Segredos obscuros

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Naquela noite, Legolas passou na Sala de Cura, não porque precisava, afinal seu ferimento no ombro já estava quase completamente cicatrizado, mas porque queria se certificar de que Pitya ficaria bem. Yára já parecia estar melhor, não tinha nenhum ferimento grave nem superficial e estava bastante descansada, porém ela ainda não havia deixado a Sala de Cura, primeiro porque não havia outro lugar para ela ir, seu quarto somente ficaria pronto no dia seguinte, e segundo porque estava preocupada com Pitya, sua melhor amiga. Yára percebeu o olhar que Legolas lançava sobre ela, não sabia muito bem o que se passava em sua mente, porém aquele olhar não lhe era estranho, conhecia de algum lugar, só não lembrava de onde.

Não havia mais nenhum curandeiro por perto, todos haviam se retirado para suas casas, apenas havia dois guardas na imensa porta dupla, e o local estava iluminado por várias velas, pedidas por Yára que não queria mais passar uma única noite no escuro, depois dos tantos dias passados sem ver a luz do Sol.

E enquanto isso, Legolas ficava a observar atentamente Pitya, preocupado por os sinais aparentes não serem de melhora. Pitya havia sido gravemente ferida pela adaga amaldiçoada de Mormeril no abdômen. Seu rosto continuava bastante pálido, seus olhos estavam fundos e sua boca estava rachada e clara, sua testa suava febril e, vez ou outra, ela murmurava alguma coisa incompreensível. Legolas estava determinado a ficar ali velando o seu sono, esperando que a manhã seguinte trouxesse boas notícias:

- Está sem sono? - Perguntou baixo Yára, tirando Legolas de seus devaneios.

- Descansei bastante depois da viagem. E você?

- Depois que deitei nessa cama, fechei os olhos e dormi como um bebê! - Suspirou com um sorriso leve. - Fazia muito tempo que não dormia me sentindo segura.

- Creio que eu não possa imaginar o que vocês passaram.

- Também acho, ainda não viveu o suficiente para passar por uma situação como a nossa - Legolas percebeu seu tom irônico.

- Talvez, mas enquanto você esteve presa em Gundabad, eu estive lutando na Guerra do Um Anel, então digamos que eu já tenha visto um pouco do terror que é o poder das trevas, sem contar com o fato de Mormeril ter me levado como prisioneiro também - Yára gargalhou.

- Você não foi levado, você se entregou!

- Não bem assim! Eu não tive outra escolha! Mas, afinal, como sabe disso!? - Perguntou Legolas, sentindo-se ofendido com sua risada exagerada.

- Ué, eu estava lá, não me viu? Ah é, você estava desacordado, tinha esquecido - riu mais um pouco, achando engraçado alguém que não lhe passava de uma criança se gabar por participar de uma guerra. 

- E o que estava fazendo lá, se era prisioneira de Mormeril? Por acaso, suas asas servem para mais alguma coisa que não seja lançar suas penas afiadas como espinho em mim!?

- Ah, você sabe jogar, gostei de você. Desculpe, aprendi maus hábitos com a Mormeril - tentou soar sincera, porém não teve sucesso.

- É, eu percebi. Mas, afinal, não vai me responder, ou vou ter que adivinhar?

- Bom, eu tenho asas e elas servem, sim, pra mais alguma coisa, aliás não foi de propósito que eu lancei aquelas lâminas em você, e não as chame de espinho, é uma definição muito simplificada e vulgar. Eu estava lá por uma razão, e só obedeci às ordens de Mormeril para proteger a Pitya. 

- E... o que ela lhe mandou fazer? - Perguntou Legolas cauteloso, sem saber se queria realmente queria saber. 

- Eu não sei bem o porquê, mas... Mormeril queria que eu fizesse uma coisa. Não me julgue, está bem?

As Asas do Poder - O Diamante da Morte - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora