Sidestory 02 : Familia destruição

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Christopher Arcangelo aka Caos P.O.V.

Respirei profundamente esticando a mão pela cama, procurando pelo Lindinho, quando não o encontrei do meu lado levantei a cabeça, abrindo os olhos, a cama vazia. Suspirei rolando na cama e encarei o teto, então, olhei para o relógio, vendo ele marcar um pouco mais que sete da manhã e me levantei indo procurá-lo, mas antes disso peguei uma camisa no guarda-roupas porquê depois que Vivi veio morar com a gente Ryu colocou a regra de camisa e calça sempre que sair do quarto. Ela estava conosco a um ano e oito meses e o Lindinho parecia flutuar nas nuvens. A verdade era que ele nasceu para ser pai, enquanto eu, era um desastre. Estava até considerando na hipótese de que Vivi sempre estava tirando uma com a minha cara. Ela olhava para mim com os olhinhos grandes, me chamava de papai e eu não sabia dizer não a ela. então ela era mimada igual a Ryung e talvez a culpa fosse toda minha, porque eu estava a mimando como eu mimava ele.

Lindinho a adorava e ela ainda mais a ele. Ela sempre estava atrás dele e, no fim, nós dois parecíamos dois filhotinhos correndo atrás do dono para ter atenção e carinho. No começo foi tão estranho, porque havia muita coisa que não podíamos fazer como antes, mas quando menos eu esperei, o fato de Vivi estar conosco se tornou diferente. O sentimento que eu passei a desenvolver ao que chagava na cozinha e Lindinho estava ali com ela no colo enquanto conversavam era diferente e especial. Ou quando eu chegava do trabalho e sempre me assustava com o pequeno pingo de gente se agarrando na minha perna e gritando: "Papai, bem-vindo de volta!", e então o Lindinho aparecia na sala e me dava um beijinho falando : "Bem-vindo de volta, amor". Aquilo era o suficiente para que eu sentisse que morreria a qualquer instante de tanta coisas loucas que eu sentia no coração.

Ser pai era diferente e era bom. Antes o Lindinho era meu tudo, agora meu tudo era ele e Vitória e eu descobri que ter uma família, uma família a qual eu pudesse chamar de minha, era a razão pela qual eu estava vivendo. Eu queria viver assim para sempre. Ryu vivia falando que Vitória era um mini-Christ, porque eu e ela éramos muitos parecidos e no fim eu sabia que ele estava certo, éramos os dois filhotinhos abandonados que o Lindinho pegou, cuidou e deu um lar.

Caminhei pelo corredor, ouvindo a voz de Ryu e de Vivi e eu sabia que eles estavam no quarto dela. Sorri pequeno, me encostando no batente da porta aberta e olhei para os dois. Vivi estava sentada de costas para a porta, brincando com uma boneca enquanto Ryu trançava seu cabelo, ela já estava pronta para ir para a escola e eles cantarolava uma música de ninar coreana, porquê o Lindinho estava a ensinando o idioma. Zeus era mais bobo por ela do que o Lindinho e eu, na primeira vez que eles se viram Ryu disse que ela poderia o chamar de vovô e campeão arfou alto quando ela timidamente segurou na sua mão, o chamando daquela maneira. Depois disso, o Lindinho teve que ir buscá-la algumas vezes porque Zeus não queria a devolver. Vivi amava o Olimpo e ali era seu parque de diversão. Às vezes quando eu estava treinando na garagem ela aparecia com sua coroa de princesa e os pés descalços junto com Lindinho e eles ficavam lá comigo. Era engraçado quando ela socava o saco de boxe me imitando e eu falava: "mini-Caos, seus socos estão ótimos", e ela sempre me respondia sorrindo que havia sido ensinada pelo Lindinho. Ela era inteligente e astuta e quando aprontava fazia uma carinha de filhotinho e eu passava a mão na cabeça dela, mas o Lindinho não se deixava dobrar, a colocava de castigo e pior, eu ia pro castigo também por ter me tornado cúmplice. Era difícil, eu olhava para ele com uma cara desolada, tentando tocar no coração de pedra dele, mas a verdade é que eu ficava de castigo e se reclamasse era pior.

Ryung olhou por cima dos ombros e um pequeno sorriso contornou os seus lábios, eu me aproximei, apoiando as mãos na cama, me inclinado sobre ele e Lindinho levantou o queixo quando beijei os seus lábios.

— Bom dia, amor — ele falou e eu sorri, mordendo o lábio inferior e beijando os seus lábios de novo, me movendo um pouquinho e beijando o seu ombro. Vivi se virou sorrindo e se agarrou no meu pescoço.

Underground 2: Fora do ringue ( original version)Onde histórias criam vida. Descubra agora