- Tá tudo bem? - questionei, me sentindo desconfortável com os encaradas que o Falcão estava me dando de vez em quando. Já faz uns dez minutos que saímos do morro, e a concentração dele está intercalada entre dirigir e me encarar
Ele não disse nada, só focou no volante, me ignorando. Quando ele me enviou a mensagem dizendo que queria falar comigo, eu tinha acabado de sair do banho, e tive que me vestir na pressa, não deu tempo nem de arrumar o cabelo do jeito que eu gosto. Mas, por que eu iria me arrumar pra ver o Falcão?
Dona Rosa não estava em casa, ela estava no restaurante e Brian estava com ela. Ele diz que é o garçom da vovó, e adora acompanhar ela.
- Pra onde estamos indo? - questionei, um tempo depois do vácuo que ele me deu
Do lado de fora a vista era linda, estávamos na zona sul, passando em frente a praia. O dia estava quente e as ruas muito movimentadas. Eu faria de tudo pra aproveitar uma praia agora.
- Vamos á praia? - questionei
- Você faz perguntas demais..- ele desviou o olhar pra mim
- E você me dá muitas poucas repostas..- rebati, bufando
- Abaixa a bola, tá com marra demais.. - rebateu com a voz seria, e eu preferi ficar em silêncio
Durante os três dias em que eu tô ficando na casa da Dona Rosa, minha mãe não me procurou em nenhum momento, não quis saber se eu estava debaixo da ponte, comendo migalhas de pão feito pombo, nada. Ela me aniquilou da vida dela e talvez seja melhor assim.
No dia seguinte em que eu fui pra casa da Dona Rosa eu fui buscar minhas poucas coisas, e nem Rebeca e nem minha mãe estavam em casa e eu dei graças a Deus. Juntei minhas roupas em duas mochilas e meus poucos produtos de pele e cabelo. Levei tudo que me pertencia, oque não era muito.
Sai dos meus devaneios quando Falcão estacionou o carro próximo a orla da praia, mas em um local menos movimentado.
Quis perguntar oque estávamos fazendo ali, mas pelo pouco que eu conhecia dele, sabia que ele não iria responder.
- Desce aí.. - ele abriu a porta do motorista, descendo e eu fiz o mesmo
Ajeitei meu vestido e encarei meu reflexo no celular, garantindo que meu cabelo estava minimamente ajeitado.
Pude reparar no Falcão quando ele parou ao meu lado, estava vestido com um short jeans preto e uma camisa polo branca, e uma kenner preta nos pés.
- Bora..- sinalizou que era pra atravessamos a rua
- A gente veio almoçar? - indaguei, encarando o quiosque do outro lado da calçada
- Não, a gente veio trocar tiro..- murmurou bufando enquanto atravessavamos a rua
Macho ignorante, precisava disso?
Me mantive em silêncio, e apenas segui ele.
Entramos no quiosque e ele caminhou até a mesa mais distante das demais.
- Senta aí.. - puxou a cadeira pra mim, oque chegou a ser engraçado vindo de alguém como ele
- Obrigado..- murmurei, sentando
Ele se sentou na minha frente, e já foi logo pegando o cardápio e folheando.
- O que tu gosta de comer? - me encarou, ainda segurando o cardápio
- Eu como de tudo..- dei de ombros - Só não gosto de ervilha e cenoura
- Tem que comer legumes pô, tá em fase de crescimento ainda..- brincou, deixando uma risada curta escapar
- Por que me trouxe aqui? - questionei
- Queria trocar um papo tranquilo contigo, só nos dois..- explicou
Assenti, mesmo achando estranho e curiosa pra saber o assunto.
Não demorou pra um garçom vir recolher nossos pedidos e depois de dar uma olhada rápida no cardápio eu optei por camarão na moranga e o Falcão quis a mesma coisa.
- Tu lembra daquela ideia que eu troquei contigo, sobre tu ficar com o Brian pra mim por um tempo? - puxou assunto
- Lembro sim..- assenti
- Tô precisando disso pra hoje, não vai durar muito, no mais tardar até amanhã a noite eu tô de volta.. - explicou - Vou te pagar bem por isso, mas preciso que tu fique lá em casa, em vez de ficar na minha coroa
- Por mim tudo bem - concordei, enrolando uma mecha do meu cabelo - Mas..- cocei a garganta - Pra onde você vai? - abaixei o tom, talvez torcendo para que ele nem ouvisse
Não que seja da minha conta né, mas eu queria saber onde ele ia se enfiar.
- Vou resolver umas paradas aí, nada que tu precise saber..- disse, cruzando os braços e apoiando na mesa - Fica suave
- Tá bom - assenti, encerrando o assunto
- Aquele bagulho lá que tu falou sobre querer tua própria casa, procede mesmo? - perguntou
- Sim, isso tá nos meus planos, mas no momento eu ainda não tenho renda suficiente pra isso - suspirei - Tô por um fio de perder meu emprego no bar daquele velho babão
- Arruma outra parada pô..- sugeriu, como se fosse fácil
- Ainda nem terminei os estudos, ninguém vai querer dar emprego pra uma adolescente - dei de ombros
- Quer fazer faculdade quando terminar a escola?
- Eu até queria, mas não é fácil..
- Tô ligada nessas parada aí - assentiu
- Você terminou a escola? - perguntei
- Larguei no segundo ano
- Por que entrou pro crime? - a pergunta escapou, e eu me arrependi na hora que vi o semblante dele que antes estava tranquilo, fechar
- Larguei pra trabalhar e ajudar minha mãe, só fui entrar pra essa vida bem depois.. - disse, e logo em seguida o garçom retornou com a nossa comida
Comemos em silêncio, e eu fiquei a maior parte do tempo de cabeça baixa, sentindo o olhar do Falcão em mim.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Crime Perfeito
Fantasy"𝐴 𝑣𝑖𝑏𝑒 𝑟𝑜𝑙𝑎 𝑛𝑜 𝑝𝑖𝑞𝑢𝑒 𝑑𝑎́ 𝐸𝑛𝑑𝑜𝑙𝑎, 𝑗𝑎́ 𝑡𝑒𝑛𝒉𝑜 𝑏𝑜𝑛𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒 𝑚𝑎𝑙𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑏𝑟𝑎 𝑀𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑣𝑒𝑙 𝑛𝑎̃𝑜 𝑓𝑎𝑙𝒉𝑎, 𝑒𝑢 𝑣𝑖𝑣𝑜 𝑛𝑎 𝑜𝑛𝑑𝑎 𝑄𝑢𝑒 𝑎 𝐵𝑎𝑏𝑖𝑙𝑜̂𝑛𝑖𝑎 𝑛𝑎̃𝑜 𝑐𝑎𝑖𝑎, 𝑝𝑜𝑟𝑞𝑢�...
