Falcão
Durante o almoço comemos em silêncio, mas eu não conseguia tirar meus olhos dela. Tava pilhadão já com aquele vestido dela, os malditos piercings que hora ou outra ficavam visíveis. Foi por isso também que escolhi a mesa mais afastada das outras pessoas, não queria correr o risco de alguém além de mim ver aquilo.
- Quer escolher uma sobremesa? - perguntei, quando já tínhamos terminado de comer
- Posso? - questionou, me encarando com aqueles olhos dela
- Pode pô..- assenti, sentindo vontade de dizer que ela podia fazer oque quisesse
Essa branca é firmeza, minha mãe se amarra nela, Brian se amarra nela, e eu tô indo pelo mesmo caminho.
Durante esses três dias que ela tá na casa da minha coroa eu senti a maior necessidade de ir lá várias vezes, coisa que eu nunca fui de fazer.
Aparecia na casa da minha mãe uma ou duas vezes por semana, porque tava sempre cheio de b.o pra resolver, mas sabendo que a branca tá lá, eu sinto vontade é de me mudar pra casa do lado.
Ela ficou um tempinho vendo oque ia querer, mas no final escolheu uma tal de torta de limão, perguntou se eu queria, mas não sou muito fã de doce não.
- E aquela tua amiga lá? - puxei assunto
- Que amiga? Beatriz? - franziu as sobrancelhas
- Acho que é essa aí mesmo, fica andando com ela não, vai queimar teu filme - dei um conselho - Aquela lá é piranha
- É, eu sei..- revirou os olhos - Faz dias que não falo com ela, prefiro ficar sozinha do que mal acompanhada
- Tá certa, ela não é o tipo de pessoa que tu tem que andar não.. - concordei
Logo o doce dela chegou, e ela começou a comer na maior euforia, e eu fiquei na minha assistindo.
- O que foi? - me encarou, antes de enfiar uma colher cheia de doce na boca
- Nada pô, só tô te observando..
- Você me observa demais
- É que você me intriga demais, tá ligado?
Ela ficou meio pá quando eu falei isso, desviou o olhar e voltou a se concentrar em comer.
- Come um pouquinho..- me estendeu a colher com o bagulho lá
- Tô suave, come teu bagulho aí.. - neguei
- Vai Rafael, come um pouco..- insistiu, quase enfiando a colher na minha cara
Porra, ouvir ela falando meu nome fez meu ouvido zumbir e minha cabeça latejar.
Tive nem como falar nada, só aceitei e deixei ela colocar a colher na minha boca. Mastiguei o bagulho mesmo sentindo vontade de cuspir, troço ruim do caralho.
- Gostou? - sorriu
- É, maneirinho..- assenti, sentindo o gosto ruim na minha boca
Ela quis me oferecer mais, mas eu neguei logo. Não demorou pra ela terminar de comer, e eu pedi a conta.
- A gente vai pra casa? - ela perguntou, quando saiamos do quiosque
- Quer andar um pouco? - perguntei, imaginando que era oque ela queria
- Tá tudo bem pra você? Não vai ter problema? - questionou
- Suave..- assenti, sabendo que não ia dar em nada, minha contenção tava espalhada pelos quatro cantos, não tinha perigo
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Crime Perfeito
Fantasy"𝐴 𝑣𝑖𝑏𝑒 𝑟𝑜𝑙𝑎 𝑛𝑜 𝑝𝑖𝑞𝑢𝑒 𝑑𝑎́ 𝐸𝑛𝑑𝑜𝑙𝑎, 𝑗𝑎́ 𝑡𝑒𝑛𝒉𝑜 𝑏𝑜𝑛𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒 𝑚𝑎𝑙𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑎 𝑀𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑣𝑒𝑙 𝑛𝑎̃𝑜 𝑓𝑎𝑙𝒉𝑎, 𝑒𝑢 𝑣𝑖𝑣𝑜 𝑛𝑎 𝑜𝑛𝑑𝑎 𝑄𝑢𝑒 𝑎 𝐵𝑎𝑏𝑖𝑙𝑜̂𝑛𝑖𝑎 𝑛𝑎̃𝑜 𝑐𝑎𝑖𝑎, 𝑝𝑜𝑟𝑞𝑢�...
