Capítulo 16

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07/04/12

Eu não consigo entender como conseguir sair da cama tão cedo nessa manhã. Desde que eu comecei a trabalhar, sábado e domingo são os únicos dias que eu consigo "descansar" um pouco. E a palavra está entre aspas pois eu não descanso de fato, eu só posso dormir até mais tarde um pouco, já que é somente nesses dias que eu posso fazer algo com minha família ou resolver algo. Já tem quase um ano que voltei para casa, mas mama e papa ainda sentem minha falta. Eles dizem que seis meses é muita saudade acumulada, eles são bem carentes.

Hoje eu prometi que levaria Sofia para fazer um piquenique juntamente a Hazza, já que os dois estavam reclamando que eu não tinha muito tempo para eles nos últimos meses. Essa foi a razão de eu levantar da cama às oito da manhã quando adoraria que fosse duas da tarde. Eu fui até seu quarto, a vi dormindo lindamente e optei por deixa-la dormir mais um pouquinho enquanto eu arrumava a bolsa com as coisas. Desci até a cozinha e vi mama e papa tomando café enquanto trocavam caricias. Sorri e fiquei parada no último degrau da escada admirando-os um pouco.

Eu amo como eles se tratam mesmo após tantos anos de casado. Mama me contou que eles se conheceram quando ela tinha dezesseis anos e se apaixonaram quase que instintivamente. Eles estão casados a vinte e sete anos e ainda se olham como se fosse a primeira vez que se viram. Papa costuma dizer que eles são eternos namorados e eu acho isso lindo. Ele sempre traz flores para ela, as vezes eles saem para ter um encontro e eu fico com Sofi e a forma como um olha o outro é o que mais me deixa encantada. A troca de olhares deles demostra a cumplicidade, amor, respeito e admiração que existe entre os dois e eu sempre sonhei em encontrar alguém que seja para mim o que mama é para papa e vice e versa.

-Você vai ficar aí olhando-nos com essa cara de boba ou vai se juntar a nós? – Papa disse sorrindo, me fazendo despertar de meus pensamentos.

-Eu amo admira-los e vocês sabem disso. – Disse sorrindo de volta enquanto ia ao encontro deles. Dei um beijo em cada um e sentei-me ao lado de mama. – Bom dia.

-Você parece uma louca nos olhando, já disse isso? – Mama disse sorrindo e eu revirei meus olhos fingindo irritação.

-Já sim, mas eu honestamente não ligo. Ver a felicidade estampada em seus rostos é o suficiente para me fazer aturar as suas reclamações por eu encara-los.

-Eu sempre disse que ela precisava ser acompanhada por um psiquiatra, Sinu. Finalmente nossa filha ficará curada dessa doença mental que assombra ela por anos.

-Nossa, Alejandro, isso é jeito de falar de sua filha? –Disse imitando o jeito que mama fala e nós três rimos.

-Você tem razão, amor. Nossa filha tem sérios problemas. – Mama disse e papa riu.

-Mama! – Protestei fazendo os dois gargalharem. – Com pais como vocês, quem precisa de inimigos?

-Nossa função é ser honestos com você. – Mama deu um beijo no topo de minha cabeça e eu revirei os olhos para ela. – Então, que horas você pretende levar Sofi para o parque?

-Eu pretendo sair daqui a uma hora. Hazza vai passar aqui em casa para nos levar, já que eu estou sem meu carro...

-Eu não tenho culpa se o mecânico está demorando tanto para concertar meu carro que tive que pegar o seu. – Papa deu de ombros entendendo a indireta.

-E eu tenho?

-Não, mas como minha filha é sua tarefa fazer o que lhe é mandado. – Ele disse vitorioso, não tinha como debater com isso.

The Last Butterfly (Camren)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora