Aqui escrevemos pequenas e incontinuas histórias envolvendo o adolescente pobre JJ Maybank, morador de uma ilha, que põe sua vida em risco junto ao seu grupo de amigos em busca de ouro. Há aqui somente um pequeno diferencial: você existe.
(Pedidos f...
PLOT: Você, depois de um acidente de carro, tem o cérebro tão funcional quanto uma criança e não se lembra de muitas coisas. Mas pelo menos seu namorado acha isso uma graça e está disposto a te ajudar.
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Quando você enfim foi liberada do hospital, JJ foi a primeira pessoa a te levar para casa. Ele te esperava ansiosamente dentro do carro velho, só aguardando pela notícia de que você estava livre. Você se lembrava dele, se lembrava dos seus amigos, mas não de todos. E coisas que na teoria seriam muito mais importantes, como seu telefone ou o endereço da sua casa, você não fazia a menor ideia. Além disso a sua coordenação motora decidiu te abandonar também, e a cada três ou quatro passos você tropeçava ou se apoiava em alguma parede.
Assim que JJ te colocou sentada no banco do carro, ele começou a dirigir segurando sua mão. Você ainda estava confusa e muitas perguntas rondavam sua cabeça.
— Pra onde estamos indo?
JJ se lembrava da voz do médico pedindo para ele ser paciente, mas sinceramente, ele sempre era então essa dica era mais do mesmo. Eles falaram que sua memória estava razoavelmente boa, mas alguns detalhes básicos poderiam te fazer falta.
— Para o castelo.
Seus olhos se arregalaram enquanto ele falava isso com tranquilidade.
— Como assim? Que castelo? — você puxou a manga da blusa dele como uma criança e o garoto riu.
— Para casa do John B, querida. Chamamos de castelo, caso você não se lembre.
O sorriso no seu rosto murchou, enquanto você se ajeitava no banco ainda segurando a mão do menino. John B? Nenhum rosto se assemelhava com esse nome, até que a imagem de um garoto moreno te veio na mente e você associou.
— E desde quando você dirige? — o modo como você perguntava lembrava JJ de quando vocês eram pequenos.
— Já faz um bom tempo.
— Um bom tempo? E a quanto tempo a gente namora? — sua curiosidade queimava no fundo da garganta. É como se você estivesse conhecendo a sua vida como a vida de outra pessoa.
Mas você não pode negar que quando viu JJ entrando pelo quarto alegando ser seu namorado, mesmo se você não lembrasse dele, você aceitaria.
— Há bem mais tempo. — JJ falou focado na estrada, sem notar a pontinha de preocupação no seu rosto.
— Então, a gente já se beijou?
Ele riu baixo, tirando um segundo para te encarar antes de voltar a atenção para a rua.
— Sim, querida. Óbvio que já nos beijamos.
Você concordou baixinho se virando para encarar a janela.
— E a gente já fez... mais? — o seu joelho tremia enquanto sua imaginação levava você a imaginar vocês fazendo "mais".
— Mais? — ele tentou prender o riso mais não conseguiu, ao invés disso, ele tirou a mão da sua mão e colocou firme na sua coxa. — É, com certeza já fizemos mais.
Suas bochechas ficaram vermelhas em instantes. Você queria tanto suas memórias de volta agora. Mas do nada, o trânsito chamou sua atenção também.
— J, por que você não anda? Por que ninguém anda? — você perguntou achando que havia algo de errado.
— Sinal vermelho. — ele respondeu de forma óbvia, mas em seguida ele lembrou a si mesmo de ser um pouco mais paciente e levou a mão até a sua bochecha. — Os carros param para as pessoas poderem passar.
Um flash rápido veio na sua cabeça de quando você era criança e seus pais te ensinaram isso, e então você se sentiu estúpida.
— Ah, é mesmo. Eu tinha esquecido.
O menino notou seu olhar triste e, em um momento, destravou seu cinto de segurança, puxando você gentilmente para deitar a cabeça no colo dele, e você obviamente aceitou.
Ele usou a mão direita para fazer carinho na sua cintura enquanto você mechia no tecido da bermuda dele.
— Você passou por muita coisa, é normal que não se lembre de tudo. — JJ disse baixinho, voltando a dirigir quando o sinal abriu. — Leve o tempo que precisar, tá bom?
Você fez que sim com a cabeça enquanto o sono batia levemente. Reparando nas coisas ao redor, você percebeu o tanto de partes da sua memória que simplesmente não estavam presentes na sua cabeça. Como amarrar o tênis, escrever e encher o pneu da bicicleta. E JJ te ajudou aos poucos em todas essas coisas.
Depois do rápido passeio de carro, vocês estavam descansando no sofá quando você teve a ideia de comer algo. A maçã foi a primeira coisa que você viu e logo você pegou uma faca de ponta para te ajudar a descascar. Mas JJ assim que viu a cena de você encostando na faca afiada, se levantou do sofá e chegou por trás, pegando a faca e a maçã da sua mão.
Seu corpo estava pressionado entre a bancada e o peito de JJ, quando ele enfim começou a descascar a fruta para você.
— Vamos com calma. Não queremos outro acidente acontecendo com você.
— Qual é, eu sei cortar frutas.
Ele deixou um beijo leve na sua bochecha enquanto te entregava um pedaço de maçã.
— Tão bem quanto sabe dirigir? Porque se sim, então você tá fudida. — JJ riu e você não pôde evitar rir também. — Se eu tiver que te ensinar a fazer tudo de novo, eu não me incomodo. Sério mesmo.
Você olhou para baixo. A gentileza na voz dele quase fez com que você não entendesse o tom de "tudo" e o sentido que isso tinha. Você se virou para olhar JJ nos olhos, enquanto colava seus corpos um no outro e sorria perto da boca dele.
— Tudo? — você riu baixo, deixando um beijo leve contra os lábios dele e o garoto sorriu de canto. — Eu vou cobrar isso.
— Vai descansar, garota! — ele reclamou em um tom de brincadeira enquanto te puxava para o sofá com as mãos firmes na sua cintura e te colocava sentada entre as pernas dele. — Mas quem sabe mais tarde.