Lea Cardenas
Cada vez mais tinha a certeza que esta foi a pior ideia de sempre. Como era suposto eu olhar para o Marc depois de tudo? Eu deveria fingir que continuávamos amigos como se nada tivesse acontecido? Eu deveria ignorá-lo? Eu deveria fingir que não o tinha visto? Eu deveria fingir que era totalmente normal estar a ver um jogo da sua equipa na Tribuna com um amigo seu? Porque sim, o Mario tinha-me prometido que veria o jogo comigo.
Numa coisa o Marc acertou: tinha ótimos amigos que faziam de tudo para que ele estivesse bem.
De qualquer das formas, eu já estava aqui. Não valia a pena voltar para trás e fingir que nada disto tinha acontecido.
Por isso, saí do meu veículo alugado e comecei a caminhar em direção ao ponto de encontro combinado entre mim e o Götze —claro que, na verdade, foi ele que me explicou para onde deveria ir, afinal, o Mario jogou por três anos no Bayern e estava familiarizado com o estádio e os seus enormes corredores.
Tentei mentalizar-me que teria que falar inglês com ele visto que as únicas coisas que sabia dizer em alemão eram "sim" e "não" e ele, muito provavelmente, também não se dava bem com espanhol.
— Hallo, Lea. — A sua voz fez-se ouvir, retirando-me dos meus pensamentos.
— Hola. Nem tinha reparado que já estavas aqui. — Confessei, aproximando-me mais do jogador alemão.— Confirma-me só se eu vou mesmo fazer isto...
— Agora vais mesmo fazer isto porque eu não te vou deixar fugir.— Afirmou em tom de brincadeira ainda que eu soubesse que ele não estava a brincar.— Como estás?
— Nervosa, acho que é a palavra certa.
— Lembra-te que não tens que fazer nada que não queiras, está bem? Eu e o Julian só estamos a tentar ajudar-vos. Sem pressão, ok? — Inquiriu, colocando a sua mão sobre o meu ombro. Assenti e o alemão esboçou um sorriso reconfortante. — E vais ver que o Borussia Dortmund é muito melhor que o Bayern.
— Por isso é que trocaste o Dortmund pelo Bayern? — Arqueei uma sobrancelha, desafiando-o.
— Foi uma decisão mas... Eu estou de volta, não estou?
— Sim mas o Bayern continua a ser melhor. — Mostrei-lhe a língua.
O Mario abanou negativamente a cabeça, soltando algumas gargalhadas devido ao que eu tinha dito. Agarrou na minha mão e começou a caminhar pelos corredores interiores da Allianz Arena, guiando-me até a Tribuna — suponho eu. Ainda estava bastante nervosa com o reencontro com o Marc mas eu confiava no seu amigo alemão e acho que ele tinha um plano todo elaborado na sua cabeça para que tudo corresse pelo melhor. Afinal de contas, duvido muito que ele se desse ao trabalho de me convencer a vir até aqui caso não tivesse uma grande ideia de reconciliação.
Tenho conversado com o Mario durante estes últimos dias — desde que ele me pediu o número de telemóvel, para dizer a verdade — e é a ele que devo o facto de ter começado a aceitar que eu possivelmente ainda gosto do Marc. O Götze é realmente um ótimo amigo e tem se empenhado realmente na tarefa que é fazer com que eu dê uma segunda oportunidade ao Bartra.
O jogador alemão aproximou-se de um homem com uma postura que metia medo ao susto e disse-lhe qualquer coisa que eu não fui capaz de perceber — obviamente porque estava a falar em alemão— até que o homem assentiu e mostrou-se simpático ao permitir-nos a entrada para a Tribuna.
— Ele disse que o Marc ainda não chegou aqui mas eu depois mando-lhe mensagem para saber onde anda, ok?— Explicou o jovem, voltando a agarrar-me na mão e guiando-me por entre as cadeiras, algumas livres e outras já ocupadas. — Aqui podes gritar se for golo do Bayern mas se mudares de ideias a meio do jogo e decidires apoiar a melhor equipa alemã, não grites... Até porque acabarias morta pelos adeptos e não é isso que nós queremos.
— Não te preocupes, não vou mudar de lado. — Gargalhei, continuando a passar pelos bancos enquanto tentava não pisar ninguém, o que era, de facto, uma missão um pouco complicada.
Quando encontrámos um lugar que nos deixava satisfeitos, sentámo-nos e olhámos um para o outro, soltando uma gargalhada um pouco alta. Franzi o cenho ao perceber que nos estávamos a rir sem motivo e o alemão imitou-me, mostrando-se um pouco confuso.
— Porquê que nos estamos a rir? — Perguntei, tentando controlar o meu riso que se tornava mais rebelde quando me encontrava numa situação em que não podia/devia rir.
— Isso é uma boa pergunta, de facto. — Observou, aparentando estar também a evitar gargalhar e, consequentemente, a evitar chamar a atenção das restantes pessoas ali presentes.— Bom, gostas da vista?
— Só porque daqui a pouco estarão os jogadores do Bayern no relvado. — Brinquei, fazendo com que o rapaz abanasse negativamente a cabeça em sinal de desaprovação.— O que foi? Os jogadores do Bayern são interessantes.
— Só há um jogador que podes achar interessante e o nome dele é Marc Bartra. Felizmente, ele não joga para o Bayern e muito menos jogará hoje, por isso... Não vais poder usufruir muito da vista para o campo. — Foi a vez do Mario brincar comigo e, em seguida, o seu telemóvel vibrou. No ecrã apareceu uma mensagem enviada através do número do Marc e, depois de lê-la, o alemão virou-se para mim e abriu um sorriso que me deixou um pouco assustada. — Estás pronta?
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Worthless || Marc Bartra ✅
Genç KurguOnde Lea publica comentários de ódio em todas as publicações de Marc Bartra, jogador do Borussia Dortmund. O que será que originou todo esse ódio? #435 em ficção adolescente a 03/06 #331 em ficção adolescente a 04/06 #285 em ficção adolescente a...
