se sentir mal por isso. Durante todo o caminho que percorreu até achar uma pousada onde pudesse passar a noite, uma sensação de alívio e liberdade inundou seu peito. Ainda não parecia ser real que, finalmente, estava livre. Livre de Jaehyun, de Seohyun... de todos. Sem exceções.

No início, tudo relacionado a sua nova vida foi completamente caótico, mas ainda assim, não chegava a um terço do que já havia sentido e vivido. As coisas estavam acontecendo numa velocidade absurda, e por mais que Doyoung quisesse desacelerar, na altura do campeonato, a vida já não lhe permitia tal benefício. Porém, quando o jovem finalmente conseguiu alugar um apartamento para morar e assim, não precisar mais depender de estadias em pousadas, seu coração relaxou. Tudo estava entrando nos conformes.

O apartamento em questão não era grande. Pelo contrário, o imóvel era tão pequeno que, às vezes, Doyoung até se sentia sufocado em passar muito tempo ali. Mas era sua casa. Apenas sua. E só de saber daquilo, um sorriso esperançoso tomava conta de seu rosto.

Em uma de suas mais recentes saídas em busca de emprego, Kim encontrou um folheto preso na vitrine de uma loja qualquer. Era um trabalho de meio período, e, ao olhar com mais atenção, notou que os requisitos não eram tantos, assim como o salário não era dos melhores — a vaga era para atendente em uma loja de conveniência, mas ele não quis pensar muito naquilo. Na mesma hora, foi até o endereço indicado, perguntou sobre a vaga, e entregou uma cópia de seu currículo, aproveitando para falar brevemente sobre suas qualidades, percebendo que o homem apoiado no balcão não parecia nem um pouco interessado em ouvi-lo. Mas no final, a tentativa deu certo, já que antes mesmo de deixar o local, o mais velho disse que ele estava contratado e que poderia começar naquele mesmo dia.

Doyoung não negava que, às vezes, sentia o arrependimento inundar sua mente quando lembrava que ele mesmo havia pedido — ou melhor, praticamente implorado — para ser contratado. Nunca teve dúvidas de que lidar com pessoas era exaustivo, porém não fazia ideia do quão ruim aquilo poderia ser, principalmente quando era obrigado a passar boa parte de seu expediente ouvindo sussurros e percebendo olhares curiosos de clientes que o viam com o uniforme do estabelecimento. Estava cansado de ter que responder amigavelmente quando alguém se aproximava e perguntava por que ele estava trabalhando ali, o motivo de ter largado a universidade, e, acima de tudo, querendo saber se ele e Jaehyun ainda estavam juntos.

Mesmo querendo implorar aos gritos para que aquele assunto fosse finalizado, também não podia esquecer que ninguém sabia o que de fato havia acontecido. Então, apenas ignorava tudo e respondia um simples "não". Que haviam decidido seguir por caminhos separados e que a única coisa que sabia do Jung, era que ele estava se preparando para assumir um novo cargo na empresa de sua família.

Sim, Doyoung mentia. E como se não fosse pior, mentia para encobrir Jung Jaehyun. Uma das pessoas que mais haviam lhe causado dor e tristeza. Porém, no momento em que tal pensamento voltava a rondar a mente do Kim, ele lembrava que não fazia aquilo por Yoonoh. Aliás, nunca havia sido por ele, mas sim por Sunmi, sua mãe, que não merecia enfrentar todo o assédio da família e da mídia caso descobrissem o real motivo para o desaparecimento de Jaehyun. Ela já havia suportado muito, e não precisava suportar o peso das escolhas erradas dos outros.

𝗺𝘂𝘁𝗲𝗱 | 𝗱𝗼𝘁𝗮𝗲; 𝘆𝘂𝘄𝗶𝗻Histórias para pegar e não largar. Descubra agora