(Lea Cardenas)
O Marc era realmente espectacular. Tinha tido o cuidado de elaborar toda uma publicação para que as pessoas parassem de dizer coisas mais negativas. Em momento nenhum ele tinha dito que eu era sua namorada mas tinha, na verdade, dado a entender que estávamos juntos de alguma maneira.
E, tenho de admitir, isso deixava-me feliz.
Depois de termos esse assunto resolvido, o Marc sugeriu que fôssemos sair. Como eu ainda não tinha visitado o coração de Munique, aproveitámos para passar pela mundialmente conhecida cervejaria alemã —Hofbräuhaus — e também pela Marienplatz — ou Praça de Maria— que também se encontrava relativamente perto.
Decidi dar um descanso ao meu carro alugado e desci de elevador com o Marc até à recepção. De mãos dadas e dedos entrelaçados, caminhámos até à sua viatura que se encontrava estacionada no Parque Aberto do hotel.
Em seguida, o meu ex-namorado pressionou a chave, permitindo que eu abrisse a porta do meu lado. Sentei o meu traseiro confortavelmente no assento e coloquei o cinto de segurança, pousando o meu telemóvel sobre as minhas pernas. O cartão que concedia entrada para o quarto estava guardado no interior da capa do meu pequeno aparelho.
O jogador espanhol entrou do seu lado, sentando-se também. Depois de prender o seu cinto, ligou o motor do carro e virou-se para mim, piscando-me o olho.
— Está tudo bem?— Inquiriu, colocando a sua mão sobre a minha perna descoberta (tendo em conta que estava de calções).— Se eu fizer algo que te incomode, diz-me, por favor.
— Incomoda-me que tu mores longe de mim.— Admiti, suspirando profundamente.— Incomoda-me que não possa ver-te todos os dias. Incomoda-me que não possamos reconciliar-nos de forma calma e suave como deveria, na verdade, acontecer. Incomoda-me que eu não possa decidir, repentinamente, ir até tua casa e passar a noite contigo ou até mesmo sair para algum lugar aleatório. Incomoda-me ter que nos submeter a uma relação à distância se quisermos que isto funcione. Tudo isso me incomoda, Marc.
— Eu compreendo-te porque também me incomoda que as coisas sejam assim.— Moveu a sua mão até à minha, voltando a entrelaçar os nossos dedos.— E, ainda que eu queira que as coisas não sejam assim, eu aceito que prefiras ficar em Barcelona com a tua família e a tua vida ao invés de te arriscares comigo, Lea. Talvez eu também não me arriscasse a fazê-lo. Não por alguém que me magoou muito, como é o caso. Mas, ainda que eu perceba, eu gostava que viesses para Dortmund comigo... Nem que fosse apenas por algum tempo. Eu não quero estar longe de ti, honestamente.
— Eu gosto tanto de ti.— Confessei, deitando a minha cabeça sobre o seu ombro.— De qualquer das formas, eu quero muito estar contigo e ainda que não queira, sinceramente, abandonar Barcelona, quero dar-nos mais uma oportunidade.
— Cada vez tenho mais certezas de que terminar o meu noivado com a Melissa e tentar novamente contigo foi a decisão mais acertada.— Proferiu, depositando um beijo sobre a minha cabeça.— Estou muito feliz por te ter de volta e prometo que não farei nada para te perder novamente.
— Te amo.— Sussurrei próximo ao seu ouvido, beijando, seguidamente, a sua bochecha.
— También te amo, amor.— Murmurou também, plantando um beijo nos meus lábios.
Por mais que quiséssemos, não poderíamos simplesmente ficar a trocar saliva— como diria o Julian— no interior do seu carro no parque do meu Hotel. Afastei-me do Marc e encostei a minha cabeça contra o vidro da viatura, fechando os olhos. O rapaz abandonou o estacionamento com o seu belíssimo carro e ligou o GPS, começando a dirigir até ao primeiro ponto combinado.
A voz do aparelho era extremamente irritante e eu estava a pensar no melhor plano para atirar o seu telemóvel pela janela quando senti os lábios suaves do espanhol sobre a pele da minha mão. Era impossível não gostar do Marc. Ele era o ser humaninho mais carinhoso à face da Terra — quando estava num dia bom.
Sim, porque quando Marc Bartra Aregall se encontrava num mau dia, o ideal era que todos saíssem da sua frente. Ele era capaz de arrastar tudo e, principalmente, dizer coisas que não deveria— e que não são, de facto, reais ou de acordo com o que ele pensa.
Tinha-se passado cerca de meia hora quando saímos, finalmente, do carro. Demos, novamente, as mãos e o Marc colocou o capuz da sua sweatshirt para passar um pouco mais despercebido.
Entrámos no estabelecimento da cervejaria e sentámo-nos numa das poucas mesas disponíveis. O empregado de mesa dirigiu-se até nos, proferindo qualquer coisa em alemão. Claro que eu fiquei completamente perdida e, por isso, o Marc tomou conta da situação. Efectuou os pedidos por ambas as partes e, assim que o senhor desapareceu, virou-se para me poder encarar.
— Bom, eu pedi o que os meus colegas consideram "a melhor cerveja de todo sempre" e, obviamente, um prato típico alemão. Acredito que vás gostar.— Explicou o que tinha pedido, exibindo um sorriso amplo.— De qualquer das maneiras, eu quero conversar sobre nós. Não quero estar a insistir constantemente nisso mas quero ter a certeza de que estamos na mesma página... Não quero que vás para Barcelona com ideias erradas.
Franzi o cenho. O que poderiam ser ideias erradas? Pensar que ele queria algo a sério comigo?
— Explica-me o que tens por "ideias erradas".— Pedi, cruzando os braços.
— Tendo em conta as maravilhosas amigas que tens, não me admira que te ponham a pensar coisas erradas, Lea. Eu não estou a brincar contigo e quero que tu me leves a sério.— Tentou elucidar-me, levando a sua mão até ao meu rosto.— Acredito que te vão dizer mil e uma coisas porque já deu para perceber que não são boas pessoas e eu não quero que tu acredites no que elas disserem.
Assenti. Ele tinha toda a razão no que estava a dizer porque elas eram bem capazes de inventar histórias sobre o Marc estar só a empatar as coisas comigo, afinal, somos amigos. Não que isso me incomodasse. Eu adorava o facto de o Bartra ter respeitado o meu espaço e estar a avançar com calma quanto a nós. Eu não estava chateada por isso.
O empregado de mesa chegou com os nossos pedidos e pousou-os à nossa frente. O Marc disse qualquer coisa em alemão e o homem assentiu— provavelmente, seria a conta.
Estivemos nesse espaço durante pouco mais de uma hora e tivemos tempo para provar ambos os pratos— porque o dele era algo diferente— e ambas as cervejas — porque ele discordava das opiniões do Mario e do Julian. Conversámos bastante sobre uma possível mudança da minha parte e combinámos o meu regresso à Alemanha— desta vez a Dortmund e não Munique— para a segunda-feira da semana seguinte. Portanto, eu teria uma semana para tratar de tudo e ficaria com o Marc até ao final da época— o que era relativamente pouco tempo.
Depois disso, o Bartra pagou a conta— por insistência dele, porque eu disse que pagaria— e levou-me até à tal Praça. Era, de facto, bonita e bastante movimentada. Por esse último motivo, tirámos apenas algumas fotos antes de regressar para o carro e, seguidamente, para o hotel.
Quando chegámos ao quarto em que estava hospedada, o Marc colocou a sua mala — com roupa para hoje, sábado, domingo e segunda— no chão, junto ao meu roupeiro. Eu não sabia que ele tencionava dormir comigo.
Não que isso fosse um problema, já o fizemos várias vezes
Claro que não lhe disse nada sobre isso. Até porque, nós estávamos demasiado ocupados com outra situação. O Marc sentou-se na cama e eu coloquei-me no seu colo, seguindo todos os seus movimentos. Estávamos envolvidos num beijo um pouco mais rápido do que o atual, um pouco mais agitado.
O resultado foi, obviamente, uma noite maravilhosa em que as nossas roupas acabaram a decorar o pavimento do hotel — que, cá entre nós, ficou muito melhor assim. Por sorte, nenhum dos hóspedes veio bater à nossa porta por estarmos a fazer demasiado barulho o que eu, particularmente, acredito que tenha sido por termos tido esse cuidado.
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Worthless || Marc Bartra ✅
Fiksyen RemajaOnde Lea publica comentários de ódio em todas as publicações de Marc Bartra, jogador do Borussia Dortmund. O que será que originou todo esse ódio? #435 em ficção adolescente a 03/06 #331 em ficção adolescente a 04/06 #285 em ficção adolescente a...
