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Mensagens entre o Marc e a Melissa

WHATSAPP

Marc: Mel?

Amor 💛: Diz amor

Marc: temos que falar

Amor 💛: claro
Amor 💛: podes dizer

Marc: era melhor pessoalmente...

Amor 💛: Mas passa-se algo?

Marc: Uhum
Marc: Mas não quero falar por mensagens, devemos falar sobre isto pessoalmente

Amor 💛: Vou passar na tua casa então
Amor 💛: dá-me dez minutos

💫💫💫

  A Lea falava por charadas mas eu já a conhecia demasiado bem. Tinha plena noção de que teria que terminar o meu relacionamento com a Melissa antes de sequer pensar em falar novamente com ela. Sim, eu sei que ela disse para não o fazer mas as mulheres falam sempre ao contrário do que querem.

  Estava a comer cereais com iogurte quando a Mel tocou na campainha, fazendo com que eu tivesse que me levantar para lhe abrir a porta.
  Ela olhava para mim com uma expressão de preocupação no rosto e eu senti o meu coração apertar pelo que eu estaria prestes a fazer.

— Podes entrar, Mel. — Disse, concedendo-lhe espaço para entrar dentro da minha casa. Fechei a porta assim que ela entrou e acompanhei-a até à sala de estar.

— Eu fiz alguma coisa, amor? É que se fiz, gostava que mo dissesses... — Virou-se para mim, encarando-me séria. — Estás a assustar-me, Marc.

— Ouve, Melissa, eu acho que nós deveríamos dar um... tempo?

— Porquê? Já não me amas mais?

— Não! Claro que não. — Disse rapidamente, tentando apagar da minha mente a mensagem da Lea que dizia que não se podia amar duas pessoas ao mesmo tempo. — É lógico que ainda gosto de ti mas não sei, já não é a mesma coisa...

— Oh, estou a ver. — Suspirou, afastando um fio de cabelo da frente do seu rosto. Os seus olhos esverdeados transmitiam uma tamanha tristeza e eu tinha a certeza que ela iria começar a chorar assim que chegasse ao carro. — Tudo bem, eu compreendo.

— Então... Ficamos bem?

— Claro. É só um tempo, não é?

Errr... É, é só um tempo. — Gaguejei.

  Claro que não era só um tempo, pelo menos, não era isso que eu queria. Na verdade, o que eu queria era receber a minha venezuelana nos meus braços e ficar com ela para sempre. Isto, claro, se a Lea me desculpasse.

  Não que isso fosse fácil. Eu realmente tinha fodido todas as minhas chances com ela quando espalhei as suas fotos mas não foi por querer. Eu só estava magoado e chateado e... bêbado. Mas o que me deixava pior era saber que ela tinha abandonado a cidade por causa disso porque não aguentava mais os olhares das pessoas. Ela não merecia isso, ela não merecia que as pessoas lhe apelidassem de nomes menos carinhosos e vulgares.

  Mas eu fi-lo e sou obrigado a lidar com as consequências disso. E se isso significava ter que partir o coração da Melissa, ter que colocar de parte o meu orgulho e ter que ouvir o Götze e o Weigl a gozarem (ou zoarem) comigo durante o resto da minha vida, então ok, eu iria fazer tudo isso.

  Não se tinham passado dois minutos quando olho para a Melissa e reparo nos seus olhos vidrados com lágrimas prontas a escorrer pelo seu rosto. O meu coração apertou dentro do meu peito e eu não soube o que fazer.

— Amor, não chores... Desculpa, Melissa. — Corrigi imediatamente, acariciando a sua bochecha. — Nós não temos que deixar de nos falar, ok? Eu vou continuar a estar aqui para cuidar de ti.

— Em quê que eu falhei? — Fungou, mas ainda sem deixar nenhuma lágrima cair. — O quê que eu fiz de errado?

— Quem falhou fui eu. E eu nem estou a brincar, Mel. Eu falhei ao confundir os meus sentimentos e falhei ainda mais quando continuei contigo mesmo sabendo que o que sentia por ti não era... Não era...

— Não era amor?

— Era e é um carinho muito grande. Sempre será...

— Só isso?

— Não, também sinto uma enorme admiração por ti, uma vontade de cuidar de ti enorme mas acho que não passa disso... Duvido que alguma vez tenha passado. — Baixei a cabeça. 

  Ainda estava a segurar na sua bochecha quando senti uma lágrima tocar na minha pele. A Melissa já tinha desistido de aguentar o choro e deixou que as gotas escorressem pelo seu rosto. A minha reação imediata foi abraçá-la, envolvendo-a no meu abraço. Não, ela não merecia isto. Nenhum de nós merecia, na verdade.

  Mas a Lea... Pela Lea valia a pena. Eu estava a arriscar demasiado porque não sabia se ela me perdoaria mas a verdade é que, de qualquer das formas, não seria correto estar com a Mel se gostava de outra pessoa, não é? 

  — Eu não quero que fiques assim, Mel.— Sussurrei, acariciando as suas costas e os seus cabelos castanhos.— Eu vou continuar a estar aqui para ti, prometo-te. 

    Ela não respondeu. Abrigou o seu rosto na minha camisola e assim permaneceu durante longos minutos, tentando recompor-se. Custava-me imenso vê-la naquele estado mas eu sabia que era necessário e que, no final de tudo, quando tivesse a Lea nos meus braços estaria feliz. E, sejamos sinceros, a Melissa é linda e não será difícil para ela encontrar outro homem que seja capaz de a amar e de lhe dar tudo o que ela precisa. É só uma questão de tempo para que tudo fique bem. 

  Depois de algum tempo, a minha ex-namorada ergueu o seu olhar e os seus olhos verdes fitaram os meus, fazendo com que eu engolisse em seco. Eu tinha mesmo partido o seu coração e isso dava cabo de mim... Mas se continuássemos nesta mentira, as coisas seriam piores. Eu não estaria feliz, ela não estaria feliz e eu espero que a Lea também não estivesse feliz... 

— Bom, sendo assim...— Passou as suas pequenas mãos debaixo dos seus olhos, limpando as pequenas lágrimas que teimavam em cair.— Eu vou andando. Espero que sejas feliz, Marc. 

  E abandonou a minha sala, sem me dizer mais nada nem esperar que eu lhe retribuísse o desejo. No fundo, talvez ela também soubesse da verdade...  

Worthless || Marc Bartra ✅Onde histórias criam vida. Descubra agora