– A água potável acabou. – disse Diego, com um pano em farrapos enrolado nas mãos.
– Eu disse para o Peter não usufruir em demasia da água, eu sabia que chegaríamos a esta situação.
Peter revirou os olhos, o idiota do Laurent parecia ter esquecido que os barris de água tinham sido perdidos na batalha. Respirou fundo e preferiu não responder, porque no fundo sabia que, se revidasse as palavras, uma nova confusão estaria armada.
Ignorando a provocação, já dentro da barraca, Peter arrancou a roupa, sentindo o frio intenso. Ele sentia falta de um chuveiro, banhos com panos úmidos não chegavam a ser uma coisa agradável.
Dor.
Os olhos de Peter se arregalaram, ao observar sua pele em carne viva, e, pelo que pôde perceber, ter que montar não estava ajudando, nem psicologicamente, nem fisicamente. Ele colocou a mão no ferimento, gesto que o fez arfar com o ardor.
– Nossa! – a voz ganhou volume atrás dele. – Pelo que me parece, as coisas estão ficando feias, hein?
A bruxa invadiu a barraca, pensou se não causaria torpor a ninguém e sentou-se ao lado de Peter.
– Você deveria pedir para Ethan dar uma olhadinha nisso, você pode acabar tendo uma infecção. Acredite em mim, as bactérias daqui são dez vezes mais agressivas do que as do Planeta Terra. – Peter sorriu para quebrar o gelo ali existente. – Não está sentindo frio?
Foi nesse instante que ele percebeu que estava apenas de cueca defronte a uma desconhecida. E o que é pior, de uma bruxa altamente atraente e que, de certo de certo, teria o quádruplo de sua idade.
– Um pouco.
Ele mentia, na verdade estava morrendo de frio.
Ela caminhou para fora, segurando a barra da saia, e não demorou muito para o som de vidro com vidro ecoar pela barraca. Logo a bruxa estava de volta, segurando uma bandeja, que pôs no colo de Peter. Ela sentou-se de frente para ele, que por sua vez fez cara de quem não estava entendendo nada.
A tampa foi arrancada do frasco de spray. Suavemente as gotículas aderiram a pele de Peter, que estava em carne viva; depois disso a bruxa colocou uma pomada em seus dedos e passou por entre as pernas do rapaz. O resultado foi imediato, como era esperado.
– Até que para um garotinho destinado a salvar o mundo você tem um corpo atraente. – disse Lizzie, com as mãos ainda apoiadas na coxa de Peter.
Não foi por simplesmente querer que aquela mão transmitisse calor ao seu corpo ou porque, na confusão mútua, ele acabou se aproximando do corpo Lizzie. Foi por um impulso maior, incontrolável, quando menos esperava estava ali, atracado aos lábios da bruxa, numa combustão de tirar o fôlego de qualquer um. Mas, repentinamente, sua mente foi invadida pela imagem de um sorriso delicioso.
– Perdoe-me. – disse Peter ao se desconectar dos lábios da bruxa.
Lizzie olhou para o chão, sem entender porque o tinha beijado, na cabeça de Peter soava um alerta, que transpareceu em seu rosto, com uma rapidez quase incompreensível: ele tinha feito a coisa mais absurda de sua vida.
Atrás da barraca, uma lágrima rolou no rosto de Catherine.
– Não precisa se preocupar, eu quis isto tanto quanto você...
– Só que não é assim que as coisas funcionam, eu nem te conheço. Eu amo a Cath, ela jamais mereceu esta traição, isto não devia ter acontecido.
Peter, ainda confuso, levantou-se e vestiu a calça.
– Você pode não entender isso, mas eu amo a Cath desde que me entendo por gente. Nasci aprendendo a amá-la e admirá-la, sem me importar com qualquer defeito seu. – ele coçou a cabeça. – Ela não merecia nem mesmo que trocássemos um olhar.
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O último Adão
FantezieQuais mistérios um garoto aparentemente comum pode carregar consigo? Quão rapidamente sua rotina pode virar uma aventura alucinante? Essas e outras perguntas atravessaram o caminho de Peter, cuja vida monótona escorregava entre seus dedos enquanto f...
