Capítulo 21

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A primeira vez que me senti observada, foi a quatro anos atrás. Na época eu tinha 14 anos, e estava bastante irritada — não houve aula devido a morte de alguém importante na escola — e tive que andar até onde minha mãe trabalhava. Ela não permitia que eu fosse sozinha para casa, pois ficava muito preocupada comigo andando sozinha pelas ruas. Então, quando isso acontecia — não ter aula, ou falta algum professor — eu era obrigada a ir andando até onde ela trabalhava. Em dias normais, ela iria me buscar, me deixava em casa e voltava pro serviço. Ela trabalhava em uma casa bastante bonito, que na verdade não devia ser considerada casa e sim uma, " mini-mansão ". Coitada de minha mãe, ter que cuidar daquilo tudo sozinha, mas ela dizia para eu não me preocupar, porque os patrões dela era muito gente boa e pagavam mais do que o necessário.

— Bom dia, Silvio. — cumprimentei o homem que abriu o portão.

— Bom dia, Lola. — ele dar passagem para eu entrar. — Você não deveria estar na escola?

— Deveria, mas alguém importante morreu e fomos dispensados. — olho ao redor — Minha mãe está?

— Na cozinha.

— Obrigada … ah, Silvio?

— Sim?

— Eles estão? — ele pareceu confuso mas logo entendeu minha pergunta. Não que eu tivesse medo dos patrões de minha mãe, eu nunca os tinha visto, mas é que, não seria eu que iria descobri se eles eram mesmo pessoas boas, vai que eles não gostassem de meninas desconhecida em sua casa.

— Não.

Agradeço e vou atrás de minha mãe, a encontrei sentada na  mesa de vidro cortando alguns legumes.

— Lola? O que houve? — larga a faca e vem até mim, bota a mão em minha testa, pescoço e fez toda uma avaliação em minha pessoa.

— Nada, e que alguém muito importante morreu e blá-blá-blá. — olho para a mesa. — Precisa de ajuda?

— Vem, se sente, você deve estar cansada. — sento na enorme mesa de vidro e sigo os movimentos de minha mãe. Ela vai na geladeira e enche um copo com água e senta ao meu lado me entregando o copo.

— Precisa de ajuda? — repito a pergunta quando término de beber.

— Posso dar conta — minha mãe sorrir. — Mas preciso que me faça um favor.

— Qualquer um.

— Quero você fique quietinha aqui, não mexa em nada — ela volta a levantar — Preciso ir na freira comprar algumas coisas.

— Posso ir com a senhora. — propus.

— Fique e descanse — beijar o topo de minha cabeça e vai buscar sua bolsa em cima do balcão. — Não mexa em nada, Lorena.

— Mãe, por favor, eu já sou bem grandinha.

Ela olha pra mim em silêncio, da um sorriso e sai.

Quando sei que minha mãe já saiu, levanto dando a volta pela mesa e sento no lugar onde ela estava cortando os legumes. Quando terminei de corta, me senti extremamente intediada, então resolvi fazer o que uma pessoa intediada faz. Peguei meu caderno e comecei a rabiscar coisas aleatórias. Estava tão distraída fazendo isso, que mal percebi a mulher parada na porta da cozinha. Antes de erguer a cabeça, me senti estranha, como se estivesse sendo observada, então levantei a cabeça e parei de rabiscar.

A mulher parado na porta usava roupas de academia, uma leque preta e uma blusa regata branca, o tênis era uma mistura de roxo com azul, seus cabelos castanhos estavam amarrados em um rabo de cavalo, e em suas mãos havia uma garrafa de água vazia, quando olhei para o seu rosto, ela abriu um sorriso.

LolaOnde histórias criam vida. Descubra agora