Capitulo Quatro

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Peter se perguntou como aquelas criaturas conseguiam se tele-transportar de um mundo para o outro com tanta facilidade. O mais óbvio seria ele perguntar, mas temia estar se envolvendo demais naquela história de roubar um coração imortal e salvar o mundo; tudo aquilo ainda lhe soava estranho.

Quando deu por si, estava num lugar que denominou de Centro e, para não esconder o seu espanto: QUE CENTRO!

Havia pedras e areia por todos os lados, as casas tinham um ar envelhecido e fantástico aos olhos humanos, criaturas altas e tatuadas andavam por todos os lados: criaturas machos e fêmeas. As fêmeas usavam o cabelo trançado, os machos um enorme rabo de cavalo, mas com a lateral da cabeça careca, e as crianças um rabo de cavalo que ainda estava a crescer. Quanto aos olhos, eram brancos e isso era uma coisa com que Peter não conseguia se acostumar. Os guardas andavam em grupo, de um lado para o outro, com suas armaduras medonhas.

Allyssa apertava a mão do irmão com força. Os estranhos curvavam-se diante de Peter, como se, de repente, ele tivesse retrocedido ao mundo dos reis.

Cath sorriu para ele, um sorriso medroso.

Um garoto magro parou diante de Peter, analisou Allyssa curioso e voltou o olhar para aquele a quem chamavam de último Adão. Peter não entendeu ao certo o que o garoto queria, ele tinha tatuagens fracas, parecia que ainda estava em crescimento, e os seus lábios eram tão rosados que pareciam os de uma garota.

– Você é Peter, o nosso salvador? – perguntou o garoto.

Peter franziu o cenho, a pergunta o atingiu feito uma bala de revólver. Em um momento de hesitação, ele deixou aquelas palavras desaparecerem num ralo invisível. Ele pensou mais um pouco, não era salvador de ninguém, mal conseguia salvar sua própria vida.

– Sim, é ele o último Adão!

A resposta foi dada por Kyle, que intencionalmente falava num tom mais elevado, apropriado para chamar atenção. A criatura-criança ajoelhou-se, sibilando algo que Peter não conseguiu decifrar. Como uma onda, todos se ajoelharam e Peter arfou de raiva. Queria poder levantar cada um pelo braço, queria poder não ter cruzado com aquele garoto curioso e, mais do que isso, queria poder bater em Kyle. Porém os seus desejos ficaram apenas em sua imaginação.

๑๑๑

Dentro do palácio, repleto de porcelana e ouro, Peter foi levado à sala de Ethan. Era a mesma sala em que a ele fora apresentado, na primeira vez em que estivera lá. A criatura usava um manto escuro, sobreposto à suas vestes de seda, e de todos os seus dedos pendiam pedras enormes, verdes, vermelhas e azuis. Ethan estava sentado num tipo de trono e naquele momento a sala era, aos olhos de Peter, um pouco maior do que se lembrava. Mesmo assim, parecia pequena para abrigar tantas criaturas.

Allyssa estava boquiaberta, Catherine silenciosa e Ethan sem entender o que aquelas garotas faziam ali. Nos segundos seguintes o silêncio foi substituído pela voz do homem alto, magro, tatuado e cheio de pedras preciosas que pareciam brilhar mais do que o sol.

– Vejo que o nobre trouxe guarda-costas! – disse Ethan com uma careta formidável. – Me surpreendo ao imaginar de que maneira essa garotinha pode te ajudar numa possível batalha mortal.

Tentando analisar todo o sentido da palavra “nobre”, Peter olhou para as garotas ainda perplexas. Quanto ao que a criatura dissera, ele não tinha gostado nem um pouco, e Ethan parecia saber disso.

– Perdoe-me, senhor, mas magnus Peter insistiu em trazer sua irmã... e a sua namorada.

Kyle tentava explicar-se, mas olhando para Ethan seu rosto transformou-se num misto de confusão e dúvida. Talvez ele não tivesse acertado ao concordar com que Peter as trouxesse, só que agora parecia ser tarde demais, para repensar suas palavras e ações.

O último AdãoOnde histórias criam vida. Descubra agora