𝘚𝘪𝘭𝘦𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘰.
Essa era a única sensação que pessoas tão diferentes como Doyoung e Sicheng sentiam em comum. A única sensação que os sufocava, dia após dia, ao ponto de fazê-los clamar por ajuda.
𝗔𝘁𝗲́ 𝗾𝘂𝗲 𝗽𝗼𝗻𝘁𝗼 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗲𝘀𝘀𝗼𝗮...
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01/05/2020, sexta-feira.
— Eu ainda não consigo acreditar que me mudei para Busan apenas pra sofrer. — Doyoung reclamou, posicionando uma das diversas sacolas plásticas que segurava no antebraço, tentando "diminuir" o peso em suas mãos.
— Pois eu acho que foi Deus que colocou um anjo na minha vida pra me ajudar com as compras. Não aguentava mais ter que passar o dia todo dolorido por causa do peso dessas sacolas.
— Hm — murmurou, revirando os olhos disfarçadamente. — Se eu soubesse que o supermercado era tão longe assim de casa, eu tinha pego mais dinheiro pra pedir um táxi.
— Pra quê? A gente nem mora tão longe assim. Deixa de preguiça, Dodo!
— Não é preguiça! É necessidade. — Logo após falar, Doyoung parou um pouco. Colocando as compras no chão e apoiando as mãos nos joelhos, a fim de recuperar o fôlego e conseguir seguir com a caminhada.
Naquele dia, fazia exatas duas semanas que Doyoung havia pedido demissão dos seus empregos, apostando todas as suas fichas em algo completamente novo, em outra cidade. E, por ora, o Kim não estava nem um pouco arrependido de tal decisão. Claro que, a ideia de ainda não ter um emprego que lhe garantisse alguma estabilidade o deixava inquieto, para não dizer ansioso. Porém, nem de longe, se comparava ao caos que era morar e trabalhar na capital. Seoul era a personificação da loucura. Parecia que a cidade nunca dormia, sempre desperta para consumir o restante de energia que havia dentro daqueles que habitavam nela, engolindo-os aos poucos.
— Ai meu Deus! — Sicheng gritou, assustando Doyoung que acabou derrubando uma das sacolas que levava. E, somente depois de uma longa sessão de resmungos por parte do Kim, que ele encarou o amigo e o viu estático, olhando fixamente para algo, como se tivesse visto um fantasma. Ao seguir seu olhar, notou que Dong estava olhando para um anúncio de vaga de emprego.
— Olá, terra chamando Sicheng!
— Dodo, você disse que queria um emprego, né? Tá aqui a solução dos seus problemas. — O estrangeiro prontamente arrancou um dos tickets do anúncio e entregou a Doyoung, que apenas franziu a testa em resposta.
— Não, sem chance...
— Mas, por quê?!
— Chengie, será que é porque eu nunca cuidei de uma criança?! — Doyoung estava indignado, e sua revolta apenas se intensificou quando notou o outro revirar os olhos e bufar alto.
— Vai lá! É só uma entrevista. Você não vai morrer por causa disso.
— Sicheng, eu não aguento mais ouvir "não". Se brincar, já devo ter ouvido essa palavra umas dez vezes só essa semana. Por que eu vou tentar algo que eu nem tenho experiência? — argumentou, tentando finalizar aquele assunto, mas Sicheng não se dava por vencido de forma alguma.
— Mas é sobre isso aqui que devemos falar. — O chinês apontou para o valor do salário: mais de cinco milhões de wons. Fazendo uma conta rápida, aquilo era mais do que o dobro de um salário mínimo comum. Na teoria, era muito dinheiro para cuidar de uma única criança.