Existe um peso invisível que aperta o meu peito e ninguém vê.
Eu me culpo, como se cada detalhe fosse minha responsabilidade, como se errar fosse uma sentença que não posso me permitir. Eu me cobro como se o mundo inteiro estivesse de olhos em mim, esperando que eu não falhe, que eu não desmorone.
E quando dói, quando tudo em mim pede para gritar, eu sorrio. Eu escondo. Eu finjo. Porque parece mais fácil dizer que estou bem do que admitir a tempestade que me arrasta por dentro. Meus problemas me parecem tão pequenos perto do que outros vivem, que sinto vergonha de chorar, como se lágrimas fossem sinal de fraqueza, como se sentir fosse uma falha no meu caráter.
Com o tempo, virei pedra. Uma pedra dura, fria, sem lágrimas, sem raiva, sem brilho. Mas dentro dessa rocha há uma rachadura, e a dor pulsa, lateja, quer escapar. Estou estremecendo, como se essa dureza que inventei para sobreviver estivesse prestes a se quebrar.
Não sei até quando consigo me calar. Não sei quanto silêncio meu corpo aguenta. O que eu sei é que dói. Dói muito.
Esse silêncio é pesado demais para uma só garganta.
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Com' Textos
PoésiePequenos textos de grandes momentos. Eu transmito energias. Sinta
