Decidimos que não iriamos a aula hoje, vamos tirar o dia pra gente, ele me disse que estava com fome e eu pedi pra ele descer e comer que depois eu ia, então ele vestiu a cueca e foi, sem problemas porque a minha mãe foi trabalhar, eu o pedi pra descer pra ver o bilhete prateado que estava no pé da cama:
"Bom, tudo que eu digo não vale mesmo nada pra você? Vai acabar se arrependendo A.L"
Foi quando eu notei que não era mesmo o Theo o cara dos papeis preteados, mas então, quem?
Eduardo gritou meu nome da cozinha, eu precisava descer, quando eu abri minha gaveta de camisas lá estava, mais ou menos uns 50 papeis prateados então eu comecei a ler assustada, eram todos sobre amor escondido, apesar de serem lindos, aquilo realmente estava me assustando, eu ouvi os passos do Theodoro na escada eu fechei a gaveta o mais rápido possível, eu não podia preocupar ele com as minhas coisas, ele disse:
- Você não vai descer amor?
- Já to indo! - respondi sorrindo
E ele me levou lá pra baixo no colo, meio que a força, nós tomamos café e assistimos desenho a manhã toda, e nada de mensagens do Frederico, Heitor, Brenda, e da Eliza, tudo as mil maravilhas.
Estava tudo bem demais, logo logo algo iria dar errado, como o de costume. Ele dormiu deitado no sofá com a cabeça nas minhas pernas, e enquanto eu brincava com o cabelo dele assistindo Titanic pela décima oitava vez, algo veio na minha cabeça, o nome do meu vizinho é Aaron, e quem manda os bilhetinhos em papel prateado é A.L, eu só precisava descobrir o sobrenome dele pra solucionar o mistério, então eu mandei mensagem pro Frederico, por que ele deve saber, fuçar alguma coisa e descobrir pra mim, alguns minutos depois a resposta do Fred:
- Olha o nome dele é Aaron Lilbert e ele tem 19 anos, é só o que eu sei.
Foi quando tudo fez sentido, as vozes no quintal, e quando ele disse "flores lembram onde eu vou estar" tem um jardim na casa do Aaron, como eu pude ser tão cega a esse ponto?
Eu levantei do sofá com cuidado e coloquei a cabeça do Theo no travesseiro, eu precisava ir na casa do Aaron, tirar essas coisas a limpo, pensei duas vezes antes de bater na porta, e bati, quando uma voz lá de dentro gritou "Tô indo" quando abre a porta, o Aaron de toalha marrom:
- Desculpa mas é que eu tava tomando banho, você é a Valeria aqui do lado não é?
E antes de responder eu pensei, será mesmo ele? Ele não sabe nem meu nome:
- Na verdade é Valentina, mas, é você que tem me mandado bilhetinhos Aaron?
- Bilhetinhos? Não desculpa, eu nem te conheço.
E eu disse desculpa e quando ele ia entrar pra casa, eu olho pro lado e vejo o Theodoro:
- Bilhetinhos não é Valentina? E de toalha ainda por cima?
- Não é nada disso que você está pensando!
Foi o que eu disse antes de ele se tocar que estava só de cueca no gramado, e então ele vestiu a calça e a jaqueta, entrou no carro sem olhar pra trás e foi embora, sem me deixar explicar, eu estava chorando todas as nossas cores no meio da rua.
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Cor Favorita
RomanceDaltonismo: substantivo masculino; problema hereditário caracterizado por uma anomalia na visão das cores, ex. uma confusão entre o azul e o rosa. Se já não enxerga as cores direito, quem dirá o amor. Valentina, tenta ver tudo de uma forma diferent...
