capítulo 16

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Boa leitura.

lay_olly dedicado a esse bebê 🥹

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A luz fria do monitor piscava no escuro, lançando sombras estranhas nas paredes desgastadas. A sala tinha um cheiro amargo de café velho e fumaça de cigarro, impregnado nas cortinas baratas e nos papéis espalhados sobre a mesa. O relógio na parede marcava 2h37, mas o tempo ali dentro parecia não seguir as mesmas regras do mundo lá fora.

Uma pilha de relatórios empilhados num canto carregava carimbos oficiais, mas a desordem no ambiente sugeria que a última coisa feita ali era trabalho legítimo. O telefone tocou apenas uma vez antes de ser atendido.

Nyrab segurou o cigarro entre os dentes e atendeu sem pressa.

- Já era hora.

Do outro lado da linha, uma voz grave e rude respondeu sem rodeios.

- O plano falhou.

Nyrab tirou o cigarro da boca, deixando a fumaça escapar pelos lábios enquanto absorvia as palavras.

- Falhou? - Ele inclinou a cabeça com um sorriso preguiçoso. - O que aconteceu com seus cães imundos? Perderam o faro?

A resposta veio carregada de irritação.

- Não brinque comigo, Nyrab. Ele fugiu.

- Ele fugiu... sozinho? - O tom de deboche era inconfundível.

- Alguém ajudou. Ainda não sabemos quem. Mas isso não importa agora. O que importa é que ele está vivo. E ele sabe demais.

O cigarro entre os dedos de Nyrab queimava devagar, a brasa iluminando por um instante seus olhos semicerrados. Ele observou o reflexo distorcido de si mesmo no vidro da janela suja e riu baixinho.

- Sabe? Ou acha que sabe?

O outro homem não respondeu de imediato. Do lado de fora da sala onde ele estava, um ruído baixo ecoava pelos corredores - passos distantes, o som de um rádio chiando ao fundo, uma cadeira arrastada. Um ambiente frio e impessoal, onde os olhos certos - ou errados - podiam estar atentos demais.

Ele apertou o telefone contra o ouvido, mantendo a voz controlada.

- Você quer arriscar para descobrir?

Houve um estalo na linha. O som de um isqueiro sendo aceso.

- Me diga, por que estou confiando isso a você, mesmo? - O tom do homem ficou carregado de desdém.

Nyrab soprou a fumaça devagar, sua postura relaxada contrastando com a tensão do outro lado da linha.

- Porque você precisa de mim.

A resposta veio afiada.

- Preciso de alguém competente.

- E eu preciso de um chefe que saiba escolher seus capangas. Mas, veja bem, não estamos aqui para falar das suas péssimas decisões.

O silêncio foi imediato, denso. O homem do outro lado respirou fundo antes de continuar, sua paciência no limite.

- Ele pode nos expor.

- Nos expor? - Nyrab ergueu uma sobrancelha. - Está com medo que nossos negócios milionários sejam arrastados para a lama? Que descubram que temos empresas fantasmas por toda a cidade, lavando dinheiro como se fosse roupa suja?

𝐀 𝐓𝐞𝐮 𝐄𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨/ 𝐃𝐮𝐬𝐤𝐰𝐨𝐨𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora