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Lea Cardenas

  Toda aquela declaração do Marc tinha sido demasiado para mim. Eu tinha toda uma postura de mulher forte mas no fundo sou só uma menininha frágil.
   Eu estava a chorar no peito do meu ex-namorado. Estava mesmo a fazê-lo. Ele tinha acabado de dizer que estaria sempre lá para mim. Mas ele não tinha estado lá quando eu precisei. Também tinha dito amar-me... Mas ele não demonstrou sentir-se assim.
   Mas eu também tinha dito que o esquecera e olhem para mim a chorar porque ele disse que me amava. Nem sempre as nossas palavras são verdadeiras mas também nem sempre o que fazemos demonstra como nos sentimos.

— Lea, não quero que chores por minha causa... Desculpa se novamente te fiz chorar. — Murmurou ao meu ouvido. — Não era essa a minha intenção...

— Não peças desculpa. — Respondi, erguendo o meu olhar para o poder encarar.

  O jovem jogador passou os seus dedos por debaixo dos meus olhos, secando as minhas lágrimas cuidadosamente.

— Porquê que tu fizeste aquilo? Só porque discutimos por causa dos teus ciúmes excessivos?

— Eu... Eu não sei. Sempre que ficávamos chateados, não conseguia lidar com a raiva que estava a sentir e acabava por sair para beber, tu sabes disso. Da última vez, eu estava tão magoado que inconscientemente quis "vingar-me". Mas eu garanto-te que não estava em mim, Lea. Preciso que acredites no que te digo...

— Eu acredito em ti.

— Eu não sabia lidar bem com os meus sentimentos. Acabava por fazer porcaria sempre que me sentia chateado, com raiva ou magoado. Tu eras a pessoa mais próxima e consequentemente aquela que sofria sempre com isso. Eu não errei contigo apenas naquela noite, Lea. Eu errei contigo durante todo o nosso namoro. Tu tinhas razão. Eu destruí a nossa amizade assim que te perguntei se querias namorar comigo. Na verdade, assim que te beijei pela primeira vez.

— Não digas isso, Marc. Estás a fazer com que o nosso namoro soe como um erro e não foi isso que significou para mim! — Afirmei.

Ele estava a ser demasiado duro consigo mesmo.

— Tens razão. Não foi um erro. Foi uma das melhores oportunidades que tive na minha vida e eu não soube aproveitar.

— Vais-me fazer chorar novamente.

— Posso te fazer três perguntas?

— Podes.

— Consegues perdoar-me? Ou pelo menos... Tentar?

  Assenti silenciosamente.

— Dás-me uma segunda oportunidade? Por favor, Lea... — Implorou, fazendo um olhar de cachorro mal morto.

Hesitei.

— Eu quero tentar. — Disse, tentando parecer confiante nas minhas palavras. — Eu quero voltar a tentar.

— A minha última pergunta é um pouco estúpida e eu sei que não a deveria fazer mas eu conheço-te bem por isso... Posso bei---

  Já sabia o que ele diria em seguida. Realmente, essa não é uma boa pergunta para se fazer num momento destes. Aproximei o meu rosto do seu e selei os nossos lábios antes que ele tivesse oportunidade de completar a sua questão.
   Eu seguia cuidadosamente os seus movimentos num beijo calmo e repleto de desejo. Eu queria tanto isto. Nós queríamos tanto isto.
    Levei a minha mão até ao seu rosto, segurando-o com carinho como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
    O Marc "pediu permissão" para a passagem da sua língua e eu concedia-a, entreabrindo os meus lábios.
   Comecei a ouvir palmas e deduzi que fosse o Götze. Mas não era apenas ele. Literalmente metade da tribuna estava a aplaudir o nosso momento que, pelos vistos, era muito mais importante que o jogo de futebol a ocorrer à nossa frente.

Yo te amo mucho. — Sussurrou, assim que os nossos lábios se afastaram. — Não há palavras para descrever o que sinto por ti e muito menos para descrever o que estou a sentir neste momento. Só te peço que fiques comigo...

También te amo mucho. — Foi a minha vez de proferir. Depositei um beijo rápido sobre os seus lábios e voltei a virar o meu rosto para o campo. — Agora vamos ver o resto do jogo porque as pessoas da Tribuna estão demasiado interessadas na nossa reconciliação.

— Tens razão. — Gargalhou.

  Passou o seu braço por detrás dos meus ombros, abraçando o meu corpo e eu deitei a minha cabeça sobre o seu ombro.

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Worthless || Marc Bartra ✅Onde histórias criam vida. Descubra agora