- Vamos Maira, pare de agir feito criança, levante da cama e vá fazer sua mala. - Rafael já estava começando a se irritar eu sentia isso no seu tom de voz, mas eu não podia fazer nada, eu não iria fazer minha mala, não iria embora, não agora, eu nem se quer consegui me despedir de Laila, não iria sair se me despedir da minha irmã.
- Não Rafael, eu já te disse. - Ele bufou e se sentou na poltrona.
- Só pra deixar bem claro, você está parecendo uma criança. - Ele disse cruzando os braços.
- Não, não estou. Você que está.
- Ah sim, de certo deve ser eu que estou com a cara fechada, de camisola, batendo os braços e enrolada no meio de um monte de cobertas só pra não fazer uma mala idiota. - Ele disse revirando os olhos, talvez ele tenha razão, o meu comportamento estava um pouco infantil, mas bem, eu não queria ir embora.
- Você não entende. Não é você que irá ficar longe da sua família. - Já não te disse que Laila poderá ir lá quando quiser? Você poderá voltar pra cá assim que isso tudo terminar.
- O problema é quando isso irá terminar. - Eu disse suspirando. - Maira chega, vá fazer sua mala.
- Não! Já te disse que não e pronto.
- Tudo bem, eu faço sua mala então. Vá se trocar. - Ele disse e foi em direção ao meu guarda-roupa pegando um monte de vestidos e jogando em cima da cama.
- Fazer o que?
- Se trocar. - Ele disse com uma sobrancelha arqueada.
- Tira às mãos da minha roupa Rafael, você não sabe do que eu preciso e você está bagunçando tudo. Vamos Rafael, larga isso. - Eu disse tirando os meus vestido da mão dele e colocando em cima da cama.
- Tudo bem Maira. Não precisa dessa mala, nós iremos comprar tudo que você precisa em Verana, agora vá se trocar, por favor. - Ele disse passando às mãos no cabelo.
- Não dá pra gente ir daqui uma semana?
- Não. Hoje. Agora.
Suspirei, eu teria que me arrumar, Rafael estava irritado já, se eu não me arrumasse agora ele seria capaz de me arrastar de camisola para fora.
Levantei da cama e me arrastei até o banheiro, tomei um banho quente tentando colocar meus pensamentos em dia, eu não queria ir embora, eu não queria ir pra um lugar onde eu não conhecia, eu teria que aguentar tudo isso, eu estava com medo, eu não sabia o que aconteceria de agora em diante, e eu não queria ter que confiar em uma pessoa praticamente desconhecida.
👑👑
- Já está pronta? - Rafael disse enfiando a cara no vão da porta.
- Sim. - Eu disse colocando a coroa em minha cabeça e me olhando uma última vez no espelho.
- Vamos?
Eu dei uma última olhada em meu quarto, talvez essa seria à última vez que eu estaria ali, uma lágrima escorreu em meus olhos, eu não queria abandonar o local que eu fui criada.
- Maira? - Rafael disse se encostando na porta.
- Hum? - Eu respondi de costas pra ele, não queria que ele me visse chorando.
- Está chorando? - Ele perguntou se aproximando de mim, tentei secar minhas lágrimas rapidamente.
- N-não.
- Ei, vai ficar tudo bem. - Ele disse puxando minha cabeça para o seu peito.
Eu dei um sorriso fraco e ele beijou o topo da minha cabeça.
- Eu sei que vai. - Disse arrumando meu cabelo.
- Então, vamos?
- Vamos.
Saí do meu quarto e fechei à porta atrás de mim, estava quase chegando nas escadas quando me lembrei.
- Tenho que me despedir de Laila. - Eu disse me virando de volta pelo caminho que viemos.
Ele suspirou e disse por fim.
- Tudo bem, só não enrole muito, temos que partir logo.
Sorri pra ele e caminhei de volta para o corredor dos quartos, estava distraída de mais, quando alguém me puxou para um canto.
- Aí. - Eu reclamei quando bati o ombro na parede.
- Ia embora sem se despedir de mim? - Déniel disse sorrindo.
- Sim. - Disse dando de ombros.
- Ei, me desculpe por aquilo. Não queria te machucar. - Ele disse passando à mão em meu cabelo.
- Mais machucou. - Disse e puxei à mão dele.
- Não fique assim. Eu te amo. - Ele se aproximou de mim, ele estava próximo o suficiente para eu sentir seu hálito em minha pele.
- Parecendo tão inocente. Eu acreditaria em você se não te conhecesse. - Empurrei ele pra longe.
- Você não pode me tratar assim.
- Posso te tratar como quiser. Eu sou à princesa se esqueceu?
- Tudo isso por causa daquele principezinho?
- Não te interessa. - Dei de ombros.
Caminhei até o quarto de Laila silenciosamente, bati na porta e ela abriu com um sorriso.
- Oi entra. - Ela disse abrindo mais um pouco à porta.
- Não posso. Já estou indo. - Laila olhou pra mim confusa.
- Já? Pensei que você ficaria mais um pouco.
- É, eu também. - Disse com lágrimas nos olhos.
- Ei não chora, se não eu vou chorar também. - Ela disse sorrindo.
- Promete que vai se cuidar? E que vai me visitar? - Eu disse abraçando ela.
- Prometo.
- Você agora ficará sozinha aqui. - Eu disse e ela ficou com as bochechas vermelhas.
- Bem, eu tenho Gustavo. - Ela sorriu pra mim e eu retribui o sorriso.
- É verdade. Juízo garota. - Abracei ela mais uma vez e beijei sua testa.
Ela sussurrou em meu ouvido: - Tudo irá ficar bem.
Como as pessoas tinham tanta certeza disso? De que tudo iria ficar bem? Estávamos entre batalhas agora, nada iria ficar bem. Mas eu teria que confiar nas palavras dele.
YOU ARE READING
Entre Batalhas
RandomMaira está no meio de uma guerra. Não só no seu reino, mas também de uma guerra interna. Está sendo obrigada à se casar. À ir morar com seu noivo. Não poderá lutar para ajudar seu reino. Ela se acha responsável pelas mortes que acontecerá, ela queri...
