"Seja uma boa garota agora"
Conseguia sentir as gotas de orvalho nas minhas bochechas enquanto caminhava pela noite, meu corpo desprotegido tremia com o frio da cidade. Minhas pernas ainda doíam muito mas nada que me impedisse de fugir. Como eu fugi? Essa é uma história que prefiro não contar, meu foco agora era pedir ajuda.
Sentia a ponta dos meus dedos ficando dormentes, comecei a esfregá-las em meus braços na esperança que aquilo fosse me aquecer mas não funcionou, minha pele molhada não permitia. Me permitir parar para analisar aonde eu estava, os únicos pontos de luz eram de alguns lampiões pendurados em postes altos espalhados pelo o que aparenta ser uma vila.
Todas as casas estavam apagadas e em estado de abandono, bater em suas portas só me faria perder tempo já que parece que ninguém mora ali a décadas. Continuei andando na esperança que encontrasse alguém que pudesse me levar pra casa.
Virei uma esquina para a esquerda, meus dedos já estavam roxos e talvez eu pudesse perdê-los, mas valia a pena se isso fosse me salvar. Foi quando notei a casinha no final da rua com seus luzes acesas. Elas pareciam iluminar aquela rua escura por completo e havia fumaça saindo pela chaminé o que significava que havia gente ali.
Corri em direção a casa, parecia a minha única esperança nesse lugar abandonado. Minha segunda opção era escolher alguma das casas velhas e esperar a morte vir lentamente até mim pois qualquer coisa era melhor que estar trancada naquele lugar. Bati inúmeras vezes na porta ansiosa para que abrissem logo.
Quando a porta se abriu eu tive que desviar o olhar, a claridade parecia tão forte que chegou a doer, eu estava acostumada com a escuridão até pouco tempo atrás. Levantei a cabeça aos poucos, meus olhos ainda semicerrados, um cheiro familiar entra pelo meu nariz.
Olhei através da luz e pude comprovar minha teoria e isso parecia ainda mais louco do que tudo que passei. Suga estava parado ali na porta, um suéter azul escuro e uma calça jeans branca. Dei um suspiro de alívio automático, meus lábios tentaram um sorriso mas os músculos do meu rosto já não estavam reagindo pela friagem.
Olhei em seu rosto esperando qualquer coisa menos o que eu estava vendo. Seus olhos pareciam ainda mais escuros do que eram, havia uma sombra escura ao seu redor que eu queria acreditar ser apenas um efeito de luz pois isso o deixava assustador. Ele não parecia satisfeito em me ver, não havia expressão, não sentia o alívio que esperava depois de dias -ou semanas, não sei ao certo- em que passei sumida.
Assim que minha boca se abriu para perguntar o que ele estava fazendo ali um dos seus dedos pararam em cima dos meus lábios enquanto ele olhava para algo atrás de mim como alguém que estava fazendo algo errado e esperava que a mãe não aparecesse. Ele sorriu parecendo aliviado por não encontrar o que quer que fosse.
Sua mão se moveu para a minha nuca e a outra para as minhas costas me envolvendo em um abraço quente e reconfortante que eu não tinha a muito tempo. Fechei os olhos para poder sentir o cheiro do seu perfume se misturar com o cheiro do amaciante de roupas, o calor da sua pele encostar na minha.
Sg.: Feliz Natal, Yona! ~ele se afastou e segurou em meus ombros, seu sorriso estava lá mas só o deixava ainda mais sombrio.
Yn.: Natal?! ~como assim Natal? Quanto tempo eu estava fora?~ Como assim?!
Sg.: Vai me falar que esqueceu o dia mais importante do ano ~suas mãos soltaram meus ombros e ele se colocou pro lado me permitindo ver a casa toda decorada para o Natal~ Por qual outro motivo você estaria batendo na minha porta a esta hora da noite?
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Danger- Jin
AcakEnquanto minha tia viaja para Los Angeles minha vida vira de ponta cabeça e meus pais, então falecidos, entram na minha história da forma mais estranha que poderia ser.
