Harry estava novamente na Rua Levin tentando decidir por onde iria para chegar aos locais indicados onde poderiam estar as benditas chaves. "– Que tipo de pessoa faz uma brincadeira dessas?" Harry pensava enquanto observava o mapa. Antes de subir a Rua Levin até a Rua Finney e ir em direção ao seu destino, Harry pensou em ir verificar as Ruas Matheson e Bradburry, pois caso pudesse passar por elas ele deixaria de lado essas chaves e iria de uma vez ao seu destino.
Harry então desceu a Rua Levin em direção às duas ruas, mas ao chegar lá ele viu que não havia jeito, todas elas estavam destruídas impossibilitando sua passagem, foi tempo perdido! Sua única esperança era tentar encontrar as chaves e abrir a maldita porta. Harry então voltou correndo pela Rua Levin até chegar à Rua Finney, virou à esquerda e continuou correndo. A cidade parecia estar cada vez mais aterrorizante. Criaturas horrendas o perseguiam enquanto ele corria a toda velocidade para escapar. Um dos cães chegou a morder o tecido de sua calça enquanto tentava fugir, ele então teve que gastar mais munição para abater algumas delas. A neblina estava cada vez mais forte e o ar gelado penetrava em seus pulmões. Harry estava vivendo um verdadeiro pesadelo e estava cada vez mais preocupado com Cheryl em meio aquela situação. Em alguns momentos ele chegava a pensar que ela já poderia estar morta, mas ele fazia uma tremenda força para não pensar nisso e se manter otimista.
Harry corria pela Rua Finney, passando por várias lojas de conveniência, restaurantes, bares, drogarias, tudo abandonado e deserto. Seu rádio incessante tocava toda vez que algo ruim se aproximava e como sempre Harry tentava evitar. Ele chegou ao primeiro e mais próximo local indicado no mapa, um beco que ligava a Rua Finney a Rua Matheson. Harry parou de correr para pegar um fôlego e foi caminhando lentamente para descansar aproveitando o momento de silencio de rádio. O beco era idêntico ao primeiro onde ele havia abatido o primeiro cão, muitas garagens, caçambas de lixo e sujeira pra todo lado, exceto que em uma determinada parte do beco, Harry encontrou um enorme portão de grade aberto que dava para uma área que parecia ser uma quadra de basquete improvisada. Harry entrou naquela área e caminhou em direção ao que parecia ser uma poça de sangue abaixo da cesta e ficou horrorizado ao ver que na poça de sangue havia uma cabeça decapitada de um cachorro, mas era um cachorro normal que havia sido cruelmente morto por algo ou alguém. Havia sangue na tabela da sexta de basquete. "– Meu Deus será que alguém estava jogando basquete com essa cabeça de cachorro? Quem seria tão ruim a ponto de fazer isso? Bom... monstros nessa cidade são o que não falta!" Harry pensava horrorizado ao ver aquela cena. Tentando esquecer aquela imagem perturbadora, Harry notou que havia algo brilhante próximo a cabeça do cão, era uma das chaves indicadas no mapa. Nela havia uma etiqueta que dizia "Chave do lenhador". Harry não entendeu o que isso queria dizer, mas se essa chave abrisse algum daqueles cadeados já seria o suficiente.
Harry pôs a chave em um dos seus bolsos e saiu daquele local. Novamente no beco ele voltou em direção a Rua Finney para prosseguir até o próximo local indicado. Harry decidiu ir em direção ao Rua Ellroy e verificar primeiro o local indicado pelo círculo. Foi uma longa corrida até lá, mas felizmente Harry não encontrou nenhum monstro. Chegando ao final da Rua Ellroy Harry se deparou novamente com a rua destruída e parou a beira do abismo retirando seu mapa do bolso e examinando-o. "– Não há nada aqui exceto esse penhasco, será que o mapa me trouxe para lugar errado? Ou será que alguém já esteve aqui e pegou a chave?" Harry tentava entender o que estava havendo, ali não havia nada, mas foi aí que ele notou um pequeno brilho vindo de dentro de uma caixa de correio que estava bem no canto, no final da rua e ao chegar mais próximo, mesmo com a visão dificultada pela neblina, Harry pode ver que era uma das chaves que ele procurava, mas para chegar lá ele teria que pular por uma fenda que havia em sua frente causada pela destruição da estrada, a chave estava bem ali a uns metros e ele não podia alcança-la. Ele precisava de um meio de atravessar aquela fenda e como a distância era muito longa ele não podia nem pensar em pular, isso seria o seu fim. Foi então que ele avistou ali caída próxima a uma parede de uma loja, uma tábua muito usada em obras. Harry não gostou da aparência da tábua, mas ele não tinha muita escolha. Ele a pegou e colocou atravessando a enorme fenda formando uma ponte improvisada. Harry subiu muito lentamente naquela ponte duvidosa, sentiu um enorme frio na barriga enquanto caminhava pela tábua olhando o penhasco sem fundo enquanto escutava as fibras da madeira estalando com o seu peso.
Harry ficou aliviado quando chegou ao outro lado em segurança. Havia, como de costume, muito sangue espalhado pelo chão e na caixa de correio. Ele olhou dentro da caixa e lá estava a chave. Harry a pegou tentando evitar tocar naquele sangue espesso. Nesta chave também havia uma etiqueta onde dizia "chave do espantalho". Mais uma vez ele não entendeu o porquê disso, mas a guardou junto com a outra, esperançoso de conseguir abrir a porta. Harry cuidadosamente subiu na tábua e caminhou até chegar ao outro lado, feliz por ela ter aguentado seu peso. Faltava apenas mais uma chave para completar aquela busca.
Harry subiu a Rua Ellroy a toda, sempre atento ao seu rádio e as criaturas que queriam o fazer de lanche. Harry pode perceber alguns carros abandonados às margens da Rua Ellroy e a julgar pela aparência estavam ali há um bom tempo, não iriam a lugar algum. Ele chegou ao cruzamento com a Rua Finney e virou a direita em direção à parte do mapa onde havia uma seta que ficava ao final da Rua Finney.
Ao chegar lá ele avistou um veículo parado as margens do abismo, ou seja, a Rua Finney estava destruída de ponta a ponta, e em meio a neblina pôde perceber que havia uma criatura alada repousando em cima do teto do carro. Harry empunhou sua arma e seguiu lentamente em direção à criatura na esperança de pega-la desprevenida, porém o som estridente do rádio despertou a atenção do monstro. A criatura, ao vê-lo, soltou um grito alto, apavorante e deu um salto em direção a Harry que quase não conseguiu desviar. A criatura fez uma virada brusca no ar e novamente partiu em direção a ele, dessa vez com suas enormes garras afiadas apontadas para a cabeça de Harry. Ao ver a criatura vindo a toda em sua direção, Harry jogou seu corpo pra trás, mas uma das garras conseguiu ferir seu rosto, fazendo seu sangue escorrer lentamente.
"– AHHH! Monstro miserável!" Harry enfureceu-se e mesmo caído no chão ele conseguiu se virar, posicionou-se de joelhos e mirou fixamente na criatura que já estava vindo voando em sua direção pronta para mais um ataque! "BAM! BAM! BAM! BAM!" Harry descarregou quatro tiros na criatura alada, acertando-a e fazendo-a mergulhar no abismo profundo desaparecendo em meio à névoa densa.
Harry verificou seu rosto e viu que foi somente um corte superficial, nada grave, mas grave o suficiente pra o fazer prestar mais atenção e ser mais cauteloso daqui pra frente. Após limpar o sangue com as costas de sua mão, ele se aproximou do veículo parado a beira do abismo e descobriu que era uma viatura policial, estava em péssimo estado, muito amassada e arranhada, o capô estava amassado e a tampa do porta-malas estava aberta. Ele verificou dentro do porta-malas e encontrou a terceira chave que dizia em sua etiqueta "chave do leão". Antes de ir embora ele pensou que seria uma boa ideia verificar o veículo a procura de munição ou algo que o ajudaria, o que foi uma sábia decisão, pois no porta luvas do carro havia uma caixa de munição para sua pistola além de algumas balas espalhadas pelo assoalho. Harry recolheu todas as munições, recarregou sua pistola e guardou o restante em seu bolso. Agora não havia nada que o impedisse de seguir o seu caminho.
Harry voltou correndo em direção à casa da Rua Levin, como sempre seu rádio soava a cada dez metros de corrida, ele então ficava atento com sua arma erguida, pronto para o que viesse a lhe perturbar. Em alguns momentos de silêncio de rádio somente seus passos no asfalto podiam ser ouvidos, o que tornava tudo muito mais assustador. Enfim ele chegou a casa, entrou e foi direto para a porta trancada com os três cadeados e imediatamente começou a usar as chaves e um a um foi destrancando. Enfim a porta podia ser aberta. Harry sem hesitar a abriu para continuar sua jornada insana.
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Silent Hill A Cidade do Medo
KorkuO Livro Silent Hill A Cidade do Medo narra a jornada do escritor Harry Mason, pai adotivo de uma menina de sete anos chamada Cheryl. Ambos saem de férias para a pacata cidade de Silent Hill, porém, sofrem um acidente de carro no caminho. Ao acordar...