Anaesthetic

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POV Camila

Eu sei que existem muitas pessoas que se sentem assim, mas eu realmente custo sacrificar a ideia de que as vezes eu não tenho a mínima noção do que eu estou fazendo da minha vida. E tão presa a essa ideia, sinto que estou me perdendo em mim mesma cada vez mais. É como se a minha vida estivesse tendo controle sobre mim, não eu da minha vida. Mas no momento, não há nada pior para mim, do que lidar com a minha própria imaginação.

Eu sinto uma brisa leve em meu rosto, meus olhos estão fechados e estou com um certo medo de serem abertos. Sinto que eu estou onde não deveria - de novo. - e isso me causa um medo aterrorizante.

Eu não quero uma espada sobre a minha cabeça ou que o chão onde eu esteja possa desabar sobre um crepúsculo sem fim.

Eu quero estar apenas com a cabeça deitada no ombro de Dinah na van que está nos levando para hotel depois de um grande dia de trabalho onde acabei pegando no sono; mas sinto que não estou em um carro em movimento. Eu estou sentada em algum lugar segurando alguma coisa. - cordas, talvez. - e não faço ideia do qual seja o motivo, que me faça continuar a segurar.

Quando ameacei querer abrir olhos. - pálpebras se abrindo aos poucos, como se não estivessem preparadas para enxergar uma luz forte prestes a vir em cheio em minhas retinas - senti uma voz familiar soar em meus ouvidos.

"Calma, não abra seus olhos ainda" Lauren disse com um tom apressado, como se estivesse tentando terminar algo rapidamente. "Eu ainda não coloquei a venda"

"Venda?" Perguntei confusa.

"Para que você consiga ver essa vista linda" Ela disse ainda apressada, aparentando estar com medo que eu abrisse os olhos antes da hora.

"E porque você precisa de uma venda para que eu possa ver a vista?" Perguntei ainda sem entender seus objetivos.

"Ora Camila, se você enxergar meus olhos de cores diferentes, provavelmente você estará sonhando, alguma coisa acontecerá e você nem sequer aproveitara um pouco disso" Lauren disse como se fosse óbvio. "E eu quero que você aproveite isso".

"Mas como é a vista?" Perguntei curiosa.

"Eu não vi" Respondeu rápido como se ainda estivesse tentando prender a venda nos olhos.

"Como não viu, Lauren?" Perguntei ainda mais confusa. "Como pode ter tanta certeza que a vista é linda, se você nem sequer viu?"

"Consegui!" Exclamou com êxito ignorando totalmente minha fala anterior.

"Lauren" Chamei sua atenção para que prosseguíssemos o assunto de antes.

"Sente essa brisa do vento..." Ela pediu. "Sinta ela apenas por dez segundos e se você não sentir como se estivesse no céu, então existe alguma coisa muito errada comigo. Porque eu realmente sinto isso sem ter que olhar, e em algum lugar do meu coração, eu também sinto que eu te trouxe para o lugar mais lindo que alguém poderia te levar na sua vida".

A voz de Lauren era doce e calma, como normalmente não costuma ser com ninguém além de mim. Acatei seu pedido e resolvi me concentrar no vento que passava pelo meu rosto fazendo meus cabelos se movimentarem com leveza pelo ar. A sensação de que estou no céu realmente se apodera da minha mente. O modo em que aquela brisa bate é tão facilmente conciliável com isso. Então não tinha nada errado com Lauren. Ou talvez existisse algo errado com nós. Mas, prefiro descartar essa opção.

Porém, uma preocupação me ocorreu: e se não for nada demais? E se fosse apenas uma vista simples onde o vento soa mais atraente?

"Eu tenho medo de não ser tão lindo quanto você espera" eu disse insegura e senti o sorriso de Lauren crescer em seu rosto mesmo sem ver.

A Amada Do MonstroOnde histórias criam vida. Descubra agora