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NUVENS CINZA ROLAM SOBRE AS COLINAS trazendo a escuridão de cima. A chuva havia cessado, mas o manto cinzento continuava cobrindo Corbeaux com sua aura fantasmagórica de monotonia — pelo menos aquilo continuava estável. Mesmo sentada no banco traseiro da BMW de teto aberto, sentindo o vento frio do início da tarde cortar meu rosto, se eu fechasse os olhos, quase parecia que nada havia mudado, afinal.
Após o fim da última aula, nos dirigimos ao estacionamento onde a BMWpreta nos aguardava. Não havia nenhum sinal do SUV ou de Esme Montreux e Paul Stepford.
— Onde estão os outros? — Sarah perguntou, antes de entrar no carro.
— Esme foi procurar comida para Megan — Madelyne informou, sentando-se casualmente no banco traseiro. — Talvez essa seja a nossa única chance de sobreviver mais um dia naquela casa.
— Posso ir dirigindo? — Eleanor perguntou em tom infantil, como uma criança que pede um doce ao pai.
— Não, obrigado — Ethan respondeu, entrando rapidamente no lugar do motorista.
— E por que não?! — Eleanor pareceu ofendida, ainda parada diante da porta do motorista.
— Não sei... — Madelyne imitou a voz de Eleanor, o tom carregado de ironia —, Talvez porque da última vez em que colocou as mãos em um volante, você passou por cima de uma velhinha com o carro.
Chocada, Sarah rapidamente levou as mãos à boca.
— EU NÃO PASSEI POR CIMA DELA! — Eleanor esbravejou, e mais uma vez, como na cabana, senti o súbito mal estar que assemelhou-se a uma queda de pressão.
Da primeira vez em que aconteceu, eu não tinha informações o suficiente para encontrar uma explicação plausível, mas depois de descobrir os dons de Eleanor, e observar naquele momento as pequenas plantinhas aos nossos pés escurecerem lentamente, pude compreender exatamente o que acontecia quando ela perdia a calma. Eleanor era uma bruxa da vida capaz de manipular a morte, e aquela sensação de mau estar, em ambas as vezes, foi minha vida a um passo de deixar o meu corpo. As plantas eram uma forma de vida bem menos complexa, e por isso morriam tão facilmente quando Eleanor emanava suas rajadas de éter mortal.
Houve um silêncio de apenas quatro segundos ao nosso redor, quando as outras pessoas pararam por um instante para verificar a fonte do grito. Felizmente, apenas aqueles que estavam perto de Eleanor pareceram sofrer a terrível influência de seus dons sobre a vida, mas além de mim, Sarah foi a única que demonstrou desconforto quando aconteceu — provavelmente pelo fato de Ethan e Madelyne já estarem acostumados.
— Não quer gritar mais alto? — Ethan ironizou. — Acho que não deu pra te escutar lá da Austrália.
— Foi ela quem rolou por cima do carro — Eleanor completou sua frase, voltando-se para Sarah e eu, como se nos devesse uma explicação. — E em minha defesa, a culpa foi toda dela. Quem em sã consciência faz caminhada vestindo as cores do asfalto?