16- Um dia diferente.

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Gustavo.

É estranho o fato de que eu já morei na mesma cidade, estudei na mesma escola, e não me lembro de muita coisa. Para ser mais específico, não me lembro de nada.

Com sete anos eu fui embora por causa do trabalho do meu pai, e desde daquela época minha vida vem passando por grandes transformações.

O meu pai tirou o dia de folga hoje, vamos jogar boliche e depois basquete no clube. Eu Sempre gostei de passar um dia com o meu pai. Ele é minha família.

Cheguei da escola no horário de sempre. Joguei a mochila na cama e tirei o sapato.
Fui até a cozinha comer alguma coisa, enquanto meu pai não saia do chuveiro,e là estava um senhora de aproximadamente 45 anos. Ela cortava alguns legumes quando entrei.
E assim que meus olhos encontraram os seus, eu tive que piscar para afastar as lágrimas.

-Olá querido!-ela falou.

-Tia? O que a senhora está fazendo aqui? -perguntei surpreso.

Ela parou de cortar os legumes e lavou as mãos. Em seguida me abraçou.

E eu fiquei imóvel em meio aquele abraço. Havia anos que eu não via a tia Nádia, e além disso, ela era a coisa mais próxima de uma mãe para mim. Sem contar o fato dela ser irmã da minha mãe. A única que eu conheço.

Ela desfez o abraço rápido e me encarrou com os olhos molhados.

-Que saudade de você. -falou baixo. - faz tanto anos que não te vejo.

Sorri.

-Por que a senhora passou tanto tempo sem vim me ver?-perguntei.

-Eu precisava desses anos para arrumar minha vida. -ela disse cabisbaixa.

Então eu lembrei do meu primo, filho dela, que se atirou de uma ponte aos 16 anos.
Acho que por esse motivo ela me ver tanto como o filho dela.

-Eu tenho certeza que a senhora não ia ficara tanto tempo assim longe de mim atoa. -brinque.

-Não mesmo. Você é importante. -ela disse voltando a cortar os legumes.

Peguei uma fruta e me apoiei no balcão.

-Como a senhora nos encontrou?-perguntei.

-Eu não perdi o contato com o seu pai. Ligava as vezes perguntando por você. Mas eu não estava preparada para falar com você. Me desculpe!

-Claro que sim tia. Isso é passado. -assegurei.

Ela sorriu.

-Estou fazendo o almoço. Seu pai me deu a cópia da chave, então você vai ter que me aturar mais uns dias.

-Sem problema. -falei mordendo a maçã. -Mas afinal o que a senhora está fazendo para o almoço?

-Purê de mandioca, arroz e frango assado.

-Nossa! Minha barriga hoje sai da miséria.-brinquei.

Sorrimos.

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Aos olhos de DeusHistórias para pegar e não largar. Descubra agora