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HOUVE UM SILÊNCIO QUEBRADO PELO TROVÃO estrondando no infinito, seguido de um gotejar sereno que alcançou minha percepção no instante em que despertei. O habitual chuviscar das manhãs garoantes de Corbeaux chocava-se suavemente contra o vidro da janela, indicando que, mais uma vez, o dia começava como um disco arranhado. A chuva, o frio, as nuvens e o cinza em reincidência perpétua. Era quase como passar a vida navegando pelo triângulo das bermudas, só que bem menos interessante.
Fazia aproximadamente 15°C em Corbeaux naquela manhã. Mal abri os olhos e já sabia que não seria um dos dias mais ensolarados da temporada, visto que a pouca luz que vinha de fora denunciava que o céu continuava cinzento, como de costume, tal como a cidade, as casas, e as pessoas daquele lugar. Além do som da chuva, um suave ruído de folhear de páginas ocupava a atmosfera do ambiente. Me pus sentada, retirando o cobertor no processo, e como se estivesse esperando por sua deixa — e realmente estava —, o frio costumeiro das manhãs chuvosas de Corbeaux me abraçou como um velho conhecido.
Sarah Campbell, minha melhor e mais destemida amiga desde o ensino fundamental, encontrava-se estirada no pequeno sofá de dois lugares, aos pés de minha cama, com a atenção voltada para algo em suas mãos. Eu havia convidado-a para dormir em minha casa na noite anterior, quando soube que seu pai viajaria a trabalho.
— Bom dia, Vagisil — ela saudou, sem desviar o olhar do anuário em suas mãos.
Sarah tinha pele negra e longos cabelos escuros, divididos em dezenas de tranças finas que realçavam divinamente a jovialidade de seu rosto. Seus belos e delicados olhos castanhos pareciam estudar atentamente um velho anuário de capa azul recostado sobre suas pernas.
— Bom dia, Monistat. Que horas são?
— Não faço a mínima idéia, mas provavelmente chegaremos atrasadas, de novo.
Voltei-me para o despertador sobre a mesa de cabeceira, o qual não havia sido acionado para aquela manhã, não me surpreendendo quando observei serem exatas 07h32. Sarah estava certa.
— E por que diabos não me acordou?
— Fiquei um pouco entretida com esse anuário que achei por acaso no seu armário. Eu havia me esquecido de como seus dentes apontavam em todas as direções naquela época.
— Certo, "por acaso" você encontrou um anuário que eu guardo dentro do armário, na última gaveta, embaixo das minhas meias. Claro.
— Que bom que entendeu.
— O que exatamente está vendo?
Ela ergueu o anuário para me mostrar a página que analisava, a qual era ocupada por uma única foto, onde nove crianças — entre seis e doze anos — encontravam-se sentadas sobre um solo gramado, na companhia de uma mulher mais velha. Era o anuário da nossa turma de 2007. Sarah e eu fazíamos parte daquele grupo de crianças.