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A SENSAÇÃO TÉRMICA DE CORBEAUX não era nada se comparada àquele lugar. Os imensos pinheiros úmidos, assim como a garoa e a escura terra molhada que engolia metade de minhas botas, contribuíam perceptivelmente para deixar o ambiente dez vezes mais congelante do que na cidade. A moradia, mais adiante, parecia morta e inabitada, com paredes de madeira velha, telhado esburacado, algumas janelas rachadas, e nenhum sinal de vida percetível — além de algumas plantinhas que se encontravam em quase todas as janelas. A típica e ameaçadora cabana de filme de terror, onde os protagonistas entrariam para nunca mais sair.
Paramos diante da porta, e Ana nos olhou uma última vez antes de entrarmos, balançando a cabeça positivamente como se desejasse boa sorte. Ela estava notavelmente tensa, como de costume. Voltou-se para frente, pronta para bater, mas assim que ergueu a mão, a porta se abriu preguiçosamente. A garota loira, suposta prima de Elizabeth, estava diante de nossos olhos com uma expressão indecifrável.
— Ficaram paradas no carro por tanto tempo... — ela disse, sua voz era suave, e eu não havia notado antes, mas possuía um forte sotaque inglês. — Pensei que não fossem ter coragem para sair.
Ela e Ana se encararam silenciosamente por longos cinco segundos antes de falarem qualquer outra coisa.
— Anastasia — disse, como uma saudação fria.
— Esme — minha irmã respondeu, igualmente fria.
— Entrem — ela abriu espaço para passarmos.
O interior confortavelmente aquecido parecia velho e gasto — assim como o exterior —, embora os móveis fossem evidentemente novos, totalmente em desacordo com a casa. A sala aparentava estar despovoada, mas a lareira encontrava-se acesa à nossa direita.
— Vou chamar as outras — ela atravessou um portal de moldura velha logo à esquerda, subindo as escadas fora de nossa vista.
Caminhamos até um elegante sofá marrom — de frente para a lareira —, e notei a estranha ausência de decorações naquele cômodo — não haviam vasos, porta-retratos, quadros, tapetes ou até pintura nas paredes. Apenas uma TV de tela plana, acima da lareira, e um belo lustre de cristal sobre um piano preto, próximo a uma entrada para outro corredor.
— Vocês sabiam que Esme estava com eles? — Ana sussurrou, tirando o casaco.
— Sim, por quê?
— Por que não me avisaram?
— Qual o problema? — Sarah participou dos sussurros.
— Nenhum, esqueçam — ela desviou o olhar, um pouco mais tensa. — É só que... Não sabia que a encarregada dessa casa era ela.