Como será o amanhã?

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O silêncio do banheiro parecia não ter fim.

Day estava parado, ainda na porta, e Itt, encolhido contra a parede fria, sentia o corpo tremer em ondas que iam além do físico.

O ar pesava, saturado de feromônios contidos, de palavras não ditas.

Itt fechou os olhos, pressionando a testa contra os joelhos. O gosto amargo do vômito ainda estava em sua boca, mas pior que isso era o gosto da confusão, um nó sufocante que nem o tempo parecia capaz de desatar.

Por dentro, era como se duas versões de si guerreassem:

O ômega marcado por abusos antigos, que gritava que todo toque era sujeira, violência, dominação.

E o Itt de agora, que lembrava o calor dos braços de Day, a sensação contraditória de se sentir protegido e, ao mesmo tempo, prisioneiro.

Esse choque o dilacerava.

— Itt…

a voz de Day quebrou o silêncio, baixa, grave, carregada de um peso que não parecia se encaixar em alguém como ele

— Eu não quero ser mais uma cicatriz na sua pele.

Itt ergueu o rosto devagar. Os olhos vermelhos e inchados encontraram os dourados do Alfa. Não havia arrogância ali, nem desejo. Apenas arrependimento. E um medo silencioso.

O ômega abriu a boca, mas nada saiu. A garganta estava seca demais, a dor muito funda para ser traduzida em palavras.

Day inspirou fundo, os punhos fechados contra a lateral da coxa. A cada respiração, seu cheiro parecia oscilar entre contenção e instinto.

— Eu vou embora —

disse, quase sem voz. —

Você não precisa me ver. Não precisa me ouvir. Só… só não pense que foi culpa sua. Nunca foi.

Essas palavras atingiram Itt como um estilhaço. Ele quase riu, mas não havia humor, apenas desespero.

— Sempre foi culpa minha…  Sou amaldiçoado pela infelicidade

Itt sussurrou.

Day balançou a cabeça de imediato.

— Não. Nunca.

A firmeza da resposta o surpreendeu.
Mas quanto mais Day dizia aquilo, mais a mente de Itt gritava o contrário.

As lembranças antigas, as vozes que o forçaram tantas vezes a se calar, repetiam que ele era feito para obedecer, que seu corpo existia para servir. (N/a: psicólogo para mim que escrevi psicólogo para você que tá lendo 🫰💋)

“ você é nojento, ômega imundo .”

As palavras ecoaram de novo.

Ele fechou os olhos, as lágrimas escapando.

— Você não entende… eu sempre vou perder,acontecer. Sempre acontece.Eu não sei… eu não sei se algum dia vou conseguir ser melhor,ou se vou deixar de ser amaldiçoado, não sei me defender, não sei dizer não

Day pareceu se partir por dentro.
Deu um passo, mas parou, como se o chão fosse um abismo.

— Então eu vou ser o seu não

disse, a voz embargada, mas firme.

— Eu não vou mais cruzar essa linha, Itt, Não importa o que eu sinta, não importa o quanto eu queira. Eu nunca mais vou te colocar nessa posição.

As palavras ficaram suspensas no ar.

O coração de Itt bateu forte, descompassado.

Parte dele queria acreditar. Outra parte tinha medo de acreditar

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