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QUANDO ADENTREI NO TOALETE minha cabeça já não latejava tanto, mas meus olhos e orelhas continuavam a me incomodar, ao tempo que um zumbido dissonante pareceu encobrir todas as vozes e ruídos que há alguns segundos eram impossíveis de se ignorar naquele ambiente escolar.
Lavei meu rosto devagar, tentando inutilmente pospor o que estava sentindo com pensamentos contingentes, e torcendo para que a água fosse o suficiente para abafar meus tormentos efetivamente, mas, tragicamente, não funcionou. Não seria possível ignorar aquilo. Fui forçada a lidar com o que estava sentindo, e não houve distração para mascarar o que era real.
A dor se tornou aguda, como se um grito silencioso ecoasse através de minha mente à procura da saída. Levei as mãos à cabeça numa tentativa ineficaz de amenizar o desconforto, e apenas torci para que passasse. Ainda de olhos fechados, pude sentir a tempestade do lado fora, se intensificando a cada segundo, o que fez me sentir estranhamente familiarizada, pois o caos de Corbeaux durante os temporais poderia ser facilmente comparado ao caos da minha cabeça naquele momento. A diferença é que as pessoas podiam se esconder da chuva, mas eu não podia me esconder de mim mesma.
Já estava a ponto de gritar, e colocar para fora de forma bruta tudo aquilo que parecia estar preso no meu interior, mas antes que meus joelhos cedessem e eu despencasse no chão, a sirene que indicava o final do intervalo soou de maneira abrupta, varrendo consigo toda a balbúrdia que me atormentava naquele instante. Foi como se tudo o que eu sentia há alguns segundos simplesmente desaparecesse nos confins de minha mente.
O que pareceram horas durou apenas poucos minutos, mas eu continuava inerte, de frente para o espelho, me perguntando o que havia acabado de acontecer. Não consegui afastar as mãos da cabeça, temendo que tudo voltasse caso o fizesse. Me virei abruptamente, pronta para seguir rumo à saída e voltar direto para a enfermaria, mas no ato, acabei esbarrando em uma garota que havia acabado de passar pela porta à minha direita.
— Me desculpe — abaixei para pegar uma pequena bolsa que deixara cair.
— Merci— ela agradeceu, assim que lhe entreguei seu acessório.
Mas foi só quando me levantei por completo, e fixei minha atenção em seu rosto, que pude reconhecer a garota que encontrava-se diante de meus olhos.
— Ora, ora, ora — disse Madelyne NicDystra com um sorriso malicioso. — Mary-Lanna Miller. Há quanto tempo?!
De todos os meus antigos colegas, Madelyne foi a que menos pareceu ter mudado. Ela continuava com o mesmo sorriso frígido da nossa infância e cabelos ruivos com o mesmo tom de laranja de dez anos atrás — um tom tão berrante que provavelmente poderia ser visto no escuro. A franja estava presa atrás da cabeça por dois hashis dourados, e seus olhos, verdes como torbernita, me observavam atentamente enquanto eu a estudava de cima a baixo.