Capítulo 21 - Recusa

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Mdc.: Infelizmente ele sofreu alguns danos e terá que ficar em observação por uns dias. Se não fosse por vocês ele estaria morto, mais 5 minutos e ele não estaria aqui. Ele tem muito a agradecer a vocês. 


Yn.: Podemos ir vê-lo?


Mdc.: Lamento, hoje somente familiares. Ele ainda se encontra desacordado, iremos cuidar muito bem dele se é isso que a preocupa. Agora, se me dão licença. Tenham uma bom dia!






Ele deu um sorriso cansado e saiu para algum lugar entre os pacientes que caminhavam para todos os lados. Ele disse bom dia? Olhei para os lados e vi que ainda estava escuro mas alguns tons de laranja no fundo me diziam que já ia amanhecer. Fiquei tanto tempo assim ali esperando? 


Yoongi viu minha expressão e deu risada, pegou na minha mão e fomos em direção a saída do hospital. Por tudo que já havia rolado entre mim e o Yoongi nos meus momentos mais sensíveis eu não me importava que ele segurasse minha mão, acho que ele havia entendido essa noite que não posso deixar o Jin. Não quero deixá-lo! 


Ao sairmos sinto a brisa fria da manhã, agradeço por ter escolhido um moletom. Dava pra ver o sol nascendo no horizonte, os raios tocando o topo das árvores e prédios. Ficamos um tempo esperando o sol nos alcançar, sentir a vitamina D entrar pelos poros faz bem a quem acabou de trazer o amor da sua vida pro hospital após uma tentativa de suicídio. 




Sg.: Os raios de sol nunca chegarão ao seu brilho, não se preocupe com isso ~ele me olha sorrindo, ainda segura a minha mão. 


Yn.: Obrigada, é muito gentil. ~solto a sua mão, por algum motivo não me sinto mais confortável em segurá-la.


Sg.: Não precisa ficar vermelha, são apenas fatos. ~agora em minha frente, seus olhos nos meus, seu corpo chegava cada vez mais perto.


Yn.: Yoongi, o que acha que está fazendo? ~eu sabia o que  ele estava fazendo, mas não queria acreditar que ele usaria aquele momento pra isso. 


Sg.: O que eu e você queremos, o que deveríamos fazer a muito tempo. ~meu coração dispara, fico em pânico e não consigo reagir. Seu corpo cada vez mais perto me faz sentir uma mistura de calor com repulsa.


Yn.: Yoongi... Eu não... Não quero...




E então seus lábios tocaram os meus, sua língua procurou a minha mas em vão, suas mãos apertavam a minha carne. Eu não queria aqueles lábios, não queria aquele toque, meu corpo não respondia o dele. Mas minha cabeça estava vulnerável, havia fagulhas em meu estômago que eu não controlava. Os momentos que tenho passado fazem com que qualquer ato de carinho se torne algo grandioso e necessário. 


Mesmo assim, eu não poderia permitir. Empurrei seu peito mas era igual empurrar uma parede de concreto, não fazia diferença. Eu só tinha uma opção, não queria que chegasse a isso mas me parecia a única forma de me afastar. Afastei minha perna e mirei em seu saco, consegui acertar em cheio. Assim como em um passo de mágica ele me soltou instantaneamente, consegui manter uma boa distância caso ele conseguisse me segurar. Depois de alguns minutos curvado e reclamando de dor ele me olha, seu corpo ainda sem forças para levantar.



Sg.: Era mais fácil avisar que eu beijo mal ~ele solta uma risada. 


Yn.: Isso não tem graça! Eu te avisei que não queria isso, você não me escutou.


Sg.: Não precisava estragar a nossa oportunidade de ter filhos, okay? Não reclame se não os tivermos agora ~como ele podia estar brincando?


Yn.: Como você pode ser tão...idiota?! ~disse isso e sai andando, precisava encontrar um táxi pra casa.


Sg: YONA! VOLTA AQUI! ~sua voz ainda distante mostrava que ainda não conseguia se mexer, tinha vantagem. 


Yn: Me esquece. ~mostrei o dedo do meio ainda andando em direção ao táxi do outro lado da rua.






Eu até poderia ligar para o meu irmão e pedir ajuda, mas acontece que ele jamais ajudaria se soubesse que estou aqui por causa do Jin e não importa quantas vezes eu tente explicar, ele jamais vai entender, nem eu sei se entendo. 


Entrei no táxi e dei meu endereço. Não podia acreditar que o Suga ultrapassaria os meus limites dessa forma, eu confiava nele. Ele, mais do que ninguém, sabe o quanto eu amo o Jin e independente do que ele fez esse sentimento não mudou da noite pro dia, não vai mudar tão fácil. 


Entrei em casa e me deitei no sofá, como era bom estar em casa e poder descansar. Senti algo no meu bolso de trás e é quando percebo que ainda estou com o celular do Jin e ainda está aberto na nossa conversa, na mensagem que ele ia enviar e não teve forças. Ele lembrou de me dizer que me ama antes do último suspiro, mas agora que ele está bem posso retribuir esse amor e dar uma chance pra ele se explicar. Espero que ele perdoe a nossa última briga.



Fiquei ali deitada por um tempo me recordando dos nossos momentos bons, pensando no que teria sido se eu tivesse chego um pouco mais tarde. Hoje posso dizer que a frase que diz que só damos valor a aquilo que perdemos tem a sua verdade. Eu precisei quase perdê-lo para engolir meu orgulho e me permitir escutá-lo, ver o seu lado e torcer para que não seja tão grave quanto meu irmão jura ser. Olho para o nosso anel de compromisso, era tão único, tão perfeito. Queria que ele estivesse aqui para me dizer que tudo iria ficar bem e me fazer um pão gostoso pois eu estava com fome. 








Dia seguinte






O dia ainda estava clareando quando acordei, minhas costas doíam por ter dormido no sofá. Levantei e olhei no relógio, eram 7h46 da manhã, tomei um banho rápido e coloquei a primeira coisa que vi no estomago. Hoje eu poderia vê-lo, não via a hora de abraçá-lo e dizer o quanto o amava. 


O táxi chegou rápido no hospital, procurei a recepção e perguntei pelo médio do Jin e me conduziram até uma sala de espera no terceiro andar. Não demorou muito para que ele aparecesse, disse que o Jin ainda estava dormindo por conta de medicação mas que eu poderia esperar ele acordar no quarto. Me conduziu até um quarto no meio do corredor, era maior que meu quarto, uma janela grande, um sofá cor de palha, um guarda-roupa embutido do lado direito. A cama inclinada deixava seu corpo um pouco sentado, o acesso em seu braço direito permitindo a medicação entrar, seus lábios ainda sem cor, sua pele mais pálida do que o normal. 


Sentei na beira da sua cama, passei a mão por seu rosto, meu coração doía de vê-lo naquele estado. A única culpada por tudo isso que ele passou sou eu, talvez se eu o tivesse escutado, se tivesse agido com menos impulso ele ainda estaria bem, sem ter que pensar em perder a única pessoa que ele tem.


Sinto meus olhos se encherem de lágrimas, perdi a conta de quantas vezes chorei nos últimos dias. Me levanto e sento no sofá, não queria acordá-lo com meus soluços incontroláveis. Não pretendia sair dali antes de ele acordar, então me acomodei e olhei novamente no relógio, eram 8h35. Fiquei tão ansiosa para vê-lo que acordei mais cedo que o necessário, posso tirar um cochilo até que ele acorde.






Algum tempo depois





J.: Yona? Hey! YONA! ~consigo escutar ao fundo, mas meus olhos pesam~ Aish! Só queria que você acordasse! Yonaaaa!



Desperto do meu sono, escutar a sua voz me chamando me deu o impulso que precisava para levantar. Me levanto e caminho até ele, seu corpo agora sentado me observando, seus olhos tinham um ar de seriedade que não estava acostumada a ver. Será que estava bravo por eu ter dormido? 



Yn.: Jin... ~sorrio e coloco a mão em sua bochecha, ele fecha os olhos com meu toque~ Está se sentindo bem? Alguma coisa está doendo? Posso chamar a enfermeira se precisar~ Ele segura minha mão e a afasta de seu rosto. Seus olhos voltam a se abrir e a me encarar com aquela energia pesada~Jin, eu quero me desculpar por...


J.: Não precisa se desculpar.









Danger- JinOnde histórias criam vida. Descubra agora