Por Lea Cardenas
Assim que cheguei ao aeroporto da cidade, fui reaver a minha bagagem de porão e arrastei as minhas duas malas — a grande e a de mão— até ao lugar acordado com os meus pais. Eles não faziam ideia de que eu e o Marc estávamos, novamente, juntos e eu não sabia ao certo como lhes contar. Confesso que o meu pai o detesta. Detesta mesmo.
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Observem que ele já odiava o Bartra antes de toda aquela história sobre os nudes. O velhote sempre achou que os espanhóis eram preguiçosos, que queriam ter tudo de mão beijada e que não se esforçavam para conquistar as coisas. Obviamente que ele não queria que eu estivesse com alguém assim. Para ele, o ideal era que eu encontrasse algum venezuelano tal como nós — ou latino, qualquer coisa— e que seguisse os seus desejos de ter uma família inteiramente com raízes da América do Sul porque, sim, existiam grandes diferenças.
A verdade é que, quando os meus pais descobriram o que o Marc tinha feito naquela noite, eu tive que ouvir longos discursos sobre o quanto ele me tinha avisado em relação a ele. Foi terrível. Eu já me estava a sentir péssima, não precisava daquilo!
Para além disso, tivemos que nos mudar para outra cidade durante algum tempo para tentar recomeçar num outro lugar. A realidade é que foi um ano horrível para a minha família: os meus pais não conseguiram arranjar trabalho e tivemos que recorrer a várias ajudas para conseguirmos manter as coisas. Não tínhamos condições para voltar para Barcelona e, mesmo que tivéssemos, a nossa casa tinha sido recentemente vendida.
A culpa não era do Marc. Estava longe de ser. Mas o meu pai decidiu culpá-lo por tudo o que sucedeu nesse ano e, por isso, ainda o detestava mais.
Por isso, eu teria ainda mais dificuldade em contar-lhes sobre estar com o Marc novamente.
Para além de que, com tudo o que aconteceu quando mudámos de cidade, a minha relação com o meu pai deixou de ser propriamente a melhor. As coisas começaram a não resultar tão bem entre ele e a minha mãe e chegou até a surgir uma ideia de divórcio. É aí que entra a parte em que eu deixei de ser tão próxima dele quanto antes: ele traiu a minha mãe e tornou-se mais agressivo para connosco — isso não inclui a minha irmã mais nova.
Digamos que não culpava apenas o Marc por tudo o que ocorreu no ano passado. Ele culpava-me também e, em parte, odiava-me por isso.
Vida que segue. Eu afastei-me, foi isso que ele ganhou com as "pequenas agressões" e comentários ofensivos.
💫💫💫
Encontrei-me com os meus pais meros minutos depois. O Renault vermelho com vinte anos de existência estava estacionado junto ao passeio e a minha progenitora encontrava-se fora dele, encostada à sua porta enquanto me procurava com o seu olhar atento. Assim que me encontrou, correu até mim e abraçou-me como se eu estivesse estado longe por anos.
— Mi amor, tive tantas saudades tuas.— Sussurrou, apertando o meu pequeno corpo com alguma força.— Como correu? Aproveitaste bem?
— Sim, mãe, correu tudo bem.— Respondi, coçando os meus olhos.— Estou muito cansada, confesso.
— Oh, é natural! Eu vou colocar as malas no carro, vá, podes entrar!
Eu obedeci. Sentei o meu rabo no assento do carro e fechei os olhos, encostando-me inconscientemente à janela. E pronto. Isso bastou para que eu adormecesse.
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Worthless || Marc Bartra ✅
Teen FictionOnde Lea publica comentários de ódio em todas as publicações de Marc Bartra, jogador do Borussia Dortmund. O que será que originou todo esse ódio? #435 em ficção adolescente a 03/06 #331 em ficção adolescente a 04/06 #285 em ficção adolescente a...
