capítulo 11

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Tem uma pequena menção a violência, se você for sensível recomendo que pule esse capítulo.

Boa leitura.
Votem e comentem. :<


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O espaço onde Phellipp estava era úmido e sombrio, com paredes de concreto que pareciam absorver toda a luz. O único som constante vinha de gotas de água que pingavam em algum canto distante, ecoando como um relógio que marcava sua agonia. O cheiro era de mofo e ferro-como sangue velho impregnado no ar.

Era o segundo dia. A fome era um peso constante, uma dor surda que rasgava seu estômago. Ele havia perdido a conta de quantas vezes tentara afrouxar as amarras, mas a corda cortava a pele de seus pulsos a cada tentativa, deixando marcas que ardiam. Seu corpo estava coberto de hematomas, no torso, onde levara vários chutes; nos braços, onde os agressores o haviam segurado com força brutal; e no rosto, onde socos desferidos com raiva o deixaram inchado.

A dor no corpo era intensa, como se cada músculo tivesse sido dilacerado. Sua mente, antes tão resiliente, começava a vacilar. A ideia de desistir, de parar de lutar, começava a sussurrar em sua mente, uma voz traiçoeira dizendo que não havia saída.

Mas então, ele ouviu vozes. Fracas no início, mas ficando mais claras.

Esse plano já foi por água abaixo — disse uma voz masculina, grave e cheia de frustração.

Era pra ele dar um susto naquela garota, nada mais. Agora, o idiota foi preso, e temos um problema nas mãos.

Phellipp abriu os olhos, apesar do inchaço. Ele ficou imóvel, tentando captar mais. Ele tinha certeza que era sobre Jessy, era como um soco em seu  estômago.

Precisamos calar aquele desgraçado antes que ele diga alguma coisa.

Concordo. Mas temos que ser cuidadosos. Se ele fala sobre o Monteiro, estamos ferrados.

Phellipp respirou fundo, lutando contra o desespero. Sua mente se acelerou. Eles estavam falando de Jessy. Ela tinha sido atacada, e o homem que o fez estava preso. Isso era para ser um "susto"? Ele sentiu uma mistura de culpa e raiva crescer dentro de si, um fogo que queimava sua resignação.

E o que o caso que ele estava investindo tinha em comum com seu sequestro e o ataque a Jessy?

Ele começou a se debater, ignorando a dor nos pulsos. O som da corda contra a cadeira era baixo, mas o suficiente para chamar atenção.

Uma porta de metal se abriu com um rangido estridente. Passos firmes ecoaram pelo local.

— Então, nosso detetive está acordado.—  disse um homem com uma máscara preta que cobria todo o rosto, exceto os olhos. Sua voz era calma, quase divertida, como se estivesse falando com uma criança travessa.

Phellipp ergueu a cabeça, os olhos semicerrados por causa do inchaço, mas ainda cheios de determinação.

— Se machucaram Jessy... —  começou, mas sua voz saiu rouca, quase um sussurro. Ele engoliu em seco e tentou de novo. — Se tocaram nela, eu vou...

O homem deu uma risada baixa, zombeteira.

— Ah, Jessy? Não se preocupe, detetive. Ela está viva. Por enquanto. Digamos que ela foi um lembrete de que temos olhos em todos os lugares. Uma prova de que ninguém está fora do nosso alcance.

O coração de Phellipp disparou. Ele não sabia exatamente o que Jessy havia enfrentado, mas podia sentir o peso das palavras do homem.

— Vocês são covardes. Atacar uma mulher inocente? Isso é o melhor que conseguem?

𝐀 𝐓𝐞𝐮 𝐄𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨/ 𝐃𝐮𝐬𝐤𝐰𝐨𝐨𝐝Onde histórias criam vida. Descubra agora