Itt permaneceu deitado na cama, a toalha ainda enrolando seu corpo, o calor do banho recente se misturando à sensação de vulnerabilidade que o consumia.
Ele observava Day, sentado ao lado da cama, tão perto e ao mesmo tempo tão distante, tentando alimentá-lo com cuidado, pedindo perdão de uma forma que parecia quase implorar pelo perdão que ele não sabia se podia dar.
O coração de Itt batia de maneira descompassada. Cada gesto do alfa era como se abrisse feridas que ainda não haviam cicatrizado, feridas que ele carregava desde os abusos do passado, desde a primeira vez em que o corpo de outro homem havia dominado o seu sem escolha.
Mas Day… Day era diferente. Ou pelo menos era o que ele queria acreditar, mesmo enquanto o corpo reagia sem pedir licença.
Ele sentiu o toque firme de Day passar sobre seu braço, alimentando-o com cuidado, e algo profundo e contraditório se agitava dentro dele: raiva, medo, desejo e uma necessidade de aceitação que ele não queria admitir.
— Eu não mereço… — Itt murmurou em pensamento, apertando os lençóis. — Eu não mereço que ele faça isso por mim, que cuide de mim, que tente… que tente me consertar.
Cada gesto do alfa mexia com algo que Itt não conseguia controlar. O calor do corpo de Day tão próximo, o aroma que sempre tinha sido dominante sobre ele, agora carregado de arrependimento, preenchia o quarto como uma presença tangível.
E por mais que quisesse resistir, seu corpo lembrava. Cada toque, cada olhar, cada gesto de cuidado despertava memórias de prazer, confundindo-o com a dor que sentia.
— Eu odeio você… — pensou. — Eu deveria te odiar. Você me machucou tanto… me machucou profundamente. Mas eu… eu não consigo parar de pensar em você. Eu te desejo. Eu… te amo.
O nó na garganta apertou.
Ele queria se afastar, fugir, rejeitar tudo, porque o amor que sentia não podia existir sem dor. Porque cada gesto de carinho de Day lembrava-lhe do que ele havia perdido, do que havia sido forçado a sentir, do quanto o alfa havia o ferido.
— Eu não posso… eu não posso deixar que isso cresça dentro de mim… que eu me permita… — murmurou, fechando os olhos. Mas era inútil. Cada palavra, cada gesto, cada pedido de desculpas do alfa perfurava suas defesas, misturando culpa e desejo em uma corrente que ele não conseguia quebrar.
Ele lembrou-se da gravidez.
O filho.
A ligação biológica com Day. O corpo dele carregando a prova viva de que, apesar da dor, ainda havia algo entre eles que não podia ser negado.
E isso o aterrorizava.
— Como posso sentir tudo isso por alguém que me destruiu? — pensou. — Como posso amar alguém que eu deveria odiar?
Day parecia perceber, talvez sem intenção. Cada olhar cheio de arrependimento, cada gesto cuidadoso, cada toque hesitante era uma mistura de redenção e tentação.
E Itt sentiu raiva. Raiva de si mesmo por reagir, raiva de Day por ser assim, por ser irresistível mesmo quando estava errado, por ter feito dele alguém que amava e odiava ao mesmo tempo.
Ele respirou fundo, tentando colocar distância entre mente e corpo, entre dor e desejo.
Mas o calor da mão de Day, a forma como o alfa se curvava para alimentá-lo, pedindo perdão silencioso… tudo isso atravessava suas defesas como lâminas.
Itt sabia que deveria rejeitar, deveria se afastar, deveria proteger seu coração e sua mente daquela vulnerabilidade que ele temia.
E ainda assim, ele não conseguia olhar para outro lugar.
Porque, por mais que o amasse e o odiasse ao mesmo tempo, Itt também sentia algo mais: uma esperança silenciosa, quase imperceptível, de que Day poderia mudar, de que poderia se redimir, de que poderiam, talvez um dia, reconstruir algo que não fosse feito de dor.
VOCÊ ESTÁ LENDO
My Brands Day Itt
FanfictionItt estava recebendo um castigo por algo que não fez. Ele não mandou fazer aquilo com o irmão de Day, mas levou toda a culpa por está no local errado. essa é um outra versão da história de Day e Itt, mas no mesmo nível de toxidade ou parecido. aqui...
