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NO CORAÇÃO DE UMA FLORESTAAMEDRONTADORA a luz pálida da lua atravessava timidamente as frestas das copas das imensas árvores que me rodeavam. O ar era úmido, assim como a terra sob meus pés, e pude ouvir o uivar de lobos não muito longe de onde eu me encontrava naquele momento. Caminhei por um tempo, tentando encontrar uma saída daquele lugar, e a cada passo que dava, a cada centímetro que me distanciava do meu ponto de partida, notava mais e mais corvos se amontoando silenciosamente nos galhos das árvores acima de minha cabeça, como se esperassem por algo. Eu sabia que aquilo não era real, sabia que estava apenas sonhando, mas aquela mistura avassaladora de sentimentos pesados me fazia duvidar.
Naquele instante, bem ao longe, sobre uma elevação de terra, pude ver minha velha amiga: A dama sem rosto. Ela continuava gigante e brilhante — como uma lua em formato humano —, e estendia a mão, como se tentasse me ajudar, mesmo ainda estando a vários metros de distância. Não sei explicar como, mas eu podia sentir suas intenções perfeitamente.
Dessa vez, chamava meu nome. Sua voz parecia desregulada e distante — como um grito sob a água —, mas foi se transformando lentamente, até chegar num tom que pude reconhecer: era a voz de Sarah.
Advinha? O mundo não some quando fechamos os olhos.
Um trovão ribombou no infinito sobre nossas cabeças como se dissesse "bom dia", e ao abrir os olhos, encontrei Sarah me observando com evidente consternação em seu rosto. Ela apertava minha mão delicadamente enquanto chamava meu nome através de um sussurro suave.
Eu estava na enfermaria da escola, deitada sobre uma cama alta de colchão fino. O brilho intenso das luzes daquele lugar irritou minhas retinas nos primeiros segundos, mas pude notar dois adolescentes discutindo no canto da sala. Ainda estava bastante tonta e confusa, tentando descobrir se aquilo era um sonho, ou a realidade cinzenta em que vivia. Demorou um pouco para minha visão clarear, mas logo reconheci as pessoas que conversavam distante do meu leito. Eram Paul Stepford e Eleanor Orlovsky.
— Finalmente — Sarah disse num tom de alívio que se transformava em repreensão. — O que diabos você tem na cabeça?!
— O quê?
Ela se jogou sobre mim, prendendo-me em um abraço apertado.
— Sua idiota, nunca mais faça uma coisa dessas comigo.
— Eu caí?
— Você basicamente se jogou quando tentou alcançar sua carteira, e rolou quase dois lances de escada.
— É tarde demais para catar os pedaços?
— Não — ela se afastou e sorriu —, sempre tive muita experiência em catar seus caquinhos.
— Há quanto tempo estou aqui?
— Pouco mais que meia hora — respondeu Eleanor Orlovsky, repentinamente próxima ao meu leito.