Anna Júlia
Não ficamos, não por que eu não queria ou por que ele não queria, na real, acho que estava consumida pelo maior prazer que já senti em toda minha vida, meu ventre formigava, minhas pernas adormeceram, antes de entrar no estado de transe mais gostoso e satisfatório do mundo. Gabriel falou algo sobre ter bebido demais e que não queria que fosse assim, não comigo, quis falar que não me importava, mas os dedos dele dentro de mim desempenhavam um papel com tanta maestria, onde tudo que eu ousava falar, se transformava em gemido.
Minha costa estava rente com o peito dele, enquanto ele me abraçava, deixando tudo aquecido, além da coberta em cima de nós, os lençóis com o cheiro dele, o braço agarrando minha cintura como se eu fosse fugir, olhei por cima do ombro, talvez um dos lados mais vulneráveis que eu já vi dele, não o Gabriel Barbosa que não trás toda mulher pro quarto por que é lugar sagrado, não o Gabriel Barbosa que faz sexo no banheiro de boate, era só o Gabriel, sem pose e marra absurda.
-Para de me olhar, 'tô ficando encabulado. -beijou meu ombro.
-Vai roubar o meu papel -virei colocando o rosto no pescoço dele, beijando o lugar.
-Não faz assim -a mão dele agarrou na minha nuca, puxando minha cabeça e me fazendo olhar pra ele. -por que eu vou querer fazer amor e não vou poder.
Ele tinha treino, droga.
Meu rosto esquentou, de novo, como em todas as vezes, isso vai ser pauta na minha próxima terapia, não é possível que todas as vezes que ele me elogiar ou falar algo com duplo sentido pra mim, vou reagir desse jeito. E o pior, é só com ele.
-Você tá na puberdade? -ele gargalhou alto. -é sério, por que não é possível.
-efeitos matinais -meu celular apitou várias vezes, até começar a vibrar. Estava na parte da cabeceira ao lado do Gabriel, que o pegou, o nome do Lucas brilhou na tela, Gabriel me olhou e me entregou o objeto. -é só falar em puberdade que as crianças começam a aparecer. Ele tem te ligado com frequência?
-Quase todos os dias -ri sem humor.
-E você tem atendido? -passou o polegar na minha sobrancelha.
-Algumas vezes -admiti. -o celular não para.
-E o que ele te diz? -umedeceu os lábios, desci o olhar.
-Pede pra voltar -suspirei. -o que é estranho, por que ele que foi embora.
-E o que você diz? -olhei novamente nos olhos dele. Meu estômago revirou de nervoso.
Ele tá querendo satisfação?
Era um Gabriel diferente, exposto, quase frágil.
-Que não quero mais -engoli seco.
-E quando diz isso, 'tá falando a verdade? -senti o peito dele subir e descer, no mesmo ritmo que o meu. Se estou certa, isso significa sentimentos reprimidos, sei por que acontece comigo e ninguém age assim quando não se importa.
-Hum rum -assenti sussurrando. -já tem um tempo que eu não quero nada dele.
-E por que? -subi e desci os ombros.
-Não sei -fingi pensar. -talvez por que ele não gostasse da marquinha que eu tenho na barriga -brinquei e ele sorriu, me fazendo sorrir junto.
-você precisa falar logo com ele-os olhos estavam mais escuros, sérios.
-Eu sei -minha voz saiu baixa.
-precisa fazer isso, por que eu não sei fingir indiferença, e também não podemos continuar nisso se você ainda pensa nele.
-Não penso -neguei rápido, desviando para encarar a parede atrás dele. Conversas sérias me deixam nervosa
-então olha pra mim -pediu, sem pressa. Obedeci. -você fica linda até acordando.
-Cuidado, vou achar que tá apaixonado por mim.
-Claro que eu to, vou até fazer uma tatuagem com seu nome -soltou uma risada.
Que arrombadinho.
Se ele se inclinasse um pouco mais, se eu fechasse os olhos... tudo desandava.
O alarme do celular dele tocou. Treino, realidade, mundo lá fora.
Gabriel fechou os olhos por um segundo, como se xingasse mentalmente, depois se afastou devagar.
-tenho que ir, olhos lindos -beijou o dorso da minha mão, depois meu queixo, até chegar na minha boca e se afastou devagar.
-Vai voltar tarde? -negou.
-resolve as coisas aí com ele -o tom era suave. -não por que eu to pedindo, tem que ser por você.
-Vou resolver -prendi o lábio inferior com os dentes, por mania, tensão.
-Se quiser esperar por aqui, fica -franzi a testa. -de preferência nua, em cima da minha cama. -me olhou uma última vez antes de entrar no banheiro.
Quando a porta se fechou atrás dele, o quarto pareceu grande demais e muito silencioso. Deitei de novo, encarando o teto, ainda podia sentir o braço dele ao redor da minha cintura, quase como um convite para realmente permanecer ali até que ele voltasse.
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𝙄𝙍𝙍𝙀𝙎𝙄𝙎𝙏Í𝙑𝙀𝙇, 𝘼𝙉𝙉𝘼 𝙅Ú𝙇𝙄𝘼 | 𝙂𝘼𝘽𝙄𝙂𝙊𝙇
Фанфикшнvocê foi o amor mais bonito que me aconteceu. Indiscutível, indescritível e predominante
