Glenda Rinaldi
Alguns dias depois...
Os dias passaram como páginas arrancadas de um calendário. Rápidos, intensos, marcados por descobertas, silêncios confortáveis e beijos que me faziam esquecer de tudo, até da mágoa. Embora Marcus não estivesse o tempo todo comigo, ele sempre dedicava algum tempo para passar comigo, mas sempre na vila. Não que isso me incomodava, o lugar era lindo um refúgio escondido do mundo. Pela primeira vez em muito tempo, eu não estava cercada por perguntas... ou ameaças. Só por Marcus.
Deitado, virado para mim, o braço pesado sobre minha cintura, como se me guardasse até mesmo nos sonhos.
Meu coração deu um leve salto. Ele nunca estava ali quando eu acordava. Sempre sumia antes do dia clarear, com aquela desculpa enigmática de "negócios". Mas hoje, não. Hoje ele estava ali. Presente. Real.
Acariciei seu peito distraidamente, até que senti seus dedos se moverem contra minha pele. Seus olhos se abriram devagar, ainda enevoados pelo sono. Aqueles olhos escuros me fitaram com intensidade, como se já soubessem exatamente o que eu ia perguntar.
— Você... ainda está aqui? — murmurei, surpresa.
Um canto de sua boca se ergueu num meio sorriso preguiçoso e sensual.
— Acha mesmo que eu perderia a chance de acordar ao lado da minha esposa?
— Pensei que tinha ido... "trabalhar" — provoquei, arqueando uma sobrancelha, não conseguindo esconder o sarcasmo.
Ele soltou uma risada baixa e rouca, deslizando os dedos pela lateral da minha coxa.
— Meu trabalho foi um sucesso. Fechado, resolvido... e, desta vez, sem precisar de mais sangue. — Seus olhos brilharam. — Agora, sou todo seu, Bambolina mia.
Senti meu estômago revirar não de medo, mas de algo que se aproximava perigosamente de contentamento. Ele parecia leve... como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros. Como se agora ele quisesse, de verdade, estar ali. Comigo.
O problema é que... eu também queria.
Ele disse aquilo com tanta naturalidade que, por um instante, fiquei sem reação.
Marcus... todo meu.
A ideia era absurda. Perigosa. Sedutora.
— Isso soa como uma promessa ou como uma ameaça? — murmurei, tentando manter o tom leve, mesmo sentindo algo quente se espalhar dentro de mim.
— Depende de como você pretende aproveitar isso — respondeu ele, puxando-me ainda mais contra o seu corpo.
O calor da pele dele contra a minha era uma distração constante. E perigosa.
Mas, pela primeira vez desde que chegamos à Itália... eu não queria fugir.
A lua de mel começou de verdade naquele dia.
Depois de um café da manhã servido no terraço da suíte, com vista para colinas douradas e vinhedos intermináveis, Marcus me levou para conhecer uma pequena cidade costeira. O caminho foi silencioso, mas não desconfortável. Havia algo novo entre nós. Algo mais leve.
Algo que me assustava.
Ele estacionou próximo a uma marina e segurou minha mão sem pedir permissão. E eu... não retirei.
— Você está diferente hoje — comentei enquanto caminhávamos.
— Porque hoje não estou sendo o Don. — Ele olhou para mim de lado. — Hoje sou apenas seu marido.
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Grávida do Mafioso
RomanceGlenda Madison era uma mulher independente que não acreditava em relacionamentos, porém tinha uma vontade de ter um filho. Ao fazer uma inseminação artificial, ela jamais imaginou que em pouco tempo, um homem alto, lindo, poderoso, bateria em sua po...
