🏆| Eleita "Uma das Melhores Histórias de 2020" pelo perfil oficial AmbassadorsPT.
🏆| Destaque de Setembro | Perfil Oficial FantasiaLP (2020).
🏆| Destaque de Fevereiro | Perfil Oficial ParanormalLP (2021).
🥇| FANTASIA | Concurso Escritores Lendár...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
ME ENCONTREI PRESA NA ESCURIDÃO inebriante de uma cova desconhecida. Não enxergava coisa alguma, mas podia sentir a areia fria sob meus pés, espalhando-se entre meus dedos. Tentei inutilmente escalar as paredes de terra, mas de nada adiantou. Sempre que estava quase conseguindo chegar ao topo, perdia o equilíbrio, e o breu sufocante voltava a me engolir como um oceano sombrio.
Mas em um dado momento, a luz surgiu. Lá no alto, alguém abrira a cova, deixando entrar um brilho ofuscante que estranhamente parecia iluminar a escuridão à minha volta, tanto quanto iluminava a escuridão que havia dentro de mim. Não pude ver o rosto, pois era apenas um borrão opaco, quase como o que Sarah e eu vimos na noite passada, só que branco, não cinza, e aparentava brilhar na intensidade de mil lâmpadas de led.
Foi como se toda a luz que existe no universo houvesse se personificado numa única presença humanoide apenas para me ajudar a sair da escuridão. E foi o que fez. Eu estava confusa, porém não assustada. Aquele ser começou a entrar em foco, como em uma câmera fotográfica. Era a figura de uma mulher. Não tinha rosto, mas eu pude ver longos cabelos escuros, caindo para além da cintura. O resto de seu corpo era completamente feito de luz, assim como a túnica que aparentava usar. Ainda sem rosto, ela cresceu e se tornou um gigante diante de meus olhos.
Eu via corvos por todas as árvores da floresta, preenchendo todos os galhos e assistindo atentamente àquela cena, porém nenhum ruído era audível à minha volta. Estava escuro, mas tudo era nítido. A mulher esticou o enorme dedo indicador — o qual era quase do meu tamanho —, tocando minha testa, e no exato instante em que o fizera, todos os corvos, os quais antes observavam em silêncio, voaram e crocitaram uma sinfonia infernal. Logo, não era mais o crocitar que eu ouvia, e sim, uma voz amedrontadora que proferiu apenas duas palavras antes de um tilintar eletrônico varrer aquela atmosfera irreal: "Ela acordou".
O despertador.
Abri os olhos. Sarah, ainda deitada ao meu lado, pressionava um travesseiro contra a cabeça.
— Faça isso parar! — ela gemeu, a voz rouca.
Me pus sentada, desativando o barulho incômodo. Ao olhar em direção às cortinas, notei a estranha ausência dos débeis raios solares que normalmente invadiam meu quarto pela manhã. Ainda estava escuro, mas, de acordo com o despertador, eram 07h00 da manhã. Levantei-me com dificuldade, vagando até a janela para logo perceber que estava escuro devido a densa camada de nuvens tempestuosas que cobriam o céu. Típico de Corbeaux. Sempre que abria os olhos, era como um paraíso sombrio.
Aquela cidade sempre me pareceu tão... pensativa. Suas nuvens cinzentas lembravam-me do cérebro humano. Tudo o que fazemos é controlado e facilitado por sinais elétricos que funcionam através do nosso corpo, e isso me fazia pensar nos raios que cortavam o céu diariamente. Como se as nuvens tempestuosas, com seus raios e trovões, fossem grandes neurônios conduzindo eletricidade em uma mente pensativa.