Roxo

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Duas da manhã, eu ainda estou pensando no Theo, ele também olhou pra mim durante a aula? Mas se eu olhei pra ele o tempo todo, mas hoje é o dia, vamos sair, não sei pra onde mas vamos, Brenda foi dormir na casa da Liz, e os meninos foram pra casa, estou só eu e o mar, será que tudo isso ainda vai adiante?

Quando sai a Brenda estava me esperando na frente de casa, mais um dia daqueles em que você não quer fazer nada além de olhar o ponteiro do relógio, parece que a cada segundo que passa fosse equivalente a duas horas mais ou menos, nós estávamos estudando o cérebro mas eu tava estudando só o ele, e aquele cabelo, mal podia pensar em que a gente ia sair depois da aula, quando eu olho o celular tem mensagem do Theo:

"Me espere na quadra, tenho que sair mais cedo, valeu"

Olhei tanto pro relógio que esqueci dele, mas o encontro ainda tá de pé, quando eu cheguei na quadra, tinha um carro antigo, clássico como o Heitor diria, mas era bonito, roxo escuro quase preto, Theo estava encostado fumando, com uma jaqueta do time de futebol, quando me viu jogou o cigarro fora e abriu a porta me pediu pra entrar:

- Por favor, senhorita Chevalier.

- Claro, senhor Volkmer.

Não olhei pra nada além das figurinhas no vidro e dos livros no banco de trás, e de vez em quando quando eu olhava no retrovisor, lá estava ele, com aquela cara branca pálida e cabelo bagunçado, acho que devo ter me perguntado "porque eu?" durante a viajem inteira, não era muito longe, era barzinho, eu tenho que admitir que esperava algo melhor, eu não vi nenhum amigo dele, era um encontro mesmo? E ele puxou a cadeira pra novamente, eu esperava mais do lugar mas não menos dele, ele falou sobre como gostava de psicologia e do meu cabelo, ainda não sabia como reagir a elogios, eu o contei sobre o meu problema de visão, ele me perguntou que cor eu via quando olhava as batatas fritas da mesa, eu falei laranja, algo assim, e ele sorriu, e foi como se o resto do mundo sumisse, fosse só eu e ele, ele me perguntou dos meus pais, eu falei que a minha mãe fazia bolos e meu pai era marinheiro, até ai nada demais pra um encontro, ele pediu a conta e quando nós entramos no carro ele disse que o passeio ainda não tinha acabado.

Ele me levou pro farol da cidade, era um pouco longe da praia, porque a areia cobriu metade da costa, e eu também não podia ir perto do mar, ainda mais a noite, estava escuro, e eu falei que não conseguia ver os degraus pra subir no farol:

- Posso?

- Pode o que, Theodoro? - perguntei rindo

E ele me pegou no colo, eu não sabia o que fazer, eu só sorri, e coloquei a cabeça no pescoço dele, e senti o cabelo, e o perfume, ah, o perfume, nunca tinha sentido nada igual, quando percebi nós dois estávamos no topo, só dava pra ver a costa, pra mim pelo menos, estava tudo escuro, não sabia diferenciar nada, mas eu olhei pro rosto dele e vi que ele abriu o maior sorriso e disse:

- Da pra ver metade da cidade daqui, tudo é mais lindo a noite.

- Você também - respondi sem pensar

Então ele me beijou, eu não sei descrever, era o beijo dele e a brisa do mar, o perfume, o gosto, eu não tinha a sensação do toque, eu sentia cores, vibrantes, cores vivas, eu sentia todas as cores com ele. Era demais pra um primeiro encontro, eu falei pra irmos devagar, e ele disse que era melhor mesmo, tínhamos que ir, ele teve que me pegar no colo pra descer, e eu não pude reclamar, ele era musculoso, não podia fazer nada, entramos no carro e o clima estranho continuou depois do beijo, ele me disse boa noite, e eu sorri e entrei em casa, quando fechei a porta eu gritei, liguei pra todo mundo do grupo e disse o que tinha acontecido. Parece que as ondas estão a meu favor.



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