Camila POV.
5 de Setembro de 2013
Coincidência ou não, algumas coisas simplesmente acontecem por um motivo.
Como numa festa casual, cheia de gente, onde um detalhe mínimo pode mudar tudo.
A gente sabe quando algo vai mudar? Temos essa consciência? Que um detalhe, um mísero detalhe, pode revirar toda a realidade?
Não estava acostumada com os amigos da Lauren. De uns tempos pra cá, ela vinha se esforçando para me manter próxima das pessoas que considerava parte de um universo fora do nosso. Era como observar o mundo dela com outros olhos.
Lauren já estava bêbada. Assim como quase todos. Eu, por outro lado, ainda conseguia me manter sóbria. Meus históricos com o álcool nunca foram positivos. Não queria, ali, correr o risco de me entregar a atitudes que me trariam arrependimentos futuros. Me mantive sã. E, ironicamente, a sobriedade me causava certa lamentação — era difícil ver todos se divertindo sem amarras mais do que eu.
Já acreditei que o lar da consciência era o coração. Que ele, só ele, nos levava aos lugares certos, como um mapa interno com o qual nascemos.
É no coração que depositamos o amor, mesmo sabendo que quem comanda o corpo, quem realmente processa o que sentimos, é o cérebro. É ele que dispara os efeitos, os sinais, os impulsos. É ele que traduz o que o coração apenas sente.
Meus dedos não seriam suficientes pra contar os infernos em que já queimei, pouco a pouco, só pra tentar entender como a afeição funciona. Como, na prática, poderia demonstrar isso em gestos — gestos que seus neurotransmissores pudessem, enfim, decodificar.
Não me lembro, nem por um segundo, de ter me esquivado dos sentimentos pela garota dos olhos verdes. Teria dito "eu te amo" pra Lauren em qualquer momento da minha vida — desde a primeira vez que a vi. Acho que soube, desde que seus olhos tocaram os meus, que eu mudaria pra sempre.
É tão intenso que às vezes parece que minha existência sempre esperou pela dela. No tom mais Shakespeareano e dramático possível.
"Camila, oi." Uma das amigas dela, Lucy, talvez a mais próxima de uma vida inteira, puxou assunto em meio à música alta que ecoava pelo ambiente.
"Oi." Respondi, forçando um sorriso, tentando controlar o volume da voz pra não explodir no ouvido dela.
"Tá se sentindo sozinha?"
Tive algumas respostas que se formaram num impulso imediato da mente:
A) O tempo todo — sincera e depressiva.
B) Não, tô só cansada — mentirosa e discreta.
Resposta C)
"Não, estou me divertindo." Mentirosa descarada.
"Que bom. A Lauren parece..."
Ambas viramos o olhar ao mesmo tempo. Ela conversava com outro grupo de garotas. Se comunicava de um jeito que fazia qualquer um criar uma opinião definitiva sobre ela ali mesmo.
"Bêbada." Completamos juntas.
Rimos. Aquilo gerou uma simpatia imediata, mesmo sendo uma obviedade. Tomamos um gole da bebida nas mãos.
"Ela tá se divertindo, isso é bom." Comentei, sorrindo. E, dessa vez, foi um sorriso genuíno. Admirei-a, quase como um reflexo automático. Bastava observá-la e esse sentimento me nocauteava sem pedir licença.
"Ela parece mais feliz também." Lucy comentou, com olhos fixos nela.
Não sabia pra onde estávamos indo com aquela conversa, mas suspeitava que existia algo por trás do comentário. Ou talvez fosse só paranoia minha. Mas gosto de acreditar que não.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Amada Do Monstro
FanfictionEntre as linhas de pensamentos de Camila Cabello sempre existia a ingenuidade de pensar em si mesma como personagens diferentes daquilo que é. E foi nisso que gerou a grande polêmica no lançamento de seu livro "A Amada Do Monstro" que conta com uma...
