Capítulo 11

5.2K 598 63
                                        

— Muito bem mocinha, se você não  comer por bem, vai comer por mal. — coloco as mãos na cintura em uma clara pose de determinação.

Eu odiava essa parte do dia, alimenta Estela. Conforme seu crescimento, ela estava ficando mais esperta, as desculpas de olhar o aviãozinho não colavam mais. E em dias como esses, em que ela se recusava a comer, eu era obrigada a fazer uma coisa não muito legal. Enfia a comida em sua boca. Em outra época, eu iria desiste da idéia de alimentá-la, mas por causa do ocorrido de uma semana atrás, quando ela ficou doente, me fez pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão precipitada.

— Eu devo ficar preocupado? — Ben entra na cozinha. Vai até Estela e beijar sua cabeça, quando olhar pra mim, tenta disfarçar a risada com uma torce falsa.

— Isso mesmo, vai rindo.

Se não mencionei, Estela havia jogado boa parte de sua sopa em mim, e minha blusa rosa estava toda ensopada de sopa de cenoura.

— Eu não estou rindo, minha garganta amanheceu ruim hoje. — faz uma cara de sério que não conversaria nem o presidente.

Ignoro a existência de Ben e foco completamente em Estela, a bebê rir quando percebi minha determinação. Como pode, uma ser humano com apenas onze meses de vida, já debochar da cara de meros mortais, como eu.

— Posso tentar? — Ben pergunta.

— Ela é toda sua. — levanto da cadeira rápido, caso ele mude de idéia. Assim que se acomoda, faço a lista do que fazer, e não fazer. — Primeiro, não force a comida na boca dela. Segundo; não grite, isso nunca da certo. Terceiro; mantenha ela distante da sopa. Quatro; se ela começar a chorar sem motivos, não caia na armadilha dessa pequena, isso é um truque para você soltá-la.  Quinta e última, nunca use roupas caras enquanto alimenta Estela, pois ela vai estraga-las.

Olho para a camisa branca e bem passada de Ben.

— Besteira, ela não vai me suja.

— Coitado. — sussurro.

— O que disse?

— Boa Sorte. — começo a sair da cozinha.

— Espera, aonde você vai? — pergunta com um certo desespero.

— Trocar de roupa, o resultado dessa blusa é o que essa pequena faz em apenas três minutos. — e lhe dou as costas. Isso vai ser engraçado.

✖  ✖  ✖

Estava apenas com a intenção de trocar minha blusa suja, por uma limpa, mas assim que passei pelo banheiro do corredor e olhei aquele chuveiro maravilhoso falar comigo — realmente falar comigo: " Venha Lola, venha … " Eu fui. Que tipo de pessoa eu seria se recusasse pedidos de chuveiro falantes.

Existe coisa melhor do que banhar? Acho difícil. O banho (ou a água do chuveiro, tanto faz)  é como um rio, as águas naquele local nunca serão as mesma, e é assim que eu me sinto, depois de um banho, sempre renasce uma nova Lola.

Depois de namorar bastante o chuveiro, decido sair, já torturei Ben demais deixando Estela com ele. Já enrolada na toalha, saio do banheiro. Pretendo passar correndo pelo corredor e ir direto para o meu quarto, mas vozes alteradas chamam minha atenção, e isso me faz para, elas vinham da entrada da casa. Seguro firme a toalha em meu corpo e vou verificar o que está acontecendo.

Não precisei nem ver a cara da cadela, basto eu senti o cheiro do maldito perfume antes de ver Anny. Ela estava gritando enquanto era barrada por Silvio de entra na casa.

— O que faz aqui? — pergunto. O sentimento de raiva, que era desconhecido por mim até poucos dias, já presente.

— Você pensa que é quem pra mandarem barra a minha entrada, garota? — tentar mas uma vez entrar, e mais uma vez impedida por Silvio. — Saia da minha frete!

LolaOnde histórias criam vida. Descubra agora