Silêncios que queimam
A manhã entrou devagar pela janela do quarto, espalhando uma luz clara que recortava as sombras nas paredes. O cheiro suave de sabão ainda impregnava o ar, misturado ao aroma mais denso que pertencia a Day.
Itt acordou antes de perceber que estava acordado. O corpo lhe pareceu estranho, pesado, como se a noite tivesse sido feita de lutas invisíveis.
Ele não ousou se mexer. Permaneceu deitado, olhando fixamente para o teto, até notar o movimento discreto no canto do quarto. Day estava lá. Silencioso. Como uma presença que não podia ser ignorada.
O alfa permanecia sentado em uma cadeira, o cotovelo apoiado no joelho, a mão cobrindo parte do rosto.
Não dormira.
O coração de Itt se contraiu em um aperto desconfortável. Uma mistura de compaixão e raiva percorreu-lhe as veias.
Por que ele parece tão quebrado agora, se foi ele quem me destruiu antes?. A pergunta ecoou em sua mente, com um peso que o sufocava.
Day ergueu os olhos devagar, e por um instante, os olhares se encontraram. Não houve palavras. Apenas o silêncio denso, carregado de tudo o que eles não diziam.
— Você precisa comer.
A voz de Day saiu baixa, quase rouca.
Itt desviou o olhar.
Ele queria recusar. Queria cuspir a comida se fosse preciso, só para afirmar o ódio que pulsava dentro dele. Mas havia outra parte, tão pequena e tão vergonhosa, que ansiava pelo cuidado. Então ficou quieto.
Day se levantou, ajeitou o prato na mesa de cabeceira e começou a cortar os pedaços com calma, como se cada gesto fosse um pedido de desculpas silencioso. Quando se inclinou para levar a colher até a boca de Itt, o corpo do ômega se enrijeceu. O cheiro de Day o atingiu em cheio, como sempre: forte, denso, impossível de ignorar. Um cheiro que carregava lembranças. Lembranças de dor, mas também de prazer involuntário.
Itt abriu a boca contra a própria vontade. A comida entrou, mas o que realmente queimava era o fato de ter cedido. Seus olhos se encheram de raiva de si mesmo, mas Day apenas recolheu a colher e repetiu o gesto com paciência. Não havia exigência em seus movimentos, não havia pressa. Apenas uma estranha devoção.
— Por quê?
Itt murmurou, quase sem perceber que falava.
Day parou, os olhos cravados nele. — Por quê, o quê?
— Por que está fazendo isso?
A voz de Itt saiu cortante, carregada de um ódio que queria esconder o medo.
O alfa respirou fundo. A mão que segurava a colher tremeu levemente.
— Porque eu te feri e porque não consigo suportar o que fiz.
O peito de Itt se contraiu em um nó que parecia rasgar suas costelas. Ele queria gritar, queria vomitar cada lembrança, queria cuspir que nenhum cuidado seria capaz de apagar o que já tinha acontecido. Mas a verdade cruel é que o coração reagiu de outra forma.
Havia algo nos olhos de Day que lhe arrancava o fôlego. Algo que se parecia com arrependimento verdadeiro. Algo que o fazia tremer não de raiva, mas de desejo.
E isso ele não podia perdoar. Não podia admitir.
— Eu não quero o seu cuidado
mentiu, a voz falhando no final.
Day recolheu a colher, apoiou-a no prato e afastou-se um pouco, como se cada palavra de Itt fosse um castigo merecido. Mas não tirou os olhos dele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
My Brands Day Itt
FanfictionItt estava recebendo um castigo por algo que não fez. Ele não mandou fazer aquilo com o irmão de Day, mas levou toda a culpa por está no local errado. essa é um outra versão da história de Day e Itt, mas no mesmo nível de toxidade ou parecido. aqui...
