O silêncio após a dor foi quase mais insuportável do que as próprias ondas que rasgavam meu ventre. Eu respirava devagar, tentando me convencer de que ainda estava inteiro, que o bebê ainda estava seguro dentro de mim.
Day não tirava os olhos de mim. Estava ajoelhado, os punhos cerrados contra as próprias pernas, como se aquilo fosse a única forma de conter o desespero que pulsava em cada veia dele.
Eu odiava esse olhar. Odiava porque já o tinha visto antes, mas de formas diferentes. Olhares carregados de posse, de fúria, de dominação. Olhares que me reduziram a nada. Agora era um olhar de devoção, quase de súplica. E ainda assim... era ele. O mesmo homem. O mesmo monstro.
Meu peito se apertou, e eu fechei os olhos, tentando me esconder dentro de mim mesmo.
"Não se deixa enganar."
"Ele te quebrou."
"Ele arrancou de você tudo o que poderia ter sido."
Mas o sussurro mais baixo, aquele que eu odiava, também veio:
"E mesmo assim você o ama."
A palavra queimava. Amor. Não deveria existir. Não depois daquilo. Mas o maldito instinto que pulsava no fundo da minha alma de ômega gritava o nome dele todas as vezes que eu tentava silenciar meu coração. Era como estar acorrentado a alguém que um dia me arrastou para o abismo — e agora me oferecia a mão para me puxar de volta.
Eu não sabia se queria subir.
— Itt... — a voz de Day quebrou o silêncio, áspera, rouca, como se a garganta dele também sangrasse. — Você acha que eu não vejo? O quanto te destruí? Você acha que eu não carrego isso em cada respiração?
Eu não respondi. Não tinha forças para gritar. E se abrisse a boca, talvez eu implorasse por um abraço, e isso seria ainda mais vergonhoso do que admitir meu ódio.
Ele continuou, mais baixo:
— Se eu pudesse... arrancaria minha própria pele só pra devolver a que tirei de você.
As lágrimas arderam nos meus olhos. Eu queria acreditar. Queria. Mas a lembrança das mãos dele segurando meus pulsos contra a parede, do cheiro do medo misturado ao dele, da dor... tudo isso ainda estava aqui, entranhado na carne.
Minha vida nunca foi fácil. Minha mãe se foi cedo demais, deixando um vazio que nunca cicatrizou. Meu pai morreu antes de eu ter a chance de provar a ele que eu poderia vencer. A faculdade que eu sonhava completar se tornou pó nas minhas mãos. Eu já tinha perdido tudo. E então veio Day. Não para salvar. Mas para esmagar.
E agora... agora ele falava como se quisesse reconstruir o que ele mesmo destruiu.
Mas quem garante que eu sobreviveria ao processo?
Olhei para ele, finalmente. Os olhos marejados, o rosto duro transformado em algo frágil. Era como olhar para uma sombra quebrada.
— Eu não consigo... — minha voz saiu baixa, mas cada sílaba era uma lâmina. — Eu não consigo esquecer. Você foi a minha prisão, Day. Foi a minha tortura.
Ele fechou os olhos, como se minhas palavras fossem facas. Mas não desviou.
— Então me deixa ser sua prisão agora de outro jeito — sussurrou. — Aquele que te protege. Que protege vocês dois.
Eu estremeci. Queria empurrá-lo, cuspir na cara dele. Mas também queria agarrá-lo e nunca mais soltar. Era essa a maldição: o meu corpo ansiava pelo alfa que minha mente rejeitava.
Levei as mãos à barriga, sentindo o peso do pequeno ser dentro de mim. Ele não tinha culpa. Ele não merecia ser arrastado para esse inferno que eu carregava.
— Eu só quero que ele viva — murmurei, as lágrimas escorrendo livres. — Mesmo que eu precise morrer junto com essa dor.
Day ergueu a cabeça, os olhos brilhando de desespero.
— Não fala isso... não fala como se você fosse descartável. Eu não existo sem você, Itt.
Eu queria gritar que ele existia sim, que sempre existiria, que eu era apenas mais uma cicatriz no caminho dele. Mas o nó na garganta me impediu.
E ali, entre lágrimas, dor e lembranças que ainda me queimavam, eu entendi: meu amor e meu ódio por ele não eram opostos. Eram a mesma corrente, enlaçando meu coração até me sufocar.
E eu não sabia se algum dia teria força para me libertar.
Oi meus amores ❣️ 😙
Então um beijo 😘😘
De mim mesma:
Uma voz na escuridão
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My Brands Day Itt
FanfictionItt estava recebendo um castigo por algo que não fez. Ele não mandou fazer aquilo com o irmão de Day, mas levou toda a culpa por está no local errado. essa é um outra versão da história de Day e Itt, mas no mesmo nível de toxidade ou parecido. aqui...
