capítulo 17

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O quarto de Phellipp estava mergulhado em uma penumbra quase absoluta, iluminado apenas pela luz fraca de um monitor que emitia bips ritmados, acompanhando os batimentos cardíacos do homem desacordado. As cortinas estavam fechadas, e o ar parecia pesado, carregado de uma quietude que beirava o opressivo. A cama hospitalar, com seus lençóis brancos e imaculados, contrastava com a palidez do rosto de Phellipp, que parecia ainda mais frágil sob a luz fraca.

A porta do quarto se abriu sem fazer um único ruído. Um homem entrou, deslizando para dentro como uma sombra. Ele entrou com passos calculados, quase felinos, como se estivesse acostumado a se mover sem ser notado.

Ele era alto, vestindo um casaco escuro que parecia absorver a luz ao seu redor mas tinha um distintivo no peito. Seus passos eram calculados, quase imperceptíveis, enquanto ele se aproximava da cama. Seus olhos, frios e analíticos, percorreram o corpo de Phellipp, como se estivesse avaliando algo—ou alguém—que já considerava um problema resolvido.

Ele parou ao lado da cama, curvando-se ligeiramente. Sua mão deslizou para dentro do bolso do casaco, e ele tirou um objeto pequeno e discreto. Algo que cabia na palma da mão, mas que brilhou por um instante sob a luz fraca do monitor. Ele o segurou com cuidado, como se estivesse prestes a usá-lo.

— Você devia ter morrido naquela noite, Phellipp.— sussurrou ele, com uma voz baixa e carregada de desprezo. — Os cães imundos que te atacaram não foram capazes de terminar o serviço... mas eu estou aqui para corrigir isso.

Ele inclinou-se ainda mais, aproximando o objeto do braço de Phellipp, onde um acesso intravenoso estava conectado. Sua mão tremia levemente, não por nervosismo, mas por algo que parecia ser antecipação—ou prazer.

Foi então que ele ouviu um ruído vindo do corredor. O som de passos se aproximando. Ele se endireitou num instante, escondendo o objeto no bolso com um movimento rápido e fluido. Seu rosto, antes carregado de uma expressão sombria, agora estava tranquilo, quase neutro. Ele se virou para a porta, esperando.

Jessy estava em um pequeno quarto adjacente, deitada em um sofá desconfortável que fazia suas costas doerem. Ela não conseguia dormir. A madrugada era pesada, e o silêncio do hospital parecia amplificar cada pequeno ruído. Algo a inquietava, como se seu instinto a alertasse de que algo não estava certo. Era uma sensação difusa, mas persistente, que a mantinha alerta.

Ela olhou para o relógio na parede: 5h47 da manhã. Por que não conseguia descansar? Phellipp estava em um quarto privativo, sob monitoramento constante, mas a ideia de que ele poderia estar em perigo não saía de sua mente. Talvez fosse apenas o cansaço falando mais alto, ou talvez fosse algo mais profundo—algo que ela não conseguia nomear.

Decidida, Jessy se levantou. Se não conseguia dormir, pelo menos poderia ver como Phellipp estava. Ela caminhou pelos corredores silenciosos, iluminados apenas pela luz fraca das lâmpadas noturnas. O hospital parecia um lugar diferente à noite, quase fantasmagórico, e o som de seus passos ecoava nas paredes vazias.

Quando se aproximou do quarto de Phellipp, Jessy parou abruptamente. A porta estava entreaberta, e ela podia ver uma figura masculina dentro do quarto. Ele estava parado ao lado da cama, com as mãos nos bolsos, como se estivesse apenas observando Phellipp. Mas algo na postura dele a deixou desconfortável. Ele não parecia um médico, nem um enfermeiro. E, certamente, não parecia alguém que pertencia àquele lugar.

Jessy entrou no quarto, fechando a porta atrás de si com um clique audível. O homem se virou lentamente, e Jessy pôde ver seu rosto pela primeira vez. Ele tinha traços duros, olhos frios que pareciam avaliá-la em um instante. Mas o que mais chamou sua atenção foi o sorriso que ele lançou—um sorriso polido, quase amigável, mas que não chegava aos olhos.

𝐀 𝐓𝐞𝐮 𝐄𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨/ 𝐃𝐮𝐬𝐤𝐰𝐨𝐨𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora