O hospital estava silencioso demais, o tipo de silêncio que pesava sobre o peito e deixava cada segundo insuportável. Eu estava deitado na maca, o corpo exausto, a respiração irregular e o bebê dentro de mim se mexendo incessantemente, como se já pressentisse a tensão que preenchia a sala. Day estava ao meu lado, a mão grande envolvendo a minha, a outra segurando meu rosto, olhos fixos nos meus como se tentassem ler cada pensamento, cada medo.
— Vai ficar tudo bem, Itt — murmurou, mas a voz dele tremia, e eu podia sentir o desespero contido por trás da fachada firme que sempre me impusera.
Eu queria acreditar, queria me agarrar àquela promessa, mas a dor e o medo me consumiam. Cada contração era uma lâmina atravessando meu corpo, e a sensação de vulnerabilidade era esmagadora. Meu coração batia acelerado, não apenas pelo esforço físico, mas pelo medo de que algo pudesse dar errado, de que eu não sobrevivesse, ou que o bebê não chegasse a ver o mundo.
— Itt, respira — disse Day, apertando minha mão. Seus olhos estavam marejados, mas cheios de determinação. — Eu tô aqui, não vai acontecer nada.
Uma nova contração veio, mais intensa que a anterior. Eu arqueei na maca, gemendo baixinho, sentindo meu corpo tremer. O bebê reagiu de forma mais forte, e eu gritei baixinho, incapaz de controlar a dor. Day se inclinou, beijando meu pescoço, segurando meu cabelo, tentando me dar força apenas com o toque dele.
Mas então, o médico entrou com passos apressados, o olhar sério. Ele não se aproximou imediatamente, apenas fixou os olhos nos meus e em Day, e meu coração quase parou.
— É uma situação crítica — disse, com a voz grave. — O bebê não está reagindo bem às contrações e seus sinais vitais estão instáveis. Precisamos fazer uma cesariana de emergência. Mas… existe risco real de vida para você, Itt. — Ele fez uma pausa, olhando para Day. — Eu preciso que ele escolha: salvar o bebê ou salvar a mãe.
O mundo pareceu parar. Meu coração disparou. A sensação de desespero me atravessou de uma só vez. Eu engoli em seco, incapaz de falar, e só consegui olhar para Day. Seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.
— Não! — gritou, a voz quebrada pelo desespero. — Não! Salva o Itt! Salva ele! — Ele apertou minha mão com força, os dedos escancarando seu medo. — Eu… eu ligo pro bebê depois! Não importa! Salva ele!
Meu corpo arqueou de dor com a próxima contração, e eu senti que ia desmoronar. Eu queria que ele me olhasse, me dissesse que tudo ficaria bem, mas sabia que ele também estava sofrendo. Eu via a culpa, o medo e o amor tudo ao mesmo tempo em seus olhos.
— Day… — sussurrei, quase sem voz, sentindo cada segundo se arrastar como uma eternidade. — Não… — A dor cortou minhas palavras, e minhas mãos agarraram as dele.
O médico se aproximou, a expressão dura, mas compreensiva. — Ele vai precisar ser anestesiado imediatamente — disse, olhando para mim e depois para Day. — Se quisermos salvar os dois, precisamos agir rápido.
Day me segurou firmemente, inclinando-se para o meu rosto. — Eu tô aqui, Itt. Eu não vou te deixar. — Seus olhos estavam marejados, e eu podia sentir a emoção crua em cada gesto. — Respira comigo, só mais um pouco, eu prometo que vai ficar tudo bem.
Quando me preparavam para a cirurgia, cada segundo parecia infinito. Eu podia ouvir o bebê se mexer, sentir o calor do corpo de Day ao meu lado, sua mão segurando a minha. Cada toque era uma âncora que me prendia à vida, que me dava coragem para enfrentar a dor e o medo.
O anestesista começou a aplicar a anestesia, e eu senti meu corpo ficar pesado, a consciência começando a se dissipar. Mas antes de perder completamente os sentidos, eu vi Day ajoelhar-se ao meu lado, segurando meu rosto, e sussurrar:
— Eu te amo, Itt… você vai ficar bem, eu prometo.
A sensação de flutuar entrou em mim, e tudo se tornou um borrão de luz, dor e esperança.
Quando acordei, estava na UTI, exausto e confuso. Minha visão era turva, mas eu consegui perceber o toque firme de Day na minha mão, e os olhos dele me encarando com intensidade.
— Ele… — eu comecei, a voz rouca. — O bebê…
Day sorriu entre lágrimas, mas com um brilho de alívio que me atravessou o coração. — Ele tá aqui, Itt. Ele tá bem. E você… você também. Você ficou bem. — Ele segurou meu rosto, beijando minha testa com cuidado. — Nós dois sobrevivemos.
Eu comecei a chorar, lágrimas misturando alívio, dor e amor. A sensação de vida recém-descoberta me atingiu com força. O bebê estava seguro, eu estava seguro, e Day estava ali, segurando minha mão e nunca me deixando partir.
Quando finalmente pude segurar o bebê nos braços, senti uma onda de amor incontrolável. Pequeno, frágil, mas respirando com força e vigor, ele era a prova viva de que ainda havia esperança, de que ainda havia amor. Day se inclinou, ajudando-me a segurar nosso filho, e seus lábios tocaram os meus em um beijo cheio de emoção e paixão.
— Eu nunca mais vou te perder — murmurou ele, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Nem você, nem ele. Nunca mais.
O calor de seus lábios e mãos foi suficiente para me fazer sentir seguro, amado, desejado, apesar de toda a dor e medo que havíamos passado. Eu finalmente senti que podíamos sobreviver a qualquer coisa, juntos.
Nos dias seguintes, cada gesto, cada toque, cada olhar entre nós três era carregado de emoção e cuidado. O bebê reagia a Day, se mexendo ao sentir o calor dele, e eu me sentia mais seguro do que nunca. Cada beijo, cada abraço, cada toque nos lembrava que estávamos juntos, que havíamos superado a dor e o trauma.
O parto complicado nos ensinou a valorizar cada segundo, cada respiração, cada toque. Eu finalmente percebi que podia me entregar completamente, sentir desejo, amor e cuidado, sem medo de perder. Day e eu éramos mais do que amantes; éramos família, unidos por algo maior do que qualquer dor do passado.
Quando finalmente estávamos sozinhos no quarto, exaustos, mas completos, Day segurou meu rosto e me beijou profundamente. — Eu te amo, Itt. Sempre vou te amar.
Eu devolvi o beijo, carregado de paixão, ternura e entrega total. O bebê se mexeu suavemente, como se também estivesse aprovando aquele momento. Finalmente, entre lágrimas, beijos e toque, eu senti que o trauma havia perdido a força. O amor, o desejo, a entrega e a confiança agora dominavam tudo.
A vida nos deu uma segunda chance, e eu, Day e nosso filho finalmente podíamos respirar juntos. Entre dor, medo e desespero, havia renascimento — para mim, para Day, para nossa pequena família. Cada toque dele era agora uma promessa de proteção e desejo, cada beijo um lembrete de que estávamos vivos, inteiros, e prontos para enfrentar o mundo juntos.
E ali, na UTI, em silêncio, mas sentindo cada respiração do outro, cada toque, cada olhar, percebi que nada poderia nos separar. Nem o trauma, nem o medo, nem a dor. Porque o amor, quando verdadeiro e intenso, ressurge das cinzas, mais forte, mais feroz, mais completo.
Eitaaaaa nem acredito que estou finalizando a Fic
Um beijo 😘 😽
De mim mesma
Eu vou sentir saudades 😍 💕
Uma voz na escuridão.
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My Brands Day Itt
Hayran KurguItt estava recebendo um castigo por algo que não fez. Ele não mandou fazer aquilo com o irmão de Day, mas levou toda a culpa por está no local errado. essa é um outra versão da história de Day e Itt, mas no mesmo nível de toxidade ou parecido. aqui...
