Capítulo 07 (Parte II - Encontro)

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O momento passou, e nós tentamos a todo custo mudar de assunto e tirar o clima de antes. Bom, pelo menos Jas tentou muito e acabou conseguindo, quando seu lado engraçado e irônico começou a aparecer mais.

Depois de nós dois termos ficado em silêncio por um tempo, de repente, ela levantou-se e começou a caminhar em direção ao mar. Fiquei observando-a, incerto do que fazer. Pensava que ela gostaria de um momento sozinha, sem mim por perto. Mas então ela parou, virou para me olhar, com uma cara tímida, sem graça, mordendo seu dedo indicador, com os outros quase cobrindo sua boca toda. Eu controlei um sorriso que quis subir por meus lábios, vendo-a daquela forma. Ela não sabia mesmo como mexia comigo de formas mínimas; não fez nada a princípio, apenas ficou parada, me olhando. Logo depois, ainda mordendo deu dedo, percebi um sorriso surgir, e não pude mais controlar o meu, ouvindo-me soltar uma risada baixa, que ela não ouviu, mas notou. Pendeu um pouco sua cabeça para o lado, me perguntando com os olhos e sua expressão se eu não a seguiria. Pelo menos foi isso que interpretei.

Me levantei, indo até ela. Assim que cheguei, fiquei parado em sua frente, rindo. Coloquei meus braços para trás, apenas para fazer graça. Ela riu, mas não disse nada, parando de morder seu dedo, soltando-se mais, olhando para o lado.

- Oi, moça.

- Oi.

- Acho que te conheço de algum lugar.

- Ah, é? E qual seria?

- Não diria sonho, sabe? Diria mais utopia. – ela revirou os olhos, achando graça, e tentou disfarçar, mas ficou sem graça.

- Lá vem você com essas coisas. Vai escrever um livro de cantadas baratas? Ou como flertar com deus e o mundo?

Semicerrei os olhos para ela, e dei um leve empurrão nela, que me olhou se fingindo indignar-se com o que eu fiz. E ela revidou, só que mais forte.

E o que mais poderíamos fazer, senão começar uma brincadeira infantil?

Só sei que já estávamos tentando um empurrar o outro, ou atacar, de qualquer forma, e ríamos da luta que começamos. Jas tentava me atacar, mas eu não deixava, segurando seus braços, e ela resmungava diante disso.

- Não vale você ficar segurando meus braços! – reclamou, e eu ri.

- Não vale você ficar tentando me bater!

- Você quem começou! – riu, conseguindo me bater no braço, um tanto forte, e eu parei, teatralmente, só para fazer cena. Fingi que tinha doído mais do que realmente aconteceu, e semicerrei os olhos, esfregando o local que ela tinha batido.

- Ah, é assim? – perguntei, e ela riu. – Acho bom você correr, porque não vou deixar barato!

- Ah, não, Tyler, para! – ela disse, já recuando.

- É melhor você correr... – fingi que ia para cima dela, e ela riu ao mesmo tempo que soltou um gritinho, que me fez rir.

- Não! – ela começou a correr, e eu fui atrás, rindo. – Para, Tyler!

Ela corria rápido, mas eu já estava quase a alcançando. O erro dela era olhar quase toda hora para trás, tentando me localizar. E como estávamos rindo, isso piorava tudo, então não foi tão difícil conseguir pegá-la. A abracei por trás, fazendo cócegas, e ela ria ao mesmo tempo que gritava, de novo, tentando me fazer parar. Até o momento que ela me empurrou para trás e conseguiu fugir, quase me fazendo cair. Eu fiquei surpreso e ri como nunca, aceitando o desafio, novamente.

- Jasmine, você está impossível hoje! – brinquei, e ela riu, ainda correndo.

No momento em que a alcancei de novo, ela meio que se entregou, desistindo de correr, virando para mim, e como eu estava correndo rápido, acabou que ela tropeçou e caiu. Consequentemente eu caí por cima dela, que não sei como, já estava gargalhando da situação, mesmo que eu estive caído, com todo o meu peso por cima dela. Eu acabei rindo também. Mas mais pela risada dela, do que pela queda em si.

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