O Beijo que Quebra Correntes

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O corredor do hospital parecia infinito, iluminado por uma luz branca que doía nos olhos. Eu caminhava apoiado em Day, os passos curtos, arrastados, como se cada movimento fosse arrancado à força do meu corpo. O cheiro de desinfetante era sufocante, e, ao mesmo tempo, trazia uma estranha sensação de segurança. Aqui, pelo menos, não havia sombras escondidas, nem portas trancadas que ecoavam os gritos do passado.

Mas havia ele.

Day estava ao meu lado, sustentando meu peso com um braço firme em torno da minha cintura. Eu sentia o calor dele, o cheiro inconfundível que ainda me arrepiava a pele. Era irritante perceber como meu corpo reagia a cada respiração dele, a cada olhar rápido que lançava para mim, como se verificasse a cada segundo se eu ainda estava ali.

O alfa parecia uma muralha em movimento, um protetor implacável — e, no entanto, era o mesmo homem que já me havia prendido, marcado, torturado com sua presença esmagadora. Cada passo me lembrava disso. Cada toque dele trazia de volta memórias que eu tentava enterrar.

Quando finalmente entramos no quarto, o médico nos seguiu, falando palavras que ecoavam à distância. Pressão baixa. Risco controlado. Repouso absoluto. O bebê reagindo bem.

O bebê.

Minha mão foi instintivamente à barriga. Ainda pequeno, ainda frágil. Mas vivo.

Sentei-me na cama com dificuldade, e Day se abaixou de imediato para ajeitar os lençóis, o travesseiro, o soro que pingava lentamente pela agulha presa ao meu braço. Ele não perguntava se podia. Apenas fazia. Mas, diferente de antes, não havia arrogância em seus gestos. Havia uma calma quase reverente, como se cada detalhe importasse.

Eu queria odiá-lo por isso. Odiar a forma como parecia natural cuidar de mim. Mas o ódio não vinha tão fácil agora.

O quarto ficou em silêncio quando o médico saiu. Só o som do monitor cardíaco e o gotejar do soro preenchiam o espaço. Eu desviava os olhos para qualquer lugar, menos para ele. Mas Day não me dava essa escolha. Sentou-se na cadeira ao lado da cama e simplesmente ficou, as mãos entrelaçadas, o olhar fixo em mim.

— Você não precisa... ficar aqui o tempo todo — murmurei, mais para quebrar o silêncio do que porque acreditava que ele realmente iria embora.

Day inclinou a cabeça, e um sorriso breve, quase amargo, curvou seus lábios.
— Eu não vou a lugar nenhum.

A resposta simples, direta, me atravessou como uma lâmina. Eu deveria responder, protestar, mas não consegui. Fechei os olhos e deixei o peso da cama me engolir.

Foi então que senti.

Um toque suave nos meus cabelos.

Meus olhos se abriram de imediato, e encontrei a mão dele deslizando devagar pelos fios, penteando-os como se fosse o gesto mais natural do mundo. O choque me paralisou. Lembrei das vezes em que aquela mesma mão havia segurado minha nuca com força, me imobilizado, me marcado. Agora, o movimento era delicado, paciente, quase... terno.

Meu corpo reagiu antes da mente. Um arrepio percorreu minha espinha, e minha respiração falhou. Eu deveria empurrá-lo. Gritar. Mas fiquei imóvel, prisioneiro de um toque que odiava admitir que desejava.

— Você sempre mexia no cabelo quando estava nervoso... — ele disse baixo, a voz rouca, como se falasse mais consigo mesmo do que comigo. — Eu lembrava disso, mesmo quando não queria.

Fiquei em silêncio, porque qualquer palavra trairia minha fraqueza.

As horas passaram devagar. Day não saiu do meu lado. Quando precisei ir ao banheiro, ele me ajudou a levantar. Um braço firme em torno da minha cintura, a outra mão segurando a minha com uma força que não me deixava cair. Eu tentei recusar, tentei provar que podia sozinho, mas meu corpo não cooperou.

Foi nesse instante que algo aconteceu.

Um movimento. Pequeno, quase imperceptível, mas real.

O bebê.

Eu congelei, a respiração presa na garganta. Minha mão voou até a barriga, os olhos arregalados.

Day parou também. Como se tivesse sentido através de mim. Seus olhos buscaram os meus, confusos, até que compreendeu. Sem pedir, ele pousou a mão sobre a minha, exatamente no lugar onde a vida se mexia.

E então veio de novo. O chute. O sinal.

O silêncio entre nós se rompeu, mas não por palavras. Foi pelo sorriso que se abriu no rosto dele — um sorriso frágil, quase incrédulo, como se o mundo tivesse acabado de se iluminar diante dele.

— Ele sente você... — sussurrei, incapaz de conter a emoção que me escapou.

Day não respondeu. Apenas fechou os olhos, respirando fundo, como se gravasse aquele instante na própria alma.

O bebê mexeu outra vez, como se confirmasse.

E eu percebi algo que me rasgou por dentro.

Não era apenas meu instinto de ômega que ansiava pelo alfa. Não era apenas o corpo respondendo. Era eu. Eu, quebrado, ferido, cheio de cicatrizes, mas ainda eu. Eu queria Day.

O resto do dia passou em fragmentos de gestos que se repetiam como um castigo doce. Ele ajeitando o cobertor sobre mim. Ele segurando o copo de água para que eu não precisasse me esforçar. Ele penteando meu cabelo outra vez, em silêncio, sem pedir nada em troca.

E cada vez que suas mãos me tocavam, meu coração batia mais forte.

Eu odiava isso. Odiava porque significava que eu estava traindo a mim mesmo. Que eu estava traindo a memória do que ele fez. Que eu estava admitindo que ainda o amava.

Quando a noite caiu, o hospital mergulhou em um silêncio pesado. A janela mostrava a cidade distante, fria, indiferente. No quarto, só havia nós dois, e a respiração dele parecia preencher cada canto.

Nossos olhos se encontraram. Primeiro rápido, depois longo demais. Eu vi a hesitação nele, o medo de ultrapassar um limite. E pela primeira vez... eu não queria que ele parasse.

Minha mão apertou a dele, um gesto pequeno, mas impossível de ignorar.

Day se inclinou devagar. Centímetro por centímetro, como se pedisse permissão em silêncio. Eu tremia, dividido entre o impulso de fugir e o desejo de me perder.

Quando seus lábios tocaram os meus, o mundo parou.

Não havia violência. Não havia posse. Era um beijo simples, sincero, carregado de arrependimento e desejo. Um beijo que libertou o peso da minha mente, que rasgou a culpa que me sufocava.

As lágrimas vieram junto, quentes, silenciosas. Não de dor, mas de libertação. Eu queria aquele beijo. Eu precisava dele.

Quando nos afastamos, ele encostou a testa na minha, respirando fundo.
— Obrigado... por me deixar sentir isso.

Eu não respondi. Não conseguia. Apenas fechei os olhos e deixei que as lágrimas caíssem.

Porque, pela primeira vez, eu não estava beijando meu carrasco. Eu estava beijando o homem que, apesar de tudo, meu coração nunca deixou de querer.

E isso me assustava mais do que qualquer lembrança.


Oi meus amores 💕 😘 😘

Tudo bem com vocês?

Ah... eu tô tentando fazer esse macho sofrer, mas eu sinto que tá sendo pouco kkkkkk toda vez que eu tenho que pesar o clima eu deixo o clima mais delicado ainda, é complicado.

Então um beijo 😘😘

De mim mesma:

Uma voz na escuridão

 My Brands Day Itt Histórias para pegar e não largar. Descubra agora